<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149</id><updated>2012-02-16T05:04:57.153-03:00</updated><title type='text'>Robelixblog</title><subtitle type='html'>Sobre escrever: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente - Clarice Lispector</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>44</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-3243652093149980310</id><published>2011-04-04T23:10:00.003-03:00</published><updated>2011-04-04T23:12:20.839-03:00</updated><title type='text'>VASECTOMIA EM TRÊS ATOS</title><content type='html'>Eu: sala fria essa da espera e esse povo que não me chama. Já não aguento mais de sono. Mas quem foi que inventou mesmo esse negócio de cortar o pinto, eu ou a mulher? Também quem mandou começar a produção tão tarde. Agora tou sem saco, sem sacanagem, de criar mais menino. E aquele negócio de criar filho como se fosse neto não é muito divertido: “é seu avô, é, filho?” não tem graça...o cara querendo se aposentar e o pimpolho ainda nas crises de adolescência...tou fora. O pai com setenta anos e o menino preocupado com o vestibular, chorando a primeira namorada... Não, vamo parar por aqui. Mas precisava vir em jejum? Tou com mais fome do que preocupação. Preocupação com o quê, mesmo? Dizem que homem corre de uma vasecto como um Bebum corre do AA, mas o pior é o mico de sair mostrando a pitoca amedrontada às enfermeiras calejadas, assim, tudo tão sem clima!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeira : o senhor pode vir por aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: fui falar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: humm, deixa eu me ver no espelho...mas como eu tou lindo com esta bata que é dez números abaixo do meu e a bunda de fora! Também quem mandou ser grande e gordo. Aqui não é lugar pra desfile de beleza, meu filho, muito pelo contrário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeiro: o senhor pode deitar nesta maca que vamos dar um passeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: passeio, é? espero que não seja pra o IML.! Mas que visão interessante esta! Que perspectiva nova da vida, rapaz! Daqui da maca é tudo lâmpada e teto, lâmpada e teto, lâmpada e teto...Então é assim quando estamos pra empacotar, humm, negócio estranho, mas não deixa de ser curioso...Bump! Observa os quebra-molas, ô motorista de maca! Cê tirou carteira onde, no INSS? FDP!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeiro: pronto chegamos, senhor, rapidinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: rapidinho...tu quase me derruba ali na curva! Humm, deixa eu ver... Putz, tem logo quatro enfermeiras pra assistir a este espetáculo, que excitante, pra não dizer o contrário!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anestesista: pois é, como eu ia dizendo, as escalas estão uma merda. Trabalhei o fim de semana passado todo e já vou trabalhar de novo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeira: é doutora, mas tá assim mesmo,tá difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: vocês tão reclamando de quê, hem? Por que não foram arranjar outra profissão? Vão dizer que não sabiam que medicina é regime de escravidão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeira: Mal dá pra descansar. Acaba gerando acidentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: espero que hoje, ESPECIALMENTE, de coração, vocês tenham descansado, que eu não tenho nada a ver com seus problemas trabalhistas. Já é bem duro vir aqui ser cortado e atrapalhar a rotina de vocês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anestesista: vou dar ao senhor uma medicação para dormir e depois as meninas vão fazer a assepsia do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: Ótimo que eu durma, pra não ver esta tragédia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cirurgião: tá tudo tranquilo aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: tá. Tirando a fome. Olha, vê se não erra a mão lá embaixo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médico: fica tranquilo que qualquer merda você vai ser o primeiro a saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: humm...não gosto de médico com senso de humor, muito menos com meu pinto no meio da piada...que soninho bom...eu devia ter um tubo desse oxigênio em casa, delícia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....................................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anestesista: pronto, senhor, tudo correu bem e agora vamos de volta pra maca e para a sala de recuperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: tudo bem agora... Eu quero ver quando passar a sua anestesia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeiro: vamos lá , senhor, de volta para a outra sala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: tudo bem, mas vê se vai sem pressa agora, ô desgraçado! E tome lâmpada e teto, lâmpada e teto, lâmpada... teto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeiro: pronto. O senhor ficará aqui repousando. Fique tranquilo que estamos tomando conta do senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: hoje levei um esporro da chefe porque cheguei atrasada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 2: Ela é durona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: Eu hemm! Não quero nem saber. A reforma do apartamento está a todo vapor e a empregada não sabe das coisas, cê entende, né...eu tinha que ficar pra receber a mesa nova, a coisa mais linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: se eu fosse teu chefe, tu já tava na rua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moribundo 1: Aaaiiiiii!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: o senhor tá sentindo dor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: não, deve ser o prazer de estar aqui, doutora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: qualquer coisa estamos atentas aqui, viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: atenta ao quê? A chegada do guarda-roupas novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 2: cê já viu as minhas fotos de Bariloche?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: Uau, mas você está liiiiinda com esta roupa de neve!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 2: ah tu sabes que é tudo alugada, né? O problema às vezes era com os pés, que ficavam meio úmidos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: ah, menina, eu vou te ensinar um macete, que é colocar uma meia, depois um saco plástico e depois outra meia. O pé fica sequinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moribundo 2: ahhhhh!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 2: Mas eu não sabia desse macete, que merda! Diga, senhora, tá sentindo alguma coisa? A senhora é branquinha assim mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: essa criatura deve tá é morrendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: a senhora é linda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: falsa!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: e o senhor, está se sentindo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: Eu?? melhor quando sair daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Médica 1: daqui a pouco te libero, não tem pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: promessa é dívida, viu? Mas continua com aqueles macetes das meias, eu tava adorando!!! E aqueles hotéis na beira dos lagos, não têm ar condicionado, mesmo? Só sei dormir com aquele barulho, nem que seja no polo Norte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cirurgião: e aí, tá novo? Alguma dúvida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: só três perguntinhas: quando saio daqui, sexo e cerveja, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cirurgião: se quiser já pode ir, sexo...humm... vamos ver, cerveja no fim de semana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: humm, hoje é quinta, então cerveja amanhã! Beleza de Creuza!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cirurgião: Bem....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: Táxi! Quer dizer, Maca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeiro: Senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: me leve para onde estão minha roupas, si vous plaît!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfermeiro: Ahnn?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: Lâmpada e teto, lâmpada e teto, lâmpada e teto...que saco....por falar em saco, melhor comprar um de gelo para o meu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-3243652093149980310?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/3243652093149980310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=3243652093149980310' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/3243652093149980310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/3243652093149980310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2011/04/vasectomia-em-tres-atos.html' title='VASECTOMIA EM TRÊS ATOS'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-1490783657300930923</id><published>2011-03-16T08:29:00.001-03:00</published><updated>2011-03-16T08:30:07.983-03:00</updated><title type='text'>Uma Lágrima (a um amigo)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje é um daqueles dias de lembranças e reflexões: oito de março, data de aniversário de um velho amigo que partiu. Como ele gostava de dizer: dia internacional da Mulher: "sou o presente de Deus a todas elas!" &amp;nbsp;Assim como gostava o poeta Vinicius, nossa amizade foi totalmente realizada em torno de mesas de bar. Éramos diferentes em muitos aspectos, mas sempre achávamos pontos de contato para conversar e viver a vida. Por alguns anos fomos inseparáveis. Tínhamos dois apelidos para a dupla. Na fartura, “Johnnie e Walker”. Na pobreza, “Pi e Tu”, uma aguardente pernambucana...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah agora até lembrei-me de uma vez que nos encontramos e não bebemos: meu casamento. E ele era o padrinho! Meu casamento foi relâmpago: cinco meses de namoro. Amigos inconformados, “cê tá louco?” diziam uns, outros disseram que não iriam testemunhar aquele suicídio. Fiquei espantado com a reação. Numa noite, cheguei pra ele e contei do escândalo que estavam fazendo. Ele tranquilamente falou: “eles não sabem de nada, siga seu coração”. E ali mesmo achei meu padrinho.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para a cerimônia na igreja, os velhos amigos ainda ficaram surpresos com a ausência da birita. Pediram intervenção do super padrinho, das autoridades eclesiásticas, da noiva, sem sucesso: normas da igreja, ponto final. Um outro colega, astutamente, chegou bêbado – o casamento era às nove da matina! - mas com uma justificativa convincente: “já que não permitem que bebamos aqui, eu trouxe a cachaça 'nim mim' ”! Menino inteligente aquele! Mas no grande dia, apesar da lei seca, o padrinho só fazia rir orgulhoso do “cargo”. Ele levou tão a sério a “nomeação” que até fez uma vaquinha – uma extorsão, reclamaram! – com os colegas do trabalho e me conseguiu dez dias numa pousada em Porto de Galinhas! Lua-de- mel de luxo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flashbacks e Tiradas: dirigindo no caminho para a praia de Tamandaré. No banco traseiro, uma caixa cheia de cervejas geladas. No rádio, alguma música boa, bate-papo bom. Eu dirigia a sessenta por hora, no máximo. Comento: “parece que o mundo todo está nos ultrapassando”. “E daí?” , ele responde, “ pra que pressa, se o que vamos fazer lá já estamos fazendo aqui mesmo?”. Corretíssimo em tese, noves fora beber dirigindo!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hinos para todas as ocasiões: “Sentimental eu Fico” de Renato Teixeira: “sentimental eu fico quando pouso na mesa de um bar eu sou...um lobo cansado, carente de cerveja...e de velhos amigos...”. “O Negócio é Amar” de Dolores: “tem gente que jura que não volta mais, mas jura sabendo que não é capaz...”. E a preferida, de Toquinho, “Aquarela”: “numa folha qualquer eu desenho um navio de partida/com alguns bons amigos bebendo de bem com vida...”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paixão comum: o Santa Cruz FC. Íamos aos jogos juntos, mas eu assistia sem a companhia dele. Explico: quem vai a campo desses times de povão sabe das manias de torcedor supersticioso. Nós tínhamos até uma em comum: quando havia na escalação do outro time algum nome escalafobético, tipo “Estaleta”, “Boquinha”, “Cachacinha” etc, tínhamos certeza de que iríamos perder com um gol deles. Era Batata! Outros rezam agarrados com um terço na hora dos escanteios contra. Outros dão as costas para o campo em faltas perigosas. Mas a mania do meu amigo era ir até o degrau mais alto da geral e ficar zanzando de um lado pro outro, o jogo todo, praticamente de um gol a outro, lamuriando algum mantra. Eu não tinha paciência nenhuma para aquilo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, pensando bem, era melhor ele ficar longe mesmo. Numa das poucas vezes em que se aquietou, final de campeonato, campo lotado, nós dois, que fôramos goleiros na escola, comentamos que o cara tinha deixado o gol muito aberto no lado esquerdo, numa falta do meio da rua. Zagueirão nosso corre meio quilômetro pra bater e Boooomm: bala de canhão voa por cima da barreira e vai lá no ângulo desguarnecido estufando as redes. Gol e campeonato. Estádio vem abaixo e eu junto com o infeliz de 140 quilos pendurado no meu pescoço! Caímos feio. Ele torceu o joelho de ficar inchado. Eu todo arranhado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Causos verídicos: passamos anos repetindo o pedido em todos os bares, na esperança da mesma réplica e tréplica, mas em vão. Foi assim: chegamos numa barraca no fim do mundo, embaixo de um viaduto. Calor miserável. Sentamos com toda a empáfia e esperamos a mulher gorda vir nos atender com toda aquela má vontade: “senhora, queremos uma cerveja Antártica do casco escuro e estupidamente gelada”. A mulher nos olhou com desprezo e disparou: “olhe, só tem Kaiser, do casco claro e tá meio quente.” Nós dois humilhados, nem um bar num raio de quilômetros, com medo de que a mulher nem servisse mais nada, imploramos em uníssono: “traga duas, pelo amor de Deus!!!” Mas em seguida a mulher amenizou, vendo a nossa falta de noção do lugar, quando perguntamos por tira-gosto: “meu filho, não trabalhamos com isso, mas, se o senhor quiser, eu mando meu filho pegar umas seriguelas lá no quintal”...Aceitamos encarecidamente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fundação do GSBB: tradução : “Grupo de Salvamento e Busca ao Bêbado”. Tudo começou na noite anterior. Compramos uma garrafa de uísque para assistir a uma reapresentação de “Quincas Berro D'água”, de Jorge Amado, com o genial Paulo Gracindo. Conto emblemático para os boêmios. A estória na série todos conhecem, Quincas vai a um bar e pede uma cachaça. Servem, de sacanagem, água pura, e o resultado inusitado é que Quincas morre fulminantemente! No filme, parece que os amigos não percebem que Quincas morreu e saem arrastando o defunto pelas farras costumeiras. A cara de felicidade do morto que Gracindo faz é uma obra prima!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminado o filme, nossa garrafa já vazia, levantei-me e disse que seria inaceitável ir pra casa e que iria tomar alguma saideira alhures. Meu companheiro levantou-se indignado perguntando se eu pensava em ir sozinho. Resultado: saímos batendo e fechando todos os bares numa segunda-feira à noite, até que o deixei em casa, imprestável, às 3 da manhã. Não sei como, ainda encontrei companhia e bar aberto no caminho pra casa... Cheguei em casa às 10 da manhã. Tinha que trabalhar às 12...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordo com a cigarra do apartamento, onde morava só. Abro a porta e está lá o companheiro inseparável perguntando se tudo estava bem. “que horas são”, pergunto, “2 da tarde”, ele responde sorrindo, e completou: “quando vi o carro lá fora, fiquei mais tranquilo”. Ainda me aceitaram no trabalho, mas fiquei mais cuidadoso com os horários depois desse resgate...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falando em resgates, outros foram necessários, mas parece que o GSBB estava fadado ao fracasso, por falta de cooperação dos bêbados. Quando ainda solteiros e sem filhos, num dos poucos momentos de sanidade em meio às bebedeiras, eu larguei um pressentimento na mesa , entre um copo e outro: “na pisada que vamos, acho que nosso fim não é muito promissor, meu velho”. Choramos. Mas passou. Arranjamos casa, esposas e filhas. Fui morar em outro país. Ele foi para outro estado. Parecia que a vida estava entrando nos eixos e de uma maneira mais sóbria. Ledo engano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volto depois de alguns anos e já começaram a me trazer más notícias. Teu amigo vai mal, não consegue parar. Vai perder emprego. Família. Drama. Faço contato. Ele nega tudo. “Exageram”, “Não tem problema nenhum”. Amigos viajam pra conversar com ele e aconselhá-lo. Tentativas de resgate... Nada. Tudo em vão. No final das contas, ele estava indo pelo precipício, de fato, e arrastando todos que o amavam. Foi uma agonia, ainda, de quatro ou cinco anos, mas quando a morte veio, parece ter sido mais um descanso do que uma derrota.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes do fim, tivemos ainda dois encontros que nunca imagináramos nem nos piores pesadelos: naquela noite estávamos ali, surrealmente, no mesmo bar, na mesma mesa, mas não estávamos, teoricamente, bebendo juntos! As coisas estavam totalmente fora de controle e eu já havia recusado vários encontros que fossem em bares ou com bebida. Mas naquela noite ele chegou de surpresa. Sentou-se. O garçom trouxe um copo. Ele pediu que eu colocasse a cerveja no copo. Neguei. Ele soltou um risinho amargo, chamou o garçom de volta e pediu uma cerveja só para ele.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo após, começamos uma troca amarga de acusações e de queixas por aquela situação. Por um lado, ele dizia que eu não tinha autoridade moral para reprová-lo. Por outro, eu atirava de volta que ele tinha perdido tudo por causa da merda de uma cachaça. Tento trazer alguma razão de volta, chantageio, falo dos filhos, do futuro, de que ainda tem jeito, de que eu ainda quero ir a um churrasco na casa dele, pra tomar alguns daqueles sucos de tomate com decoração afrescalhada! Nada. Ele continuava, irritantemente, virando um copo atrás do outro. Foi nossa única briga em vinte anos. Antes de sairmos, ainda amenizamos o tom e nos despedimos. Ele provavelmente foi a outro bar, embora tivesse prometido que iria para casa. Perdi as esperanças. Fiquei à espera de um telefonema fatídico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um ano depois, recebo um aviso: “se você ainda quer vê-lo, apresse-se”. Ele estava internado há mais de 40 dias. Quadro avançado de cirrose. Convulsões. Toda aquela merda de fim de jogo. Chego tremendo no hall do hospital. Pai chora num canto. Um amigo no outro. Tomo coragem e entro &amp;nbsp;naquele quarto de hospital. Ele põe a mão para protejer os olhos, não reconhece de primeira. De repente tenta abrir um sorriso. Beijo-o e sento ao lado da cama. Ficamos de mãos dadas um bom tempo. Conversamos sem amargura. Relembramos todas as estórias contadas acima e tantas outras. Demos algumas risadas. Falamos do filhos, do time do coração, das viagens juntos, de uma frágil esperança de futuro. Tudo como nos bons tempos. Ou quase tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficamos ali por quase uma hora. Eu com aquela sensação terrível de saudade, de falta de um futuro que não iria haver. Fiquei também com a impressão incômoda de que ele teria feito melhor por mim do que eu fiz por ele, mas já era tarde para remorsos. A conta já estava fechada e, como sempre, com direito a saideira. Antes de ir, fiquei aos pés dele enquanto a enfermeira vinha dar os remédios da noite. Peguei o telefone do quarto para ligar depois, voltar outro dia...Desci e fui fumar um cigarro na lanchonete na frente do hospital. Um misto de tristeza e de saudade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois dias depois: coma. Mais uns dias e estou distante num chalé na serra em Gravatá PE. Recebo o &amp;nbsp;telefonema inevitável. Ouço o comunicado com uma frieza estranha. Era um fim de tarde na serra. Temperatura agradável. Cigarras cantando forte. Sento-me numa cadeira do terraço. Acendo um cigarro. Um turbilhão de lembranças boas vem surgindo. O fim desatroso quase não aparece, embora alguns “por quês” surjam aqui e acolá. Quando vou ali pela metade do cigarro, ouço aquela voz inconfundível, que ele fazia quando estava manhoso: “poxa, mas nem uma lágrima?” Chorei sem freios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias depois, comentei com minha amiga, comadre e mãe da filha dele: “caramba, fiquei numa sinuca de bico no dia em que ele partiu". "Por quê?" "Não sabia se tomava uma em homenagem ou se ficava no seco em protesto..." "Se nós conhecíamos bem nosso amigo, se você ficasse no seco, ele teria ficado muito chateado com você". &amp;nbsp;"Então fiz bem em entornar aquele vinho chileno..." "Não tenha dúvida". "Então Amém - eu disse - assim seja". Despedimo-nos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-1490783657300930923?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/1490783657300930923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=1490783657300930923' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/1490783657300930923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/1490783657300930923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2011/03/hoje-e-um-daqueles-dias-de-lembrancas-e.html' title='Uma Lágrima (a um amigo)'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-1610639213790094680</id><published>2011-03-08T01:57:00.007-03:00</published><updated>2011-03-08T17:48:50.833-03:00</updated><title type='text'>BEBUM SIM, DOIDO NÃO!</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;A pedidos, uma crônica sobre um fato virídico (sic) das noites recifenses:&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Num dos melhores filmes de Mel Brooks, “A História do Mundo”, ele nos conta, de maneira engraçadíssima, como “realmente” se deram vários “fatos” dos livros de história e religiosos. A cena de Moisés descendo o monte Sinai com os “QUINZE” Mandamentos, distribuídos em três pedras, é hilária. Enquanto descia, Moisés dá uma topada e deixa cair uma das pedras, que se quebra, com cinco mandamentos! Ele, sem perder a pose, continua a descida com as duas restantes e chama o povo para ensinar, agora, os dez mandamentos que Deus havia enviado. Rapaz, o quanto eu imaginava o que poderia ter naquela pedra que quebrou-se!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Mas a cena do filme que me remete ao texto de hoje é uma sobre o primeiro Crítico de Arte: vemos um homem vestido de peles, um Neandertal todo peludo e primitivo, entrar numa caverna cheia de pinturas rupestres. Ele para em frente a um grupo delas e fica a analisá-las demoradamente. Após algum tempo, ele bota a pitoca pra fora e dá uma bela duma mijada na parede! E assim, segundo Mr Brooks, nasceu o primeiro dos Críticos de Arte, fazendo o que eles sabem melhor: mijar impunemente no trabalho dos outros!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Numas destas noite no bar Burburinho, estava eu no palco com a agora finada banda de rock anárquico “Capitão Gancho”, todos nós preguiçosamente ensaiados, ligeiramente bêbados, tocando coisas dificílimas de Led Zeppelin e Deep Purple, sem rede de proteção, sem paraquedas reserva, sem plano B, enfim, na maior greia do mundo! Mas a farra e o bom humor não duraram muito...eis que de repente, surgiu, assim, do nada, ao que parece, um dos maiores especialistas em Rock de todos os tempos! Ele parou atrás do palco e ficou a analisar o suor sagrado do nosso trabalho, nossas execuções primorosas de clássicos eternos do Heavy Metal. O homem não demorou muito em dar o seu veredito...mas, antes, calma, que ele não botou nada pra fora pra nos molhar com um líquido amarelo e morno. Mas, naquela noite, pra mim ,foi pior!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Pra quem não conhece o Burburinho, é preciso antes dar uma explicação: atrás do palco, há uma tela, tipo uma grade do chão ao teto, que permite a circulação de ar e, principalmente, possibilita ao povão assistir da calçada, lá atrás, a todos os shows de graça. A calçada é reduto de um bando de doido que gosta de tomar vinho barato, entre outras substâncias mais desagradáveis e que gosta de ficar dando pitaco no repertório, pedindo Raul Seixas (toca RAUL!!!) ou Pink Floyd quando você quer tocar Creedence ou, às vezes, &amp;nbsp;endoidam quando tocamos o que querem, enfim, tem sempre uma azucrinação, de leve, nos ouvidos dos músicos que estão no palco querendo tocar o que ensaiaram para um público lá na frente, que pagou, e outro, atrás, que, revolucionariamente, quer um show privado e Free! Mas tudo bem, tudo isso faz parte da bagunça roqueira no burburinho... Mas, naquela noite, o tempo estava feio, meio chuvoso, e não tinha absolutamente ninguém na rua, até a chegada do nosso especialista musical citado acima...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Já dizia um grande amigo que “o homem quando se explica não se justifica”, mas queria deixar claro que a intenção aqui não é repudiar o trabalho dos críticos, só que , naquela noite, a guerra total foi declarada por eles de maneira muito violenta e aberta, sendo necessário rechaçar os ataques de maneira exemplar, atirando no que se movesse e sem fazer prisioneiros!!! Então, o que aconteceu foi que nosso crítico na grade ouviu, no máximo, duas músicas e constatou, ao final dos aplausos dos ignorantes, que pagaram para entrar, em bom e alto tom:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;--Esta banda é uma meeeerrda!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Matamos no peito o comentário esclarecido e fomos para outra do Zepelin, intricadíssima, “Kashmir”, musiquinha cheia de pra que isso, de passagens rebuscadas, de retornos com pequenas variações imperceptíveis aos leigos, Miguel, nosso vocalista, com a barba ficando branca em agonia com uma letra interminável, com agudos fora do alcance humano, tudo isso que havia sido, durante quase uma hora inteira (!) de nossas vidas, exaustivamente ensaiado , em meio a várias tentativas e paradas pra tomar cerveja e conversar merda, realmente, um trabalho miserável! Ao final da música, a plateia veio abaixo com gritos de Bravo! Bravo! Era a glória e a colheita do fruto do nosso trabalho duro!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Mas...quando os aplausos pararam.... naquele milésimo de segundo em que procurávamos nossos copos, cigarros... o guitarrista, Leozinho, jogava fora sua palheta tornada imprestável a serviço dos deuses do Rock, Mário, o batera, escolhia novas baquetas mais inteiras para o próximo número...naquele silenciozinho de nada em que só ouvíamos a cerveja e o uísque caindo nos copos...vem lá de trás então aquela vozinha embargada e sarcástica, irônica...o discurso longamente esticado...o movimento da mão direita, que partia de um extremo ao outro do palco, abarcando tudo e todos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;--Esta banda não toca pooorrra neeeenhuuuummma!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Amigos, aquela crítica tão despachada e direta de alguém que eu nunca vi na vida me tirou o resto de juízo que ainda havia depois de quase uma garrafa de uísque. Eu calmamente tirei meu baixo dos ombros, coloquei-o no suporte e desci do palco com meus quase dois metros e 140 quilos para encarar o rapaz agarrado nas grades. Eu não tinha percebido o quanto ele estava bêbado, mas, de qualquer jeito, o diálogo foi bem singelo e franco. Eu fiquei com rosto bem colado ao dele e disse umas palavras bem cordiais:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;--Meu amigo, se você abrir a boca de novo... você está vendo aquela porta ali?&amp;nbsp; Pois eu vou dar a volta e venho aqui quebrá-lo no pau e, pode ter certeza, você vai sofrer pra ca-ra-lho!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Claro que tudo era um blefe, muito mais com a intenção de se livrar de um chato do que qualquer outra coisa, mas o cara levou a sério. Ele deu dois passos pra trás e quase caiu da calçada. Partiu cambaleando, disparando um discurso revoltado e indignado:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;--Que é isso!!! Violência não constrói, viu, violência não constrói! E saiu trôpego pela rua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Retornei ao palco para encontrar os olhares assustados dos amigos, que nunca tinham me visto daquele jeito. Eu tirei por menos, dei uma risada, e continuamos o show sem maiores problemas. Mas a noite não havia acabado ainda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Já no fim do show, acho que tocávamos “I heard through the grapevine”, versão Creedence, quando, para surpresa e preocupação de todos, o bêbado retorna mais bêbado ainda, totalmente estragado, praticamente caindo, se não se agarrasse na grade. Alguém chamou minha atenção, dizendo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;--Olha só quem voltou! Teu amigo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Acabamos de tocar a música e o silêncio foi terrível e eterno... Você não ouvia absolutamente nada! Todos tinham os olhos voltados para o cara agarrado com dificuldade nas grades. Ele, com muita dificuldade, conseguiu se endireitar, apesar do balanço natural dos embriagados, com toda o embaraço causado pela cachaça no sangue e no cérebro...a mão direita começa a fazer aquele gesto que já tínhamos visto na noite, que abrangia, de uma ponta a outra, toda a extensão do palco...a voz sai embargada e trêmula, mas confiante no direito da livre expressão, da democracia, de saber que&amp;nbsp; vive num país livre onde você pode emitir suas opiniões sem medo de retaliação, de repressão, de tortura, custe o que custar:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;--Eeeeesssa baaannnda...(pequena pausa para tomar ar) nãooo toooca pooorrra nenhuuuuma!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Silêncio mortal no palco e no bar. Todos se entreolham. É quando&amp;nbsp; vem o arremate genial do bêbado-crítico ou vice-versa, a pérola!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;--Mas o baixista toca pra ca-raaa-lhooo!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 150%;"&gt;Quase não conseguimos tocar mais de tanto rir da tirada do nosso algoz! Em mais de trinta anos de convívio com&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 24px;"&gt;alcoólatras&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;e bêbados de fim de semana, eu nunca ouvi tirada mais genial do que esta, e olhem que os bebuns geralmente se superam, mas me excluir da mijada foi manobra e jogo de cintura &amp;nbsp;que poucos políticos profissionais têm. Gênio!&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Logo depois, ao final da última música, alguém me chama a atenção:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;--Dá uma olhada no cara que tu ias quebrar e fazer sofrer pra caralho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Ali atrás, de frente para a rua, ou seja, física e simbolicamente de costas para nós, estava o bêbado , totalmente apagado, mas ainda de pé, de braços abertos, agarrado em pontos extremos da grade, o corpo em forma de cruz, um verdadeiro cristo crucificado pela minha incompreensão e intolerância...bêbado ele era, mas tinha muito juízo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-lA5Y4RPs3CY/TXZroYbkoII/AAAAAAAAAJc/r6hHB3MDcNk/s1600/burburinho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="211" src="https://lh4.googleusercontent.com/-lA5Y4RPs3CY/TXZroYbkoII/AAAAAAAAAJc/r6hHB3MDcNk/s320/burburinho.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-1610639213790094680?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/1610639213790094680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=1610639213790094680' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/1610639213790094680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/1610639213790094680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2011/03/bebum-sim-doido-nao.html' title='BEBUM SIM, DOIDO NÃO!'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-lA5Y4RPs3CY/TXZroYbkoII/AAAAAAAAAJc/r6hHB3MDcNk/s72-c/burburinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-8050190957292008818</id><published>2008-11-12T19:33:00.006-03:00</published><updated>2011-03-15T22:37:06.081-03:00</updated><title type='text'>A ONDA GIGANTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-CkHmy55Olc4/TXv2yANd1dI/AAAAAAAAAJg/0SBZAytUaFs/s1600/Tsunami.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="186" src="https://lh5.googleusercontent.com/-CkHmy55Olc4/TXv2yANd1dI/AAAAAAAAAJg/0SBZAytUaFs/s320/Tsunami.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Meu velho amigo, bom dia. São 10 horas da manhã aqui em Recife. Faltam poucos minutos para a chegada da onda gigante mandada pelo Atlântico. Diferentemente do dissimulado Tsunami, essa vem cheia de pompa e espuma! Ela não vem de surpresa, como no começo do século, afogando turistas incautos. Essa, você sabe, já vem sendo anunciada há dias pelos jornais. Mas o que ninguém sabe é que, um pouco antes dos sismólogos preverem esse monstro, eu já havia sido avisado...eu não queria partir sem lhe contar esta história incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico um pouco temeroso de que você me tenha por louco ou senil, afinal você bem sabe o quanto estes 80 anos de idade pesam em mim. Mas, por favor, não pense que eu endoidei de vez, eu lhe peço. Eu preciso que você acredite em mim, pois ainda necessito que você me faça um último favor, coisa muito simples. Amanhã você receberá em sua casa um grande pacote. Seguem agora as instruções sobre o que você tem de fazer, como também mais alguns detalhes de como tudo aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso, saiba que a cidade do Recife foi evacuada. Todos fugiram como loucos. Quer dizer, quase todos...neste momento, estou escrevendo de um cortiço aqui na praia do Pina. Você ainda deve se lembrar dele, não, aquele em cima da antiga Soparia, em frente ao centenário bar "Pra Vocês"? Incrível como eles resistiram a todos esses anos! Se eles tiverem que cair hoje, isso não se dará por mãos humanas, eu lhe garanto. Eu sempre disse que voltaria a essa praia , mas não sabia que seria nessas circustâncias. Mas que diferença faz a essa altura? Não, não fique triste. Afinal, como é que dizia aquele velho ditado? Que já estamos “fazendo hora extra" na terra há um bom tempo? O que eu preciso, mesmo, é que você leia este e-mail e depois faça como eu lhe recomendei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu necessito que você distribua umas centenas de livros que vão chegar a sua casa: é um livro que eu editei e mandei imprimir. São histórias de fantasmas! Eu sei que você pensará: “do que diabos esse velho louco está falando”, mas tenha um pouco de paciência comigo. O caso é que fui intimado por um fantasma a cumprir uma antiga promessa! Sim, um fantasma andou me aterrorizando desde que cheguei aqui há duas semanas! Logo eu, esse velho cético, tendo visões, ouvindo coisas, acordando no meio da noite assustado. Eu tinha que cumprir essa promessa nem que fosse - e de certa forma será - a última coisa que eu fizesse na vida. Tudo se passou mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Tudo começa quando me mudo para cá. Na primeira noite, Às quatro da madrugada, acordo sobressaltado com um ruído de água fervendo. Não, meu amigo, você não pode imaginar o meu terror. O cheiro de café é intenso e incensa todo o apartamento. Com toda a dificuldade dos meus 150 kilos, consigo me levantar e me arrastar até a cozinha. Para minha surpresa, a luz está acesa... ao chegar na moldura da porta, meu coração pára. Todos os cabelos do meu pescoço se eriçam ao me deparar com um homem de idade, gordo, uma aparência cansada, cabelos bem brancos e desgrenhados... na frente do fogão está nada menos do que meu finado pai, tranquilamente coando café! O fogão tem duas bocas acesas, e o velho esquenta a água numa panela enquanto mantém o café fervendo na outra. Ao terminar de coar, ele despeja na garrafa térmica e desaparece! Fico alguns minutos congelado de terror. Meu corpo simplesmente trava. Fico com medo de me mexer e ver mais alguma coisa. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Após algum tempo, finalmente consigo me mover e voltar para meu quarto. Acendo a luz e escancaro a janela. Fico implorando pela chegada da manhã. “Mas não é possível” - penso - “depois de velho, começar a ter alucinações”! Nem nos meus piores porres, acredite, eu vi algo tão real, assustador.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Enfim, a manhã chega e eu começo a achar que foi apenas um pesadelo acordado. “No mínimo” - falo comigo mesmo - “é aquele uísque barato que ando tomando em casa sozinho”. Volto para a cama e durmo mais um pouco. Ao acordar, a primeira coisa que faço é ir a cozinha e, para meu desespero, a garrafa e as panelas continuam lá na mesma posição que meu "pai" as deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, saí para minha maratona de médicos e exames. Eu sabia que um dia todos aqueles anos de mãos-de-vaca, chambaril e bebedeiras teriam que cobrar seu preço. Tudo bem. É justo. Quando retorno, o táxi me deixa na porta do prédio. Respiro com dificuldade ao ver que a janela que eu fechei ao sair está agora aberta. Ao entrar em casa, olho para a janela. Ao lado dela, sentado na minha cadeira de balanço, lá está ele de novo, o velho, bebericando algo, sem dúvida alguma uma vodca com suco de laranja! Engraçado que desta vez não tenho tanto medo. Não, meu amigo, não tenho medo...tenho saudade... percebo que ele não me encara, não sei por quê. Parece chateado comigo por alguma coisa que eu fiz. Eu tenho vontade de falar, mas ele se levanta e se dirige ao segundo quarto, um que eu uso como depósito. Lá guardo pilhas e pilhas de bugingangas, livros, discos de vinil pré-históricos, um velho rádio...espero por alguns segundos e o sigo. Quando entro no quarto ele não está mais lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um dia e, logo pela manhã, vou ao bar em frente, o "Pra Vocês" e bebo um pouco pesado para um velhinho do meu estado. É dia de reunião do clube dos "Daqui Ninguém Me Tira". É aquela associação, por assim dizer, de moradores e de descendentes de antigos residentes do bairro do Pina. Alguns têm conseguido ficar no bairro, não sei como, apesar de todas as tentativas de super empreiteiros, espigões de luxo, corretores de imóveis, donos de restaurantes chiques, artistas plásticos, consultórios médicos, enfim, qualquer coisa que os afaste da praia ou do boteco deles. Você deve se lembrar de quando eles ficaram famosos se acorrentando às portas do bar, no dia em que os oficiais de justiça e a polícia vieram numa ação de desapropiação, o que causou uma certa comoção nacional vê-los dispostos a apanhar, assim, pelo cantinho deles! No final, conseguiram ganhar a causa, talvez a única nas vidas deles. Ao longo dos anos, nós boêmios temos sofrido todo tipo de retaliação por parte da sociedade: leis anti-fumo, anti-álcool, anti-sexo, anti-música, anti-arte, divórcios com pensões abusivas, toque de recolher, impostos abusivos em tudo que de longe sequer lembre a palavra Prazer ou a liberdade das noites, a irmandade dos bares. "Aquele bando de imprestáveis ociosos" , dizem por aí. "Querem ter vícios? que paguem caro por eles!!!” Até parece que nossos inimigos sabem que o mote do clube é justamente esse, de que “uma vida sem vícios não vale a pena ser vivida”! No fim da tarde, depois de ser carregado por dois garçons e um amigo, vou para a cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ás 3 da manhã, acordo dos meus sonhos de bêbado. Da sala vem uma música alta: o bom e velho Ray Charles cantando algum Blues. Quando chego lá , encontro meu velho toca-discos rodando um bolachão de vinil! Começo a suar frio de novo ao ver que ele nem sequer está ligado na tomada! O disco roda como novo, sem estalos. A música é linda, mas fico muito nervoso. Com as mãos trêmulas, retiro a agulha do disco. Ao lado do toca-discos está uma pasta preta, do tipo 007. Essa valise, que eu mantinha no depósito, guardou, por décadas, os documentos mais preciosos de meu pai. Agora ela aparece na sala...Coloco a pasta em cima da mesa. Ao abri-la, encontro umas folhas desbotadas, escritas com a caligrafia de meu pai, umas letras bem inclinadas e longas. Outras têm uma escrita diferente, mais delicada, talvez a letra de minha mãe. Parecem ser os velhos contos que ele gostava de escrever. Sento-me com dificuldade e mergulho no passado. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Fico emocionado ao reler aquelas histórias. Lembro-me que muitas delas passaram anos na cabeça de seu Riba, sem ele nunca passar para o papel. Era impressionante como ele contava e recontava aquelas histórias ao longo dos anos, sem nunca aumentar ou tirar um ponto. Era como se elas fossem realmente "escritas" na mente dele. Lembro-me que, depois de muito pedirmos, ele começou a , de fato, escrevê-las. Depois que a vista ficou cansada, minha mãe, dando uma de escriba, começou a tomar ditados, para depois digitá-los num blog. Na maioria deles o que se salientava era o senso de humor, negro é verdade, mas eram espirituosos de qualquer forma. Ainda me lembro de estarmos num bar qualquer e ele a contar as “histórias asssombradas” e nós morrendo na gargalhada! Porém, um deles não era nada engraçado... era um conto curto e sombrio sobre uma grande onda que destruía o bairro ou a cidade, não lembro...era uma espécie de vingança, uma maldição, pela expulsão deles do bairro do Pina, que eles tanto amavam. É justamente esse conto que procuro, quando ouço aquela voz inconfundível vindo de traz de mim! Minhas mãos se contorcem no papel que seguro, amarrotando-o...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você nunca cumpriu sua promessa!" Essa é a sentença que ouço naquele som anasalado e agudo da voz de meu pai. Viro-me com dificuldade. Na penumbra do corredor, ali está ele de bermudas e sandálias, mas sem camisa, roçando as costas na moldura da porta do banheiro, da mesma maneira que ele sempre se coçou. Nas mãos ele tem um longo calçador de sapatos, feito de chifre, que também sempre o ajudou na arte de coçar-se. Eu não consigo distinguir olhos ou boca naquela escuridão, mas nem precisa, de tão assustado que eu estou. "Já se vão mais de quarenta anos e você ainda não cumpriu sua promessa, aliás, você nunca nem sequer lembrava do meu aniversário, quanto mais de cumprir promessas!”, ele me repreende. Fico ali sem saber o que dizer, quando ele começa a me contar uma história. Ele fala num tom solene e cansado. Tudo é muito rápido, algo sobre a vida no além, mas não só isso. É algo que me diz respeito, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desde que morri tenho estado preso a ciclos de penitência. Ciclos viciosos, sem fim. O primeiro foi uma jornada para minha Belém do Pará. Todos os dias eu andava quilômetros e mais quilômetros, só para acordar todos os dias no mesmo ponto em Recife. Passei anos- como se houvesse tempo onde estou - tendo aulas de piano com uma professora invisível. Eu nunca conseguia sair da primeira lição. Todos os dias tinha que aprender as mesmas notas. Quando consequi sair desse, entrei num dos piores, que foi tentar encontrar a lógica do jogo do bicho. Ficava metido numa sala sem janelas, em meio a centenas de livros e anotações, tudo na tentativa vã de encontrar o algoritmo das bolas do sorteio. Nunca encontrei. Depois de todos esses sofrimentos, parece que aprendi como evitá-los, o que pode me proporcionar encontrar o caminho para fora desse purgatório: Desde que você se mudou para cá eu venho escrevendo e reescrevendo estes velhos contos. Percebi que comecei uma nova odisséia: passo horas escrevendo uma página, mas, quando vou para outra, aquela simplesmente se apaga! Eu nunca consigo terminá-los...foi quando lembrei-me da sua promessa de publicá-los, coisa não cumprida por você e que, de certa forma, isenta-me de algum pecado, pelo menos desse. Você pode me ajudar trazendo-os à luz e tornando-os conhecidos às pessoas, como eu sempre planejei. Talvez assim eu possa quebrar essa corrente mental e espiritual. Pense nisso. Agora eu precido ir...escrever e escrever...ah, antes que eu me esqueça: num dos contos eu consegui predizer o futuro. Se você ainda prentende viver mais, o que é um exagero nesta condição decrépita em que você está, você deve abandonar esse lugar nos próximos dias. Adeus!”&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu dileto parceiro de tantos anos, meu tempo está acabando! (a “grandota” está vindo por aí, surfando alegre e salgada, a malvada!). Essas foram, mais ou menos, as circurstâncias que me fizeram editar e mandar imprimir os livrinhos de contos de meu pai. Quando você os receber amanhã aí na sua Caruaru, por favor, mande alguém ir à feira, às praças, aonde você quiser, e distribua-os! Não precisa vendê-los, apenas faça-os conhecidos. Deixe que eles falem um pouco dessas pequenas diabruras de meu pai, que são também um pouco as nossas, desse amor pelas histórias, pelos casos, pelos livros, dessa luta contra nossos fantasmas e, às vezes, a favor deles! Por via das dúvidas, publique, também, os MEUS, para que você não tenha, como eu tive, sustos no tempo que lhe resta!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu preciso ir. A balbúrdia lá embaixo está infernal! Alguns dias antes dos cientistas divulgarem nos noticiários, tentei avisar a meus amigos do clubinho sobre a catástrofe que estava para nos acontecer, da aparição do meu pai, das profecias de inundação, da destruição, do Fim, de que precisávamos partir...meu amigo, a reação deles foi totalmente inusitada e ao contrário de tudo que eu esperava! Queria tanto ter tempo para contar mais sobre isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de dar uma olhada pela janela...lá no bar as mesas estão lotadas! Acho que estão cantando animadamente “Teresa da Praia não pode ser minha, nem tua também”! Velhos loucos! Na primeira mesa do canto, de frente para a entrada, onde ele sempre sentou, há um trintão bonitão, de óculos bem escuros , meu pai. Enquanto ele preside uma mesa de vivos e mortos, ele vai ditando o jogo do bicho a um cambista que já deve ter morrido há uns bons 40 anos, o “mão branca”. Papa está magrinho como eu nunca vi, embora os cabelos já começem a ficar grisalhos... ele esbanja um sorriso bonito e confiante, feliz. Incrível que eu nunca tinha ouvido ele cantar, mas até fazer coro ele está fazendo! Rapaz, eu preciso descer e ver isso de perto! Meus amigos já estão batendo na porta para me ajudar a descer as escadas. Adieu, mom ami! Nos vemos em outras farras! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-8050190957292008818?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/8050190957292008818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=8050190957292008818' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/8050190957292008818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/8050190957292008818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2008/11/onda-gigante.html' title='A ONDA GIGANTE'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-CkHmy55Olc4/TXv2yANd1dI/AAAAAAAAAJg/0SBZAytUaFs/s72-c/Tsunami.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-1641164365908242770</id><published>2007-05-29T09:04:00.004-03:00</published><updated>2011-03-14T23:24:00.412-03:00</updated><title type='text'>A Casa  do Piano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco antes de mudar-me da praia do Pina para o bairro do Cordeiro, aconteceu-me algo inexplicável! A minha mulher estava reclamando de que eu não fazia mais caminhadas, ao que respondi que todos os dias andava... até o bar da esquina. Ela dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Só pra chegar lá sentar, conversar e beber!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, até que, ocasionalmente, dava boas caminhadas, pois ia ao banco ou a um centro médico a &amp;nbsp;uns oito quarteirões de distância. Numa dessas idas, quando voltava andando com cuidado para não cair, dei com a cabeça num orelhão mal colocado na minha rua. Fiquei tonto, a vista escureceu, mas tudo levou apenas alguns segundos. Após   soltar um sonoro palavrão, prossegui no meu caminho e, no quarteirão seguinte, passei por uma casa antiga com janelas que pareciam ameias de um castelo medieval e elas estavam abertas. Olhando para dentro da casa vi ao fundo um piano numa sala com poucos móveis. Fui envolvido por enorme nostalgia. Lembrei-me do tempo que estudei música &amp;nbsp;durante 4 anos, dos oito ao aos doze anos, quando o piano foi vendido. Depois disso nunca mais cheguei perto de um teclado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vi então que havia uma velha senhora ao lado do piano, severamente vestida de preto. Ela sorriu e fez sinal para que eu entrasse, apontando para a porta. Eu disse em voz alta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Obrigado, mas eu não sei tocar -- mas ela insistia e eu acabei entrando. Disse à senhora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Faz mais de sessenta anos que não toco piano -- Ela respondeu :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Sente, feche os olhos, coloque as mãos sobre o teclado -- e assim fiz. De repente, minhas mãos começaram a se mover e toquei a minha música preferida na época, "Ondas do Danúbio", de Ivanovitch, e em seguida "Fantasie Impromptu", de Chopin, e "Sonhos de Amor", de Liszt, e algumas outras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente parei, as mãos doloridas, com os dedos duros! Fechei cuidadosamente a tampa e levantei-me para agradecer à senhora, mas ela não estava à vista. Disse então em voz alta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Muito obrigado, mas preciso ir agora! -- Silêncio total.&amp;nbsp;Supondo que ela estivesse no banheiro, disse mais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Estou indo e pode deixar que fecho a porta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair, virei-me para a casa. Foi quando senti uma mão no meu ombro. Abri os olhos e vi que estava sentado na calçada debaixo do orelhão. Alguém perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Quer uma ambulância?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Não obrigado, apenas uma ajuda para levantar-me. Assim feito, perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--O que houve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--O senhor bateu com a cabeça no orelhão e desmaiou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeci e segui o meu caminho... Mais adiante, passei pela tal casa... Olhei pela janela e vi que estava abandonada e até uma parte do teto havia caído! Não pude me controlar e chorei copiosamente, tamanha a tristeza que me invadiu. Finalmente controlei-me e, enxugando as lágrimas na fralda da camisa, segui meu caminho. Felizmente a rua estava deserta e em  minha casa não havia ninguém na sala. Entrei rapidamente, lavei o rosto, e fechei-me em meu quarto, confuso e sem entender o que havia acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fica aqui no blog o registro de mais um caso "verídico", acontecido nas brisas do Pina, mantido na família até então apenas em tradição oral...  o acontecido foi sofrido, narrado e escribado por meu pai, seu Riba, com caneta BIC azul, em papel carta pautado, digi-copiado por minha mãe que, após severas instruções minhas por telefone, posteriormente selecionou, copiou, e colou em caixa de  mensagem eletrônica, enviando à minha caixa de correio, o que foi finalmente e minimamente editado e publicado por mim mesmo! Valeu, Papa!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-1641164365908242770?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/1641164365908242770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=1641164365908242770' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/1641164365908242770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/1641164365908242770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2007/05/casa-do-piano.html' title='A Casa  do Piano'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-2330471063758446853</id><published>2007-03-07T20:42:00.002-03:00</published><updated>2011-03-08T14:17:19.823-03:00</updated><title type='text'>The King Of Cool</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um amigo morria de rir com a pronúncia de Nat em espanhol ou ficava imitando "The King Of Cool" a cantar "Monalisa", sempre abrindo bem o "a" final:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--Monalissaaa, Monalisaaa!-- Achávamos engraçado, mas éramos fãs do negro de voz macia e sofisticada e que também tocava piano como poucos da geração dele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mês passado, me peguei procurando por músicas de Nat King Cole, numa daquelas noites nostálgicas, quando qualquer barulho ou desarmonia já seriam estopim pra um ataque de nervos. Comecei a baixar umas músicas pra lá de antigas, que me retomavam à minha infância, quando vivia mexendo nos velhos vinis de meu pai pra ouvir o cara que, antes das gravações, fumava, em cadeia, cigarros mentolados "Cool"! Às vêzes fico rindo daquela técnica nada ortodoxa e politicamente incorreta, provavelmente seguida por Sinatra e Bennett, de trabalhar a voz com bourbon, monóxido de carbono e nicotina! Provavelmente os mesmos cigarros acabaram com ele num câncer fulminante de pulmão, mas que a voz era bonita, isso era!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando a noite começou hoje, acabei por desencavar uma garrafa contendo algumas horas de Johnnie Walker e fiquei zanzando pelo Youtube, procurando por vídeos de Nat. Achei coisas raríssimas e belas. Vários duetos com Ella Fitzgerald, com Mahalia Jackson, este último, por sinal, emocionante, e até um com Billy Preston, o genial tecladista, na época com uns 10 anos de idade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me empulha, pra usar a palavra certa, é o desempenho dele como pianista, coisa que era abafada pela carreira genial como cantor. Nos vídeos com o trio , formação que praticamente inventou, de piano, baixo e guitarra, ele toca de bandinha para o piano e de frente para a platéia! Sempre achei essa postura coisa de pianistas de Blues, nos bares "Honky-Tonky" enfumaçados da América, mas ali estava a própria sofisticação em pessoa tocando com uma naturalidade que até incomoda a quem é músico, cantando e rindo. Perfeito! É incrível como quase não se ouve Nat King Cole ou quase nada que preste nestes dias...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fim de noite. O relógio já bate ( como se eu tivesse um que batesse!) umas 11 da noite. O cinzeiro já vai abarrotado, não de Cools, mas enfim...As pedras de gelo já boiam na última dose (como se eu medisse em doses!), quando decido arrematar minha noite inebriante com Nat King Cole. Mas aí &amp;nbsp;acontece uma daquelas coincidências de deixar um cara pensando...ou melhor, a coincidência já estava acontecendo há um bom tempo, e eu não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou eu aqui feliz com essas facilidades da Internet e uma boa conexão, é claro, de poder, num estalo, resolver ouvir e ver alguém e, de fato, em segundos, estar com o vídeo na sua frente. Resolvo fechar a sessão com algumas informações biográficas, acho que na Wikipedia. Abro a página que mostra-o um pouco sério, num terno impecável e, de repente, esbarro na data da morte dele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há exatos 42 anos, num mesmo 15 de Fevereiro (hoje), falecia "The King of Cool", Mr Nat King Cole... Na verdade eu não sei de onde veio essa idéia de ouvi-lo. Eu agora não consigo lembrar de coisa alguma que tenha disparado essa vontade, mas, como sempre, também não perco muito tempo querendo explicar coincidências: digamos que eu interpretei a coincidência assim: é pra divulgar aqui no robelixblog a existência deste artista extraordinário que, em 1965, resolveu ir cantar em outras freguesias mais afortunadas do que a nossa. Emborco o final da mistura de malte com água e vou dormir cantando "unforgettable, that's what you are"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/fxEmnxiUz8w" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-2330471063758446853?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/2330471063758446853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=2330471063758446853' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/2330471063758446853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/2330471063758446853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2007/03/king-of-cool.html' title='The King Of Cool'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/fxEmnxiUz8w/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-116458499473205585</id><published>2006-11-26T19:47:00.001-03:00</published><updated>2011-03-08T15:47:40.279-03:00</updated><title type='text'>E Robelix virou tira de Quadrinhos!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2520/797/1600/549549/ChargeMiguel.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2520/797/400/191152/ChargeMiguel.jpg" style="cursor: hand; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quando eu nasci veio um anjo safado, um chato de um querubim,&lt;br /&gt;que decretou que eu estava predestinado a ser errado assim&lt;/em&gt; --&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Chico Buarque de Holanda&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a máxima do "tem amigo safado quem pode" se prova verdadeira! Estava eu trabalhando, quando recebi um telefonema de Miguel, dublê de cartunista/vocalista de músicas incantáveis/impróprias da banda Capitão Gancho. Ele passou meia hora jogando conversa fora, reclamando da vida, enchendo minha bola, dizendo que eu era um cara que o entendia e eu só ouvindo. Já na hora de desligar ele me diz pra comprar o Jornal do Comércio do domingo, que ele tinha feito uma "singela" homenagem a mim. "Hum, isso me deixa inquieto", eu falei, já lembrando da última vez que ele tinha me homenageado de maneira singela quando tocávamos juntos. Ele deu uma gargalhada e disse que tinha ficado muito legal! "Agora eu estou seriamente preocupado!", disse eu, já nervoso, sabendo da habilidade do safado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o domingo finalmente chegou...como meus pais sempre compram jornal, eu tinha pedido a eles pra segurar uma cópia, caso eu me esquecesse de ir às bancas. Meio ingenuamente, conhecendo minha mãe e suas neuras de saúde comigo, até disse que tinha algo comigo lá, pra eles darem uma olhada...Tou eu trabalhando de novo e ligo pra casa dos velhos. Quem atende é minha sobrinha, que já vai perguntando "se eu realmente como feijoada no café da manhã"! "Hem, que estória é essa, menina?", ao que ela respondeu "é que sua mãe viu uma estória com você no jornal e ficou preocupada!" Miguel Falcão tinha atacado novamente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se não bastasse comer "comida que faz merda" no café da manhã, eu ainda estava, de acordo com a charge, fumando 10 carteiras de cigarro por dia! Eu deixei na secretária eletrônica um recado desaforado pra ele, refrescando a memória do miserável que, das supostas 10 carteiras que eu fumava, 9 era ele quem me "presenteava"! Ele é fumante de ocasião e adora comprar cigarro pra experimentar. Um dia desses ele chegou pra mim com uma sacola cheia de carteiras de Hollywood, uma de cada cor, das quais, obviamente, nenhuma prestava. Ele fumou um de cada e me entupiu de cigarro que dava pra um mês! E eu nem quero falar das cigarrilhas "estoura peito" que ele insiste em trazer para os shows, jurando por Humphrey Bogart que elas se tragam! Da última vez que tentei, as lágrimas correram soltas, tamanha congestão!&amp;nbsp;Também, nos ensaios da nossa banda, que supostamente deveriam ser pra tocar música, sempre vem Miguel com uma bacia de bacalhau com fava, que entornamos com cerveja e a pimenta preparada por ele mesmo? No fim de minha mensagem roguei uma praga pra que ele arranjasse umas hemorróidas com aquelas pimentas que ele come, pra nunca mais ele "difamar" a memória do quase monge vegetariano Robelix!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah, e a melhor de todas! Minha mãe perguntou se esse tal de Miguel não teria sido um "Anjo" na minha vida, trazendo um sinal pra eu me ajeitar!!! ha ha ha que ironia!!! Só se foi o querubim de Chico Buarque!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-116458499473205585?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/116458499473205585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=116458499473205585' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/116458499473205585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/116458499473205585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/11/e-robelix-virou-tira-de-quadrinhos.html' title='E Robelix virou tira de Quadrinhos!'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-116440234468410894</id><published>2006-11-24T18:04:00.001-03:00</published><updated>2011-03-08T17:48:21.279-03:00</updated><title type='text'>Morango Jungle e o Canavial Blues</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em 1998, eu conheci Jô Pinto, atual baterista da El Mocambo, recém-chegado do Sul, e Alexandre Santiago, veterano da guitarra na cena do Recife. Juntos formamos a Morango Jungle, um nome psicodélico para um trio nem tão louco assim. A proposta era tocar Blues-Rock de qualidade e, com poucos ensaios, já estávamos batalhando nas noites do Recife. A banda tinha um som vigoroso e inclinado à improvisações, bem ao estilo do Cream ou a El Mocambo aqui na cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo, conseguimos gravar um CD demo e enviamos a bolhachinha para um monte de gente na esperança de conseguir mais espaços. Gravamos o disco com a auxílio luxuoso do nosso amigo Junior Areia, excelente baixista, que hoje está com Fred 04 e que atuou como nosso técnico de som e fez a mixagem. Passamos apenas uma manhã no estúdio e colocamos lá 4 clássicos pra que as pessoas pudessem ter uma idéia do som da banda, inclusive com uma versão mais dançante de “I Shot The Sheriff”,de Bob Marley, mais “The Thrill is Gone”, “Hoochie Coochie Man” e “Crossroads”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, já meses depois da gravação, uma coisa inusitada aconteceu: Alexandre recebeu um telefonema de um cara com sotaque paulista que queria informações sobre o disco e saber como poderia conseguir algumas cópias. Alexandre achou engraçado o sotaque e perguntou se ele era de São Paulo. Ele respondeu que não apenas 'era', mas estava naquele momento falando de Sampa! O cara contou que tinha acabado de comprar a Guitar Player brasileira e essa tinha uma nota sobre “um trio promissor de Blues-Rock no nordeste”, assinada por Márcio Okayama, guitarrista e colunista da revista, que tinha uma fama terrível de arrasar com CDs Demo de que ele não gostava. Daí sempre brincarmos que ele tinha tomado umas na noite em que ele escreveu a nota e “se engraçou” com a gente! Mas o disco estava razoavelmente bem feito, se comparado às nossas parcas condições financeiras!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O bom dessa estória do disco é que ganhamos mais confiança e em pouco tempo estávamos recebendo Greg Wilson, o americano tornado carioca, guitarrista e vocalista da banda pioneira Blues Etílicos, para a primeira turnê dele pelo nordeste. Na verdade, era a primeira vez que ele saía do Rio pra tocar com outros músicos, num projeto solo, e ficamos aqui esperando com certa ansiedade. Mas quando finalmente o conhecemos, qualquer expectaviva de encontrar alguma estrela do Blues, cheia de manias e luxos, foi logo dissipada no único ensaio que fizemos. Ele já chegou com um pack de cerveja, o que nos agradou imensamente, e da maneira mais informal possível passamos só o início das músicas para, segundo ele, não perder o tesão de toca-las, e os finais a gente veria na hora, no show!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mini turnê foi sensacional, com shows em João Pessoa, Recife e Maceió. O show em Recife foi casa cheia, no finado “Bola Gato”, aquele bar enorme que existia atrás do Arsenal da Marinha, e um inspirado Greg sacou até um trumpete para solar, coisa que nem sabíamos que ele tocava! Estávamos nos divertindo bastante, mas ninguém sabia que tínhamos começado a turnê com uma aventura bem inusitada. Antes de tocar aqui, tínhamos ido primeiro a Maceió. Enquanto seguíamos para a capital alagoana, estávamos ali na maior descontração, naquela de se conhecer, quando nos deparamos com um grupo de Sem-Terras fechando a BR bem na nossa cara! O povo já ía colocando os pneus velhos na estrada para aquela tradicional fogueira de fumaça negra! Ficamos ali sem ação e preocupados, não só com os horários, mas também por estarmos perto demais das manifestações. Quem quebrou o silêncio foi o motorista, quando disparou: “acho que tenho uma idéia!”...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por onde entramos eu não sei. A única lembrança que tenho é do carro cortando por dentro de um monte de cana, buracos, montes e o diabo a quatro. Era uma cena louca, melhor “apreciada” por mim que estava na frente. Não havia coisa alguma que você pudesse chamar de “caminho”, rua, passagem, nada, só cana, buraco e lama pela frente. Eu não tenho a menor idéia como aquele cara estava se guiando. Nem com bússola eu acharia meu caminho ali! E de repente aconteceu o inevitável: atolamos...E “de cum força”, como dizemos aqui. Descemos para avaliar a situação, e as rodas traseiras estavam totalmente submersas naquela lama de barro. Tivemos que descer todos os instrumentos e bagagem pra aliviar a carga, e também calçar a roda com palhas de cana, ou coisa parecida. De todos ali o mais disposto era Greg, que pôs literalmente a mão na massa na operação! Depois de muita luta conseguimos desatolar, não sem antes um belo banho de lama quando o carro acelerou. A cena foi hilária, e nos uniu bastante pra os shows que estavam pra acontecer. Passamos o resto do fim de semana rindo da desgraça do outro, e nos comprometemos a fazer uma música sobre aquela saga, mas nunca cumprimos a promessa. A música seria apropriadamente chamada “Canavial Blues”, sobre a ironia fina, pra não dizer sarcasmo, dos deuses do Blues, que nos jogaram literalmente na lama de uma plantação (que só faltava ser de algodão!), pra termos uma pequena amostra do espírito do Blues, e que fortaleceu laços também, para a missão que tínhamos pela frente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-116440234468410894?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/116440234468410894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=116440234468410894' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/116440234468410894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/116440234468410894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/11/morango-jungle-e-o-canavial-blues.html' title='Morango Jungle e o Canavial Blues'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115784819205651393</id><published>2006-09-09T19:58:00.000-03:00</published><updated>2006-09-12T08:56:15.163-03:00</updated><title type='text'>Do Uruguai a Madalena</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/2520/797/1600/madalena.3.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2520/797/400/madalena.0.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mercado da Madalena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo de 2001 tive uma segunda passagem rápida pela Uptown Band, antes do meu auto-exílio nos EUA por 4 anos.  Naquela época a banda estava passando uma temporada no finado bar Uruguai nas ladeiras de Olinda.  Era um taverna super charmosa, com uma lotação de, no máximo, meia centena de pessoas.  Todos os meses Giovanni Papaléo estava trazendo vários convidados ilustres do blues brasileiro, quando geralmente eles vinham para tocar na Sexta no Uruguai, e Sábados no Downtown.  Por coincidência vamos ter dois daqueles convidados dividindo o mesmo palco no "OI Blues By Night" este mês de Setembro aqui em Recife: Lancaster e Big Joe Manfra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquela temporada, Lancaster foi o primeiro que conheci, ainda no final de 2000.  Ele veio acompanhado de Flávio Naves no órgão, e fizemos shows apoteóticos nos dois bares, com destaque para a noite no Downtown, com casa lotada, onde ele foi pro meio das massas com sua guitarra Telecaster sem fio.  Ele tocou em cima das mesas, do balcão e, a la Buddy Guy, provavelmente foi perturbar alguém nos banheiros também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a melhor recordação que tenho de Lancaster foi um papo no jantar, já depois do show no Uruguai, ainda na Sexta-Feira.  Eu estava me preparando para viajar, e não tinha a menor idéia como os gringos iriam me receber, musicalmente falando.  Ele me pegou em meio a essas preocupações, e disse com a maior calma do mundo que eu iria me dar bem, e que ele apostava em mim.  A princípio eu fiquei meio incrédulo, achando que ele só estava fazendo média.  No Sábado, quando nos despedimos, ele repetiu as mesmas palavras, e dessa vez eu resolvi carregá-las comigo na minha aventura.  No final ele estava certo.  Na primeira noite que toquei numa Jam ainda em Athens, Geórgia, o negão de quase 2 metros que cantava lá veio falar comigo no final: ele chegou sorrindo e me deu um abraço que quase me quebra uma costela.  Ele disse que eu era bem vindo, e que eu voltasse sempre que quisesse...  Fiquei devendo essa a Mr Lancaster...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Big Joe Manfra é outra figura rara.  A guitarra fica pequena na mão dele, e que é uma mão peso-pesada.  Mas maltratar mesmo só as pobres das guitarras dele.  No convívio social ele é o cara pra você passar a noite rindo das estórias.  Tocamos também na Sexta, e após o show ficamos ali de bobeira no balcão do bar, tomando umas, de leve.  Lá pelas tantas ele sugere irmos a outro local qualquer, continuar o papo.  Acabamos num bar também extinto agora, o Pretexto, que ficava ali na frente do Carrefour, ao lado do posto de gasolina.  Mal tínhamos chegado, e aparece um maníaco sexual do Blues, meu amigo Wilson Neto.  O cara quase cai pra trás com meu convidado! Ele imediatamente encostou o carro perto da gente, para ouvirmos horas de Blues a fio, tudo regado a muita cerveja, uísque,  e uma tal de cachaça caseira, vermelha(!) que eles tinham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá pelas tantas eu não sei quem teve a idéia brilhante, e eu digo que isso é coisa de bêbado.  Dos bêbados eu tenho que eximir Big Joe, porque primeiro ele tava mais era criando um aquário no copo dele, embora sem nunca perder o espírito da noite, e segundo porque ele não conhecia a cidade para fazer uma sugestão daquelas.  Mas a idéia é que cismamos que Big Joe tinha que comer um "Patinho no Feijão" no mercado da Madalena!  Já estava quase na hora do mercado abrir, e saimos, aquela trupe incansável para o tal lugar.  Chegando lá, o dono do "Bar dos Cornos" ficou olhando incrédulo aquela invasão bárbara, que insistia com ele se já saía um patinho no feijão e cerveja gelada às 7 da matina!  Ele disse que sim, do dia anterior, ao que vibramos dizendo que aquele é que era o bom, que já tava apurado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No final, lá pelas 10 da manhã, fui deixar Big Joe no hotel em Boa Viagem.  Ficamos ali ainda rindo das estórias e fazendo piada do povo fazendo ginástica no calçadão!  Ainda hoje, quando nos falamos, ele ainda se gaba de ter batido na cachaça, e carregado pra casa um tal de Bob Milk, que ele me apelidou, que diziam beber muito.  Eu mereço!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115784819205651393?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115784819205651393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115784819205651393' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115784819205651393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115784819205651393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/09/do-uruguai-madalena.html' title='Do Uruguai a Madalena'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115706622721335603</id><published>2006-08-31T19:17:00.003-03:00</published><updated>2011-03-17T23:19:35.413-03:00</updated><title type='text'>Puxando Uma Angústia</title><content type='html'>&lt;em&gt;Nada como tomar uns choppes com um amigo e puxar uma angústia&lt;/em&gt; - Fernando Sabino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este vai dedicado a Fernando Sabino, que me esclareceu o que eu já sabia, mas não tinha palavras para descrever. Como é bom "puxar uma angústia", não só com os bons amigos, mas fazendo carreira solo também. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje fui pego de calças curtas, por causa de uma canção. Não era a primeira vez que eu a escutava mas eu sempre a interpretei de outra maneira, que também se aplica, mas nunca desconfiei das intenções originais de quem escreveu. Da primeira vez que a ouvi, eu estava longe de casa, provavelmente dirigindo numa daquelas highways americanas e logo fui atingido pela tristeza da música e pela voz da cantora. A primeira impressão que tive é de que ela falava do envelhecimento dela e de um relacionamento amoroso que parecia estar acabando depois de muitos anos. Os versos podiam até ser lugares-comuns, mas a vocalista colocava o peso da voz dela, rouca e grave, despojada, de uma maneira que me deixou até desconfortável. A música seguia com expressões tipo "o tempo faz de você mais corajoso, as crianças envelhecem, e eu estou envelhecendo também" ou então: "eu tenho tido medo de mudanças, porque eu construí minha vida ao redor de você" ou "será que eu consigo lidar com as estações da minha vida?"...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o tempo passou, anos, até que, hoje, eu estava aqui em casa desavisado, pensando na morte da bezerra, na idade, 41, no passado, no futuro etc, realmente melancolando. Eu estava mexendo no computador, procurando por vídeos meio sem pretensão. Minha filha estava, aos meus pés, concentrada em abrir um saco enorme de bichos de pelúcia que ela tem. E aí eu esbarro no vídeo de Fleetwood Mac com a cantora Stevie Nicks se preparando para cantar "Landslide". Ah, eu pensei, é aquela música bonitinha que eu ouvia lá em Atlanta!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O violão começou a introdução e , neste meio tempo, minha filha conseguiu finalmente tirar do saco um urso enorme, o que ela prontamente me chamou atenção para o feito dela, dizendo "oh oh", rindo e apontando para o bicho peludo. Tanta coisa se passou na cabeça nesses milésimos de segundo, entre aquela aparição de minha filha brincando no chão e a aproximação da cantora do microfone! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para quem foi pai tão tarde, aquela cena era realmente um achado na vida, uma bela surpresa das mais incríveis, mas que trazem para um melancólico de carterinha e anuidades pagas um monte de sensações misturadas de paternidade, de eternidade, mas de finitude também. É uma mistura de querer que aquele momento dure para sempre, mas já sabendo que tudo aquilo vai passar, embora eu saiba que aquele sorriso inocente vai ficar congelado dentro de mim pra sempre, enquanto houver eternidade em mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Stevie Nicks finalmente chegou ao microfone e murmurou algo que me gelou o sangue, porque eu tive a impressão que minha filha é quem tinha falado! "Esta é pra você, pai". E então meu mundo foi desabando como na música que ela cantava, sobre uma avalanche de neve por morro abaixo. A música que eu sempre interpretei como sendo sobre uma mulher falando para o marido, na verdade, pelo menos naquele momento, era sobre uma Filha falando para um Pai! E que momento foi esse que eu fui achar esse vídeo! Eu nem tentei segurar as lágrimas porque era perda de tempo...A pequena aos meus pés achou pouco e soltou os bichos e subiu no meu colo para ouvir a música comigo, sempre sorrindo e apontando para tela. Será que ela estava querendo dizer "faço dela as minhas palavras" ? Eu não sei... Em todo caso, vou colocar as letras no original aqui embaixo, com o respectivo vídeo, para que outros tirem suas conlusões, enquanto eu vou continuar puxando essa angústia, em busca de respostas que nunca virão, eu sei, mas vou tentar aproveitar essa busca com uma cerveja bem gelada, que eu estou necessitado! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Landslide - Fleetwood Mac&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;I took my love, I took it down&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Climbed a mountain and I turned around&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;I saw my reflection in the snow covered hill still the landslide brought me down&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh, mirror in the skyWhat is love&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Can the child within my heart rise above&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Can I sail thru the changing ocean tides&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Can I handle the seasons of my life&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Well, Ive been afraid of changing cause Ive built my life around you&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;But time makes you bolder&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Children get older&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Im getting older too&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh, take my love, take it down&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Climb a mountain and turn around&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;If you see my reflection in the snow covered hills&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Well the landslide will bring it down&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;If you see my reflection in the snow covered hills&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Well maybe the landslide will bring it down&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/FhNrrrCCTdA" title="YouTube video player" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115706622721335603?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115706622721335603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115706622721335603' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115706622721335603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115706622721335603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/08/puxando-uma-angstia.html' title='Puxando Uma Angústia'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/FhNrrrCCTdA/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115498097259314217</id><published>2006-08-07T16:56:00.000-03:00</published><updated>2006-08-26T15:34:06.340-03:00</updated><title type='text'>O Rei de Chicago</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A cena não era muito diferente de um desses nossos terreiros, só que a música era um daqueles blues lentos, rasgados. A banda tocava baixinho, todos com os olhos pregados no negro com a guitarra a frente. Os músicos faziam o melhor que podiam para reforçar as estruturas da música, para manter a casa em pé, mas a missão era dificílima! O rei de Chicago começava uma subida lenta e nervosa, crescendo em intensidade pelo braço da guitarra, ao que ele disparou um olhar vidrado para o lado, como que avisando que o santo iria baixar...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu estava na casa de amigos, assistindo vídeos. Eu tinha vários discos de Buddy Guy, o herdeiro de Muddy Waters em Chicago, mas naquela época eu ainda não tinha visto aquele louco em ação. Já íamos bem altos de cerveja e coquetéis "molotov" de tequila, e um cinzeiro abarrotado de pontas de Malrboros, mas aquele negão, que portava uma Fender preta com bolinhas brancas, estava muito mais doido do que nós juntos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou ao fim do braço da guitarra e empacou num grupo de notas que começou a tocar com os olhos fechados e a tremer-se todo usando a mão direita para atacar as cordas freneticamente e nisso eu ia levando meu copo à boca mas a mão parou congelada no ar e a língua seca aguardando a cerveja e eu não conseguia tirar os olhos do homem entrando em transe tresloucado que aparentemente tinha deixado o corpo ali tocando mas que o espírito na certa já ia sendo carregado por alguma entidade que ele tinha provocado invocado quando ouvi um grito terrível vindo da minha direita Ahhhhhhh que quase carrega minha alma junto e um baque surdo com meu amigo de pernas pra o ar gritando "chamem uma ambulância !!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos depois, já em Atlanta, num belo sábado à tarde, estou no metrô, trem lotado de gente bonita, muitos cantando, rindo, tomando umas, todos se dirigindo ao Piedmont Park para o Midtown Festival: 3 dias de música, 10 palcos, e uma centena de atrações, tudo por módicos $15 dólares por dia! Eu não sabia para quais shows aquela multidão estava indo. Eu só sabia que tinha que entrar no parque, e me dirigir ao primeiro palco à direita, ver o cara que tinha influenciado não só Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan, mas principalmente Jimi Hendrix: Buddy Guy!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui ficar perto do palco, mas um pouco na lateral, perto do quiosque da cerveja, que eu não tinha coragem de enfrentar aquela parada no seco. Ele entrou com a guitarra e a língua afiadas, e disparou uma meia dúzia de petardos, solou feito um insano, quebrou logo uma corda, que ele já faz de propósito, e era todo mundo gritando "é isso mesmo e bote pra f..." , e tome cerveja sendo emborcada como se fosse água, gente gritando "filho da p...", eu inclusive, em português, inglês e espanhol pra não deixar dúvidas, e a interação que ele faz com o público, é até heresia dizer, nem B.B King consegue! Ele manda a banda tocar baixinho, enquanto conversa com a audiência, faz perguntas, e ouve gritos lá de baixo, dá gargalhadas, saltinhos pra trás, mais gritaria, e mais impropérios, e ele conta, ou canta, estórias de traições sofridas, e o povo responde esculhambando a adúltera como se a conhecessem, ou completando as letras, ou ele mandava o público fazer silêncio com a mão direita, enquanto solava com esquerda, e por aí o show seguia, impecável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falei na língua afiada não foi só em referência ao cantar, mas ele também disparou contra rádios, gravadoras, produtores, e cabia mais gente, que não ouviam, não apoiavam as tradições negras do Blues, e que nem B.B King tinha espaço nas rádios, ou criticava a juventude negra que só queria saber de Hip-Hop, e não era à toa, com aquela maioria arrasadora de brancos na platéia...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No fim, como não poderia deixar de ser, ele saiu solando com a guitarra sem fio pelo meio da multidão enlouquecida, o que torna os shows dele tão inesquecíveis, com a chance de ver o mestre cara-à-cara! Vou também guardar pra sempre aquela imagem dele indo bater nas portas dos banheiros públicos! Ele conseguiu cortar pelo meio da multidão, e foi parar nos banheiros, que ficavam a uns bons cem metros do palco. Era hilário ver os caras, ou mulheres, abrirem a porta e se depararem com o negão solando na frente deles, o que era caso pra se mijarem de novo, dessa vez nas calças!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, naquela noite fatídica do vídeo, pulamos todos em socorro do amigo, que estava por trás de uma poltrona, como diz o povo, "estatelado" no chão, a mão suspensa no ar, com o copo de tequila cheio, coisa de profissional, sem derramar uma gota! O palhaço tinha tentando simular uma queda por causa do solo de Buddy, mas o "nível de sangue no álcool" acabou derrubando-o de fato, e ficamos ali todos no chão sem conseguir parar de rir! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115498097259314217?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115498097259314217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115498097259314217' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115498097259314217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115498097259314217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/08/o-rei-de-chicago.html' title='O Rei de Chicago'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115420494831077666</id><published>2006-07-29T13:22:00.001-03:00</published><updated>2011-03-07T11:15:09.777-03:00</updated><title type='text'>O Rei da Telecaster</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Blues é aquele tipo de música tocada com longos dedos negros, e cheios de anéis...&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As mãos deles pareciam ter o mesmo tratamento, o mesmo histórico. Fica até parecendo um estereótipo. Elas começavam desde cedo a serem curtidas nas plantações e no sol. Muitas construiam estradas de asfalto e de ferro. Posteriormente, elas enrijeciam nas fábricas de aço, ou de carros. Eram mãos fortes, negras, de pele grossa e calejadas, acostumadas que eram ao catar do algodão, e ao levantamento de sacas. Ainda na adolescência, já então nas fábricas e usinas, muitos meninos começavam a manejar ferramentas pesadas, passando anos batendo no ferro incandescente. Mas, nos pequenos intervalos daquela vida duríssima, eles tentavam, desengonçadamente, tocar um instrumento musical...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nisto o relato daqueles negros americanos também é muito parecido: eles ficavam horas sentados ao pé do rádio, ouvindo as estações dos segregados americanos, de onde captavam nas ondas todo tipo de manifestação musical negra: "Spirituals", que eram os hinos mais lentos, ou "Gospel", também religioso, mas que envolvia mais ritmo, ou a "música pagã", chamada "Blues", oriunda das "casas de baixa reputação", dos bares, das plantações, ou das ruas. Os garotos ficavam ali, tentando adestrar os dedos duros, provavelmente de unhas grandes e com terra, nos violões velhos de algum parente. E, de repente, como num milagre, aqueles meninos negros começavam a tirar uma música fortíssima, e bela, de dentro dos violões, ou das pianolas velhas, ou das gaitinhas desafinadas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse texto de hoje foi inspirado nas mãos de um guitarrista de Blues, chamado Albert Collins, o rei da guitarra Fender Telecaster. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Enquanto o vídeo tocava, meus olhos estavam fixos nas mãos dele. Eu não sei o que me levou a ficar tão concentrado nas mãos. Geralmente quando um contrabaixo, que é meu instrumento, aparece em cena, meu olhar vai direto para as mãos do baixista, para observar a técnica, mas ali estava um cara tocando guitarra... Mas afinal acho que foi a técnica mesmo, ou a ausência dela, que me chamou a atenção. Os dedos eram desproporcionais ao instrumento que ele manuseava: muito fortes e longos, e carregados de anéis. Na mão direita, que ele usava para, literalmente, atacar as notas, não havia uma palheta. O que havia era um dedo indicador dando patadas nas pobres cordas de aço.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eu então comecei uma viagem ao passado, tentando rastrear o histórico daquelas mãos, e do homem que as usava para tocar aquela guitarra Telecaster como ninguém. Ali no vídeo estava um músico maduro e no auge da carreira que, infelizmente, estava para ser encerrada, com um câncer no fígado, em 1993, aos 61 anos. Mas voltei correndo no tempo, antes que ele parasse de tocar, e partisse. A viagem tinha que ser rápida, e só deu tempo de ver poucas imagens, um pouco amareladas do tempo: &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Numa imagem os pais estão saindo com ele da maternidade em Houston, Texas, em 1933, e se dirigindo à fazenda onde eles trabalhavam.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eu vi o menino Albert aos 11 anos, tentando aprender as músicas de Lightnin' Hopkins, seu primo distante, no rádio, como também as canções de John Lee Hooker, o rei do boogie-woogie.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Num instante e ele já está abandonando a escola no meio do ginásio, para poder trabalhar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eu vi Albert nos anos 50/60, vibrando nas noites da América, já com sua banda, tocando nos guetos, e gravando seus primeiros discos, que fizeram um sucesso modesto nas rádios negras.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mas não! Ahh, essa não! Meus olhos encheram d'água, ao vê-lo parar completamente de tocar guitarra, aos 40 anos, minha idade, no ostracismo dos anos 70. Ele está saindo de casa agora, numa manhã fria, dirigindo-se ao seu emprego braçal na construção civil. Cacete, como eu queria ser Deus agora, e evitar essa cena a qualquer custo! Foi impossível não pensar em Cartola, nosso gênio brasileiro, guardando carros numa rua qualquer, isso depois de ter feito sucesso...Essa foi a imagem em que mais me demorei, e quase não volto a tempo de vê-lo tocar a última estrofe...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Espera aí, que ano é esse? 1985, e que alívio! O cara voltou a gravar, convencido pela espôsa, e por Neil Diamond, o rock-pop star, que anos antes teve que assistir, incrédulo, Albert chegar com os outros trabalhadores, para reformarem a sua mansão em Hollywood...Mas agora ele está recebendo um Grammy e, aos 53 anos, tem finalmente o trabalho reconhecido.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mas o destino não iria deixá-lo levar uma vida boa por muito tempo: 1993, e essa é a última imagem dele que eu tenho, antes de voltar e vê-lo tocar o último acorde. Ele está no médico, quando recebe a notícia fulminante de que está com câncer, em estado avançado. O médico lhe dá mais 4 mêses de vida, e pronto. Não, eu não consigo ver o que Albert Collins está sentindo, ou pensando. Ele certamente era experiente, e bem versado nas viradas dessa vida. Sim, acredito que ele encarou de frente, forte como ele era, e só sei que ele saiu daquele consultório e foi viver mais 6 mêses, em cima de um palco, com as mãos cheias de anéis, tocando uma guitarra Telecaster velha como nenhum outro jamais tinha tocado!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A lição que ele deixa como instrumentista não pode ser esquecida, a lição que eu aprendi observando as mãos dele, e a música de outros grandes. Além de saber aplicar a experiência de vida nas notas que ele toca, ele também habita aquele limbo que só os grandes mestres têm acesso. Nesse espaço que ele flui não existe técnica, ou pelo menos aquilo que nós chamamos de técnica. Ele habita um mundo às vêzes atemporal, atonal, cru, e que nós, com muitas vêzes treinamento erudito, queremos "consertar", dar uma "melhorada", uma "ajustada" e, meu Deus, que ingenuidade, ou ignorância, não existe nada lá a ser mudado! A música que sai dos dedos dele é Blues com letra maíscula, em cada nota, cada grunhido ou riso, e é inimitável!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Notas do Clip: E quem disse que Blues tem que ser triste? Há uma vasta gama de estilos, e de posturas dentro daquilo que chamamos de Blues. Na maioria das vêzes, a postura é de desafio em face das dificuldades, e nunca um entregar-se à dor. O humor sempre esteve presente no Blues, e tem sido uma arma super eficiente contra as mazelas desta vida. Os caras, e mulheres também, simplesmente não se rendem a ficar choramingando por causa das dificuldades, mas conseguem dar um boa gargalhada da própria desgraça! No caso desse clip hoje o assunto é a bebida, que é um tema conduzido com maestria por Albert Collins. A música conta a estória do povo recriminando, dizendo "você está alto e vive bêbado o tempo todo!" ("but you're so high, stay drunk all the time"), ao que ele responde "mas eu não estou bêbado. Eu estou apenas bebendo!" ("I ain't drunk I'm just drinking") O final é gozadíssimo, quando ele começa a contar quantas cervejas ele realmente tomou: 30! Mas ele enrola a língua e não dá o braço a torcer: "I ain't drunk, I'm just drinking!" . Tin-tin, Mr Collins!!!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115420494831077666?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.youtube.com/watch?v=NjVfc8-Y7sQ' title='O Rei da Telecaster'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115420494831077666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115420494831077666' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115420494831077666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115420494831077666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/07/o-rei-da-telecaster.html' title='O Rei da Telecaster'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115378472108412718</id><published>2006-07-24T20:42:00.001-03:00</published><updated>2011-03-07T11:23:39.539-03:00</updated><title type='text'>Johnny, o Albino do Texas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;&lt;strong&gt;But he could play guitar like ringing a bell...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Em "Johnny B. Good" - Música clássica do século XX)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A platéia estava toda de pé, da última fila ao gargarejo, batendo palmas e pedindo bis. Os seguranças tentavam em vão fazer-nos retornar às cadeiras, mas nem dávamos atenção a eles. De repente as luzes apagaram-se, e o velho mago retornou por detrás das cortinas, dessa vez com sua guitarra "V shape", e o slide no dedo. Ele sentou-se quase ao alcance das nossas mãos, e agradeceu com o mesmo sorriso tímido do menino de 13 anos, que dizia a todos que um dia tocaria com Muddy Waters. Ele contou até quatro, e a última coisa que me lembro foi que o mundo desabou, não por causa das forças da natureza, mas desconstruido no contato do aço das cordas com o gargalo de um tubo de whiskey...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atlanta, numa tarde de outono, em meados de 2004. Vinha do dentista, por um caminho que nunca usava por causa do trânsito terrível. De repente dei uma olhada à minha esquerda, e meus olhos pairaram sobre os letreiros do teatrinho, anunciando Johnny Winter, o guitarrista albino do Texas, em uma semana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show foi numa noite de quarta-feira e, já no bar do teatro, conheci uma daquelas figuras que sempre encontramos nesses tipos de eventos: ele era um "senhor", com um certo ar de louco, de seus 60 anos de idade, de botas, calças jeans e jaqueta dos "Hell's Angels". Ele logo engrenou um papo com a gente sobre os bons tempos dos anos 60 e 70, quando assistiu a alguns "showzinhos" básicos, tipo Led Zeppelin e Cream, até Stevie Ray Vaughan nos 80! Eu já estava acostumado àquele tipo de relato, e já nem ficava mais descrente, tamanho o número de pessoas que eu tinha conhecido, e que contavam as mesmas estórias de Rock e Blues, e shows alucinantes. Ele nos contava que tinha se aposentado da indústria automotiva, e agora só tocava guitarra nas jams da cidade... Um plano de aposentadoria nada mal pra quem já tinha visto tanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao show com um casal amigo, e nos sentamos na terceira fila. Ficamos ali nos revezando na busca das cervejas, e assistindo ao show de abertura. Eu tentava "doutrinar" meus amigos contando estórias de Johnny, de como ele tinha colocado o nome nas enciclopédias de Blues e Rock, desde Woodstock até produzir e tocar com Muddy Waters, o rei de Chicago, que o chamava de filho. Em 40 anos de carreira, ele continuava fiel às raízes, sem nunca se vender aos modismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim a banda entrou e começou a botar a casa abaixo. No meio da música ele surgiu, aquela figura fantasmagórica, tatoos por todo o corpo, cabelos longos e branquíssimos, um chapéu enorme, e empunhando sua amiga guitarra "Firebird". Para minha surpresa, ele precisava de um guia para chegar até o microfone, e pensei em voz alta: "Uau, o cara já entrou carregado!", ao que meu amigo disparou com um olhar de reprovação: "pelo amor de Deus, Roberto, o cara é cego!". Caramba, aquela foi terrível, mas eu não sabia que ele era "legalmente cego", como dizem, de tão pouco que enxergava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que diferença fazia, se ele era cego, ou não, se os dedos voavam a todo lugar que ele mandava? Ele manteve a platéia hipnotizada durante todo o show, especialmente nos blues mais lentos, onde ele ia buscar grunhidos que Deus ou o diabo sabiam onde, e solos apocalípticos. O velho Merlin, apesar de certa fragilidade, continuava senhor absoluto da guitarra, e cada vez mais eu ia afundando na cadeira, de cabelo em pé, amaldiçoando a idéia de ter sentado, em vez de ter ficado perto do bar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o show, numa daquelas esquisitices nos EUA, a platéia foi super comportada, e todos ficaram confortavelmente sentados. Quando tudo parecia terminado, já demorando muito pra um bis, alguém teve uma idéia brilhante: um louco, de botas, calças jeans e jaqueta dos "Hell's Angels" disparou em direção ao gargarejo, batendo palmas e gritando de uma maneira ensandecida! Meus amigos me olharam com aquele ar de perplexidade, como quem esperando por explicações, ou seriam instruções... Ao que eu nem pestanejei: "sigam aquele doido!". Num segundo estávamos saltando das cadeiras atrás do cara! Podiam até acusar os brasileiros de terem bagunçado, mas não fomos nós que começamos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o show ainda fomos a um boteco lá perto, comemorar a noite, felizes por termos visto de perto o albino Johnny Winter, que entrou para a história porque, pelo menos para ele, tocar guitarra era algo tão fácil quanto tocar um sino!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas do Clip: Eu sempre gosto de deixar o pessoal bonito na fita aqui. Atualmente, Johnny Winter está com uns bons 60 e tantos anos. Ele está praticamente cego e a vida que ele levou ao pé da letra, de sexo, rock'n roll e drogas, fez estrago no mago da guitarra, apesar de ele ainda soar excelente. Mas no clip ele está ainda novinho, mais ou menos na época em que ele gravou "The Progressive Blues Experiment", uma jóia do Blues/Rock, por volta de 1969. A banda é composta do baterista Uncle John Turner, que por sinal está "travadíssimo", certamente devido ao uso de substâncias abusivas, bem normal na época; Edgar Winter, o mano albino no piano e, por último, o baixista Tommy Shanon, novinho de ainda usar fraldas, que viria a ficar famoso acompanhando Stevie Ray Vaughan na banda lendária "Double Trouble". A música "Johnny B. Goode" foi escrita por outro monstro do Rock, Chuck Berry, um dos pais do Rock'n Roll, mas que se aplica perfeitamente ao albino que veio do Texas!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115378472108412718?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115378472108412718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115378472108412718' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115378472108412718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115378472108412718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/07/johnny-o-albino-do-texas.html' title='Johnny, o Albino do Texas'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115319918135959060</id><published>2006-07-17T23:51:00.000-03:00</published><updated>2006-07-18T02:33:14.030-03:00</updated><title type='text'>Aquela Menina do Texas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eu estava ouvindo música, deitado no sofá lá de casa. Talvez estivesse sonhando com uma cantora de Country Blues do Texas. No sonho ela cantava só para mim. Ela também gemia e gritava do fundo da alma, e meu coração ia batendo junto com o dela. De repente acordo com a porta abrindo-se, e minha mãe entra como uma avalanche em direção ao toca-discos. Eu mal conseguia entender o que ela pronunciava, já após ela ter desligado o som, perguntando se eu estava louco. Ela falava algo como "dava pra ouvir da outra rua", e do "respeito aos vizinhos que eram idosos". Finalmente ela disparou contra a cantora do disco, perguntando "o que é que aquela louca tinha, que parecia estar morrendo!".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez uma menina feia que morava em Port Arthur, no Texas. Ela se chamava Janis Lyn Joplin. As biografias dizem que ela era uma menina tímida e muito inteligente. Ela era leitora voraz, e também pintava muito bem. Mas o que ela mais gostava era de cantar. Logo cedo começou a frequentar os bares da cidade, onde cantava por qualquer trocado, ou pela bebida. Nos tempos de universidade, saiu da pequena cidade natal e foi para Austin, uma cidade grande, e a vida começou a mudar radicalmente. Ela começou a se afastar da vida pacata de cidade pequena, e começou a experimentar com drogas pesadas, especialmente heroína.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela ainda tentou voltar para casa, e talvez seguir aquele caminho "normal" de casar-se e ter filhos, mas a coisa não funcionou. Nesse meio tempo apareceu uma oportunidade de fazer um teste em San Francisco, para uma banda local. A menina doce e sensível foi logo cair no meio da confusão e agito dos anos 60: lutas pelos direitos dos negros, Vietnan, guerra fria, os beatniks, hippies, tudo somado a muito LSD e Heroína. Ela foi por ali trilhando o caminho dela, até ao dia em que conseguiu uma chance de cantar no Monterrey Pop Festival de 1967...De repente o mundo acordou e viu uma menina de cabelos longos, que nem era tão feia assim, abrir as portas de céu e inferno com uma voz que chocou a todos! Daquele verão de 1967 até o dia 4 de Outubro de 1970, foram três anos fulminantes, onde ela alcançou o estrelato, foi aclamada pelo mundo, e morreu num quarto de hotel, aos 27 anos, numa overdose de heroína.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu nem queria escrever essas notas biográficas, que eu não começei com essa intenção. Mas tenho andado com a idéia de inserir algo tipo "momento cultural" no meio dos textos, caso encontre um leitor desavisado, ou leigo no assunto. O motivo de começar a escrever hoje era o de encontrar uma resposta. Na verdade, nunca acredito que vou achar resposta alguma, apenas por escrever, mas acabo escrevendo, naquela de "crer contra a esperança". A idéia era responder à minha mãe, uns bons vinte anos depois, algo que nem tentei na época: &lt;em&gt;"o que é que aquela louca tinha, que parecia estar morrendo".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já se foram muitas audições, leituras, e bebedeiras, tentando encontrar nas entrelinhas daquela nota biográfica acima, onde é que aquela menina doce do Texas foi buscar aquela dor. Eu sei que ela teve umas experiências ruins na escola, onde ela chegou a ser chamada "o MENINO mais feio do colégio", mas será que isso foi um estopim tão grande assim? Alguém poderia citar as drogas, mas quem a viu tocando nos botecos antes do estrelato, e das drogas, diz que ela nunca mais cantou tão bem...Também não acredito que drogas "criem" algo novo que não está dentro de você. Elas podem até maximizar, ou destruir de vez, o talento, mas não tiram de dentro o que você não tem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espera aí que tá chegando uma idéia! Será que ela não era algum tipo de receptor ultra-sensível da época dela? Além dos problemas da guerra, havia aquela questão que tava "pegando", que era a luta dos negros, que ainda eram segregados. Não teria a menina branca do Texas tomado as dores, ao ponto de se tornar um deles? Ela não só cantava música negra, mas sempre foi envolvida na luta pelo fim do racismo, e o negócio na época era sério e violento, Martin Luther King que o diga. Se ela queria ser sincera ao cantar Blues, ela talvez achasse que tinha que ser um deles, o máximo que ela pudesse, ao menos no sentimento. Nunca uma branca conseguiu cantar Blues do jeito que ela cantou, com tanta dor e força. Já é um chavão dizer mas ela foi a cantora branca mais negra de todos os tempos. Às vêzes foi até mais negra do que as negras, quando gravou "Summertime", um clássico da música americana que, embora tivesse sido composta por um branco, contava a estória de uma ama negra que ninava um bebê branco. Muitas já tinham gravado mas, depois de Janis, poucas têm se aventurado a tentar de novo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Janis também incorporou os sofrimentos de ser mulher, tudo com um conhecimento de causa absurdo para alguém tão jovem. Ela parecia uma anciã quando chegava perto de um microfone. Ela também tinha seus momentos alegres, e sabia passar isso ao público. A risadinha marota que ela dá no fim da faixa "Mercedes Benz", uma das últimas da vida dela, ainda é uma das coisas mais gostosas já gravadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu confesso que, hoje em dia, tenho ouvido pouco Janis, porque ela toda vez me acerta uma veia lá dentro que acaba me levando a beber mais do que eu devo. Eu lembro um dia em que liquidei umas dez cervejas grandes, que não eram brincadeira, tipo "bock", enquanto assistia a um vídeo dela, e no fim fiquei ali numa cadeira de balanço, chorando feito menino...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resisti à tentação de mostrá-la hoje cantando "Summertime", ou "Ball and Chain", que estarreceu o mundo em Monterrey. Você podem ir no youtube.com e assistir lá. Queria deixá-la no auge, cantando "Maybe", uma das minhas favoritas. Também no vídeo, um baixista que gosto muito, Brad Campbell, que tomou um "chá de sumiço" após a morte dela, mas que sempre tenho como referencial ao tocar Blues ou Rock. Sing the Blues sweet girl!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Um dia minha mãe leu um artigo sobre Janis numa revista. Ela lembrou que eu tinha uns discos dela na estante...Só por curiosidade, ela foi até lá dar uma olhada...Nesse momento eu estava descendo de um ônibus lá perto. Quando eu vinha me aproximando de casa, ouvi uma voz familiar cantando nas alturas de meu toca-discos...Ao entrar em casa me deparo com minha mãe, deitada no mesmo sofá que eu gostava de ouvir música...Ela me olhou ainda com algumas lágrimas nos olhos, e... me pediu perdão...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115319918135959060?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115319918135959060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115319918135959060' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115319918135959060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115319918135959060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/07/aquela-menina-do-texas.html' title='Aquela Menina do Texas'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115299670045022326</id><published>2006-07-15T16:28:00.001-03:00</published><updated>2006-07-24T22:44:40.856-03:00</updated><title type='text'>"The Bass Champion"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Num blog de baixista é necessário eu começar a fazer meus tributos. Eu sempre falo que tocar contrabaixo é coisa pra macho, e meu amigos riem. E se o baixista for um boxeador, ex-campeão de pesos pesados do estado de Ilinois, no norte dos EUA? Aí é que a minha teoria é reforçada! O contrabaixo é um instrumento de poucos amigos, e os poucos que conseguem manter uma amizade com ele, geralmente começam na adolescência. Ninguém pode dizer que toca contrabaixo desde criancinha, porque é simplesmente impossivel uma criança ter mãos, e altura, para envergar aquele gigante, carinhosamente chamado de "dog house", pra mim, a casinha do cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em Willie Dixon, um dos meus ídolos e referência, o contrabaixo encontrou um "parceiro de peso". Nas mãos daquele gigante vindo do Mississipi, o contrabaixo até parecia um violoncelo! Dixon achou na música uma maneira de sair das ruas, e do encalço da polícia, com quem sempre teve problemas. Durante a segunda guerra também fugiu do alistamento, e acabou ganhando um "tempo de reflexão" de dez mêses na cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda quando adolescente, decidiu fazer o que muitos sulistas negros faziam na época: imigrar para Chicago, em busca de uma nova vida. O estado tinha uma industria fortíssima, especialmete automotiva, e era o destino de muitos que viriam a re-escrever a história do Blues moderno, como o próprio Dixon e Muddy Waters, o rei de Chicago. Mas ao chegar lá, resolveu usar seu tamanho, e vivência das ruas, para se tornar boxeador. Chegou a ser o campeão estadual profissional, e aí dá para entender algumas de suas letras de música, como em "I'm Ready", em que ele descreve o cara que está no bar, doido pra que alguém começe alguma confusão, e ele possa entrar "rachando"! O cara era para ser levado a sério quando cantava algum verso do tipo "don't mess with me", talvez livremente traduzido para "não mexa comigo que você apanha"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para infelicidade dos ringues, e alegria da música, o campeão aposentou-se cedo, e começou uma das carreiras mais fulgurantes da história do Blues, lançando as bases, ou melhor, gestando o filho do Blues, o Rock'n Roll. O elo de transição do Blues com o Rock pode ser percebido nas participações dele nos discos de Chuck Berry, nada mais nada menos do que o pai do Rock. Ele foi talvez o compositor de Blues mais gravado pelas bandas emergentes de Rock da época, especialmente as inglêsas, como Roling Stones ("I Just Want To Make Love To You"), Cream("Spoonful") e Zeppelin ("I Can't Quit You Baby", "Bring it on home"). Ele nunca contentou-se em apenas tocar, mas foi também cantor dos bons, compositor prolífico, e manda-chuva da Chess Records, o celeiro do blues em Chicago. E o cara escreveu com Muddy Waters "Hoochie Coochie Man", que é o "cavalo de batalha" de qualquer Blues jam no mundo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Infelizmente, os vídeos de Willie Dixon foram retirados do youtube! Quem viu terá que contar para os netos o dia em que eles "toparam" com o negão tocando por aqui. Se o "homem" reaparecer por lá, colocarei de novo no blog! Mas, para não dar o braço a torcer a essas vicitudes da internet, fica aqui um clip com Muddy Waters, o verdadeiro Rei do Blues, junto com Sonny Boy Williamnson na gaita, e o boxeador-baixista Dixon ao fundo! Destaque para a "moral" dos caras, especialmente o penteado de Muddy, tocando aquilo que eles tinham domínio absoluto!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115299670045022326?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115299670045022326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115299670045022326' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115299670045022326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115299670045022326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/07/bass-champion.html' title='&quot;The Bass Champion&quot;'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115285125090513497</id><published>2006-07-14T01:25:00.000-03:00</published><updated>2006-07-15T21:52:52.606-03:00</updated><title type='text'>O Blues Brother Original</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Venham por aqui, disse o trombonista, e os dois brazucas bêbados o seguiram. Ao passarem pelos seguranças indigestos, os dois ainda deram tchau pra os caras. Eles subiram a passos trôpegos a escadaria que dava para os camarins e, lá no topo, encontraram um corredor que passava por trás de toda a extensão do palco lá em baixo. No fim do corredor havia uma porta aberta, de onde dava para ver um pequeno sofá. Naquele sofá, conversando animadamente, estava um senhor negro, baixinho, com um chapéu branco, camisa xadrez e calças vermelhas. De repente ele pára a conversa e olha para o lado, em direção ao corredor. Ele abre um sorriso enorme e, acenando, grita "Venham cá meus filhos!"...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;New Orleans, Junho de 1996. Passamos o dia batendo pernas e "inspecionando" os bares da cidade. Estávamos particularmente ansiosos naquele dia. Era um dia cheio de eventos para quem gostava de Blues. Iríamos à tarde passear de barco no Mississipi, e teríamos que descer correndo do barco a vapor "Natchez", e ir ao "House of The Blues", ver uma lenda tocar, Junior Wells, o gaitista e eterno companheiro de Buddy Guy. Juntos eles tinham gravado dezenas de discos, dos quais eu tinha uns 5. Confesso que estava um pouco nervoso naquele dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Conseguimos chegar em boa hora, e nos instalamos em pé, com os cotovelos no palco. Combinamos a estratégia de só sair um de cada vez pra comprar cerveja, para não perder o lugar. O astral do bar estava ótimo, casa cheia, gente bonita, e nós ali na expectativa. Finalmente o baixinho Wells entrou em cena e a casa tremeu! Pra quem esperava um show com muito "slow blues" ou "shuffles" se enganou. O cara baixou um espírito de James Brown e disparou uma saraivada de funks irresistíveis. A banda era super competente, com destaque para o naipe de metais. Ficamos ali em transe, sem saber se chorávamos ou ríamos. Provavelmente fizemos uma combinação dos dois. Eu estava tão louco que queria alguma recordação daquele show, nem que fosse ao menos tocar no pé dele! Eu até que tentei mas, pra minha vergonha, o baixinho tomou um susto e pulou pra trás com medo! Eu não tinha onde enterrar a cabeça! No fim ele saiu com um microfone sem fio pelo meio da multidão, e eu consegui tocar no ombro dele, apesar dos empurrões dos guarda-costas... Eu mal sabia o que estava pra acontecer...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após o show ficamos por ali bebendo, tentando digerir os eventos, quando avistamos o pessoal da banda tomando umas também. O doido do meu amigo inventou de ir lá, pra tentar uns autógrafos. Saí arrastado por ele, e nos aproximamos dos caras. Em pouco tempo estávamos numa conversa animada, e de repente um dos caras disse "espera aí, vocês são do Brasil?" "yes, man" respondemos com nosso inglês cambaleante. "Mas vamos tocar no Brasil no mês que vem!", disse ele, e nos pegou pelos braços e saiu nos arrastando em direção aos camarins!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente estávamos ali, cara a cara com o Homem. Eu sentado no sofá ao lado dele, e meu amigo de cócoras, praticamente ajoelhado, tentando juntar os pedaços do nosso inglês e manter uma conversação. Ficamos até um pouco surprêsos, mas não muito, ao ver o quanto ele entendia de música brasileira. Falou de Jobim a Milton Nascimento com um conhecimento de causa incrível. Também falou da amizade com Buddy Guy, e até citou alguns shows feitos no Brasil, que inclusive eu tinha um disco desses shows. Ele ficou um pouco impressionado, e feliz, de ter gente da idade da gente, de outro país, ouvindo a música dele. Sabemos que lá na América a juventude negra já não dá importância ao Blues. A maioria parece ser de brancos agora, dos que estão carregando a tocha desse ritmo originariamente negro.No fim, já pra não encher o saco dele, nos despedimos, com direito a fotos, que graças a Deus eu carreguei a máquina escondida para o show. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Partimos pelas ruas escuras e desertas de New Orleans, com medo de um assalto, com um rolo de filme escondido nas cuecas, e muita estória pra contar pros netos! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A seguir, uma novidade no bloguinho que me deixou muito feliz! Seguindo a tradição de "matar o pau e mostrar a cobra", temos agora vídeos! Espero que funcione com conexões lentas. Provavelmente é preciso ter certos "plug-ins" como Flash e Shockwave, mas não tenho certeza. Se não funcionar me deixem uma mensagem! Nos testes aqui o negócio funcionou uma maravilha. No vídeo, Junior Wells, cantando seu clássico "messin' with the kids", com Mike Bloomfield na guitarra! Se não me engano, o outro cara que canta, por sinal muito bem, o gordinho branquelo, é Nick Gravenites, que escrevia músicas com Janis Joplin! Enjoy!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115285125090513497?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115285125090513497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115285125090513497' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115285125090513497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115285125090513497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/07/o-blues-brother-original_14.html' title='O Blues Brother Original'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115239249350921608</id><published>2006-07-08T17:57:00.001-03:00</published><updated>2011-03-15T23:52:22.334-03:00</updated><title type='text'>Os Dez Mandamentos Segundo B.B King</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Eu vi, meus irmãos, a face de Deus, e ele era negro, sentado no seu trono, cercado de anjos e arcanjos, todos a tocar instrumentos musicais, numa tarde quente e úmida de Atlanta. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Era um sábado de agosto, no verão de 2002. Eu estava com o irmão baixista, Marcílio, que estava passando uns dias conosco, recém-convertido ao Blues, através dos cultos realizados no finado La Prensa, que ele provavelmente um dia relatará a mesma visão, mas talvez com palavras diferentes. Para mim, como aconteceu foi assim: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recebi o chamado do Senhor pela manhã, através de uma voz interior, com ordens de ir ao Chastain Park, no norte da cidade, tentar comprar ingressos para um show de Blues que iria acontecer à noite, ao ar livre, e em noite de lua. Chegamos lá e a bilheteria estava fechada. Encontramos um peregrino da Inglaterra, que tinha acabado de chegar na cidade, e tinha recebido o mesmo chamado, através de um jornal. Tentamos de todas as formas contactar telefones pra comprar os ingressos, sem sucesso. Fomos para casa cansados e confusos. Como conseguiríamos ver o show sem os ingressos? A mesma voz me falou novamente, e disse que eu confiasse, e que voltasse às 5 da tarde, quando as portas se abririam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À tarde retornamos, eu e o irmão Marcílio, e descobrimos que os ingressos mais baratos que, por "coincidência", eram os que podíamos pagar, estavam esgotados. Ficamos abatidos, mas desta vez não desanimamos. Começamos a andar pelas ruas vizinhas e, orando, pedimos orientação, ou que um anjo nos fosse enviado, para nos dar suporte. Talvez ele pudesse nos materializar, discretamente, num cantinho lá dentro, quem sabe! Após alguns minutos, avistamos um negro alto, que caminhava falando no celular, e ele tinha um pequeno cartaz na mão, que parecia dizer "I Need Tickets". Começamos a segui-lo com esperanças renovadas. Depois de algum tempo conseguimos alcançá-lo e, um pouco nervosos, perguntamos se ele tinha entradas. Ele primeiro olhou para os lados, nos estudou dos pés à cabeça e só depois é que disse que, até então, nada... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continuamos com fé pela rua deserta, e começamos a ter a certeza firme de que assistiríamos ao show. Se conseguimos encontrar um cambista de bobeira assim, pensamos, numa rua deserta nos Estados Unidos, era porque alguma coisa estava mesmo para acontecer. Avistamos um outro homem a uns cem metros, parado na beira da estrada, e corremos para ele . Chegamos lá e ele disse que só tinha um, e de $60, que era o mais caro. Neste momento o outro homem veio correndo para nos dizer que tinha acabado de conseguir dois, e dos mais baratos, e que nos venderia pelo mesmo preço da bilheteria! O milagre que tanto esperávamos! Mas irmãos, eu faltei com a fé, e dando uma de Tomé, que pediu a Cristo para mostrar a chagas, demonstrei desconfiança, achando que iríamos ser roubados, e perguntei se o ingresso era "quente" mesmo, ao que ele deu uma gargalhada enorme, onde mostrava as iniciais dele, acho, encrustadas em ouro nos dentes frontais! Disse que só comprava mais barato, e assim vendia pelo preço normal, satisfazendo assim aos clientes! Que sonho de cambista! Não tivemos dúvidas de que ele era o anjo que tínhamos pedido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finalmente entramos na área do show e encontramos lá o peregrino inglês, que tinha conseguido ingressos de outra forma, talvez com outro cambista, quer dizer, anjo. Nos congratulamos, e começamos a nos preparar espiritualmente, bebendo um suposto néctar sagrado australiano, de nome Foster, em latas de 600ml, e que Deus mantenha ardendo no fogo do hades quem inventou coisa tão ruim, mas afinal nos instalamos. Percebemos, como marinheiros de primeira viagem, que os outros fiéis vieram muito mais preparados: o parque permitia que comes e bebes fossem trazidos, e todos carregavam verdadeiros toneis de cerveja e lanches. Nessa área mais barata, sentávamos na grama, enquanto na outra parte havia cadeiras e mesas, onde todos trouxeram não só champanhe e vinho, mas também velas, para quando a noite chegasse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tivemos ainda que aguentar dois shows de abertura, de uns caras que de vez em quanto tentavam tocar blues. Foi quando começei a doutrinar o recém convertido irmão Marcílio, a respeito das sacanagens do Blues, e como o problema em si, tecnicamente falando, não era executar a música, mas como criar uma atmosfera propícia, baseado naquilo que você é, e sente, e como trazer a platéia pra participar também, seja para rir ou chorar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após umas duas horas, finalmente, A Banda entrou no palco, ainda sem o Homem, mas mostrando para que veio. Já estava começando a anoitecer, e a lua, enorme, começava a ensaiar a entrada também. O séquito sagrado e real era composto de 4 metais, que eram sax, tenor e alto, mais trumpete e trombone, como também um contrabaixo elétrico, bateria, piano e órgão hammond, e guitarra base. O grupo começou a noite apenas com músicas instrumentais e, talvez não por acaso, devido a todas aquelas questões de linhagem real etc, todos eram negros. O irmão Marcílio imediatamente entendeu do quê eu estava falando, quando eu tinha falado sobre criar atmosferas, nuances, impressões e sensações: os caras foram no céu e no inferno, e toda a audiência foi junto, e gostando. Solos de Trumpete com surdina, órgão e sax, às vezes tocando forte, às vezes quase inaudível, mas nunca ao ponto de tirar o interresse da música....&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, na terçeira música, Ele apareceu, velhinho, cansado e diabético, mas empunhando seu cetro e deusa negra, Lucille. Ele sentou-se e fez tudo além do que se esperava de um homem-deus de 76 anos de idade: cantou muito, solou soberbamente, e ainda contou histórias e "causos", tudo na boa tradição do bom São Louis Armstrong, de ser o entretenedor perfeito, seja tocando, cantando, e principalmente criando empatia com o público. Era admirável o controle que aquele ex-catador de algodão e motorista de trator tinha sobre as massas! Aquele garoto que andava 20 Km por estradas de terra escuras, da fazenda à cidade, empunhando um violão barato, para ganhar uns trocados na esquina, ou brechar shows pelos buracos das paredes, estava ali em cima do palco, com domínio absoluto sobre uma multidão de gente "esclarecida" e com Phd's. Ele não tinha só o controle do público, mas como também da música e, não por último, do grupo de cobras criadas que lhe dava suporte, tudo isso sem perder um cabelo de simplicidade como pessoa, e como músico. Uma curiosidade foi ver em cima do palco, que era enorme, num cantinho à esquerda, umas 50 pessoas que estavam sentadas numas cadeiras postas lá: a "pequena" família do Homem, com sua dezena de filhos, netos e bisnetos! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A seguir, escrevo o que eu consegui ouvir e aprender do mestre, que sempre praticou o que pregou, e que tocava lá do vale, e eu tão longe, num alto de um morro, quase trepado numa árvore. Eu estava, obviamente, ligeiramente bêbado, e emocionado, e a lua vinha surgindo exatamente por trás do palco-altar. Mas é assim minha versão, meus irmãos:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amarás a Música acima de todas as coisas.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Darás de ti sempre o melhor.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca desistirás.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Serás verdadeiro contigo mesmo.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Buscarás sempre a simplicidade na Música.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trabalharás incansavelmente.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tocarás de todo o teu coração, de toda tua alma.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não cobiçarás o sucesso dos outros.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alegrarás sempre a platéia.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Terás sempre um coração grato.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem, irmãos, foi assim que tudo aconteceu, ou acho que sim pois, olhando daqui agora, desse suposto futuro daquele dia, tudo parece muito irreal, ou muito envolvido numa áurea de sonho, principalmente por causa daquela lua enorme sobre nós, e das velas nas mesas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No fim do culto-show, conseguimos nos aproximar dele, e assistimos às últimas músicas bem de perto, e ficamos muito emocionados. Infelizmente não tinhamos mais filme na máquina, ou pergaminho, e temos agora que nos contentar em guardar na memória. Guardar aquela noite incrível de um verão em Atlanta, onde vimos a face de Deus, e ele era negro, que nos dizia-cantava constantemente:&lt;em&gt; how blue can you get&lt;/em&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saímos direto para o primeiro bar que encontramos, e ficamos ali mudos, sorvendo lentamente a cerveja. Na cabeça, apenas um pensamento: &lt;em&gt;how much blues you can get&lt;/em&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No vídeo, toda a realeza do Blues e Jazz, que eu até me recuso a nomear! Tá bem, só alguns nomes, alguns já até partiram dessa pra outra.  Eric Clapton, Koko Taylor (já se foi) que canta uma das partes, Charles Musselwhite na gaita, Bo Didley(um dos pais do Rock) com sua guitarra quadrada, Jack Dejohnete na bateria, Dr John no piano , Billy Preston, que nos deixou dia desses, no teclado, Nathan East no baixo, Groover Washingon Jr (também tocando no céu), no sax, e por aí vai! O Clip foi tirado da final da batalha das bandas do filme "Blues Brothers 2000" . Um espetáculo! O local é provavelmente o "The house of the blues" de Nova Orleans, mas não tenho certeza. Parece muito com o lugar onde vi Junior Wells, no texto "O Blues Brother Original"...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115239249350921608?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115239249350921608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115239249350921608' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115239249350921608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115239249350921608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/07/os-dez-mandamentos-segundo-bb-king.html' title='Os Dez Mandamentos Segundo B.B King'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-115085335671102699</id><published>2006-06-20T21:55:00.003-03:00</published><updated>2011-03-10T17:56:05.585-03:00</updated><title type='text'>Depois de Ontem à Noite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu vejo um garoto. 7 anos de idade? Ele está na sala de casa dando gargalhadas. Está rodando como um pião. Rápido, mais rápido, mais! De repente, ele para e deita-se no chão com os olhos fechados...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não consigo lembrar no que eu pensava quando eu rodava. Não consigo lembrar no que eu pensava ontem à noite. Quem inventou a ressaca, o Homem ou o mar? Ou seria a lua? Estou agora andando pela praia. A orla está arrasada. A linha de areia úmida se estende até perto da calçada. Lá, na demarcação de território do mar e da terra, estão todo tipo de dejetos: garrafas plásticas, uma boneca sem cabeça, flores murchas, uma sandália solitária e muito sargaço. O mar continua revolto, turvo, ameaçador. Parece que ele ainda acha pouco o que fez na praia. O sol não veio trabalhar, mas o vento sul e frio sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No que foi que eu pensei tanto ontem à noite? Deve ter sido importante ou não. Não consigo. Algumas cenas vêm partidas: estou abrindo a segunda garrafa de uísque. Vejo gente se mobilizando para comprar mais uma grade de cerveja. Todos parecem muito alegres, afinal ganhamos no futebol, por bem ou por mal, mas ganhamos. Vejo violões sendo empunhados. As pessoas cantam, bebem, fumam muito. Acabo de abrir minha segunda carteira numa tarde. Estamos todos alegres. Estamos? Acho que sim, mas não consigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Arrisco molhar os pés na água, mas está tão fria! Fico observando meu pé afundar na beira d'água. O que é que nos faz rodar como um pião até que o mundo começe a girar do mesmo jeito? Sinto-me tonto. O mar não só entende de ressacas, mas de vertigem também. Ele balança os barcos até vomitarmos tudo que nos mantêm em pé. A contrapartida é que vomitamos nele de volta. Estamos quites.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tento perguntar aos gregos. Eu preciso entender por que rodamos como um pião até que o mundo rode também. Vejo agora Dionísio e ele está numa clareira da floresta. Há uma multidão ao redor dele. Ele conta estórias engraçadas. Bem, devem ser, pois todos estão rindo. Daqui da distância, ele parece um excelente anfitrião. Ele também mantém todos os copos cheios. São taças belíssimas de ouro e de prata e ele vai despejando um líquido espesso e escuro nas taças. Todos riem, se abraçam. Algumas mulheres - ou seriam ninfas - começam a dançar. Outros tocam flautas e liras. Daqui dessa praia devastada, tento perguntar a uma das mulheres. Ela tem cabelos longos e ruivos. Ela é belíssima. Ela se afastou um pouco do grupo e tenta balbuciar algumas palavras, mas não entendo. Pra minha surpresa ela começa a rodar e rir e... ainda vejo-a cantando a melodia mais linda que já ouvi. Desvio meu olhar para o resto do grupo e vários casais, trios, grupos, já estão se formando, se acariciando, se beijando. Não vejo mais Dionísio. Queria perguntar a ele um monte de coisas, a começar por qual safra era aquela daquele vinho, mas agora é tarde e o resto do grupo está muito ocupado para me dar atenção. Ao amanhancer vão estar todos caídos na grama inconscientes, desmemoriados, cansados. Fartos? Eles vão ter que se levantar e correr para suas casas antes que os pais, os maridos, as esposas, enfim, alguém perceba a ausência deles.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E eu aqui nesta praia nublada. Só. Mantenho meus pés na areia molhada. Quero eles bem firmes agora. Com a ajuda da água, a areia já dá uma volta no meu tornozelo. Sinto alguma estabilidade por fim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho uma lembrança engraçada: na casa onde passei a infância, na parte de dentro da porta do banheiro, havia uma cruz pintada à mão: era um sinal de uma promessa! Após passar a noite em vômitos e dores, um tio meu tinha prometido nunca mais beber! Ele nunca cumpriu a promessa, mas a cruz ficou lá pra sempre. Penso em riscar uma cruz na areia, na flor da água, que dure na proporção da minha determinação, mas desisto. Mas eu queria entender. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho uma outra visão: eu me vejo agora com uns 13 anos, junto com meus primos, aqui mesmo nessa praia, todos bêbados. Era uma noite super agradável e tínhamos acabado de tomar uma garrafa de uísque nacional - e, é claro, ruim, mas eu achava que uísque era assim mesmo. Havíamos roubado a garrafa da casa dos tios e agora havíamos saído para comprar cigarros. Fumávamos um atrás do outro, sofregamente, e nunca mais cigarros foram tão gostosos. Mas eu ainda não entendo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tem uma outra cena da mesma época. Estamos, o mesmo grupo, numa cabana no interior do Rio Grande do Norte, no meio do nada. Era aniversário do garçom da lanchonete que frequentávamos e andamos léguas e léguas, como eles dizem, até chegarmos nessa casinha de barro batido e teto de palha. No interior, estamos sentados ao redor de uma mesinha baixa à altura dos joelhos, sentados num banco que era da extensão da mesa. No centro, está uma panela enorme cheia de um cozido das patas da vaca. Ao lado da panela, estão as garrafas de aguardente e os copos. O anfitrião, muito humilde, mas muito orgulhoso do seu banquete, enche todos os copos até a borda. Não, não eram dois dedos, como eu costumava ver nos botecos. Era até a borda. Até o limite da sanidade... então, todos nós, garotos, com aqueles bigodinhos ridículos ainda a crescer. A do santo já derramada no chão de areia batida, que eu nem me lembro qual entidade era, se católica ou africana, porque mesmo nem acreditava em um ou outro. Pensando bem, hoje em dia, acho que teria sido melhor ter acreditado em alguma coisa, mas enfim. Tínhamos, na outra mão, uma garfada do guisado. Virávamos os copos por garganta a dentro. Não, não era fazendo beicinho de golinho e golinho. Tinha de ser com a boca bem aberta de um gole só e sem caretas, porque éramos Homens. Em seguida, comíamos a carne gordurosa. Aquela sensação do líquido descendo, queimando o esôfago, espalhando-se por todo o estômago. O que era aquilo? Eu ainda não sei. Estou escrevendo pra entender, para gritar perguntas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tento pensar, mas a cabeça dói. Deixe eu tentar, enquanto meus pés se enterram mais e mais:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;i&gt;Ah isso é perversão fuga da realidade não querer crescer a entrega aos sentidos da carne a volta ao paganismo aos bacanais de Baco você não era Dionísio seu dissimulado que falava grego e agora latim ou seria uma falha moral mas uma falha moral de fábrica ou foi acidente de percurso desgaste natural das peças e então faríamos um "recall" para a troca de partes defeituosas ou a falta de deus ou justamente o contrário ou não a busca de&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou tão angustiado. O corpo dói. Mas eu preciso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ouço uma voz por trás de mim. Não me lembro há quanto estou aqui. Tento me virar, mas os pés estão cravados na areia. Sinto-me ridículo. Uma senhora baixinha e gorda aparece ao meu lado. Ela tem um chapéu de palha por cima de um lenço na cabeça. A pele é bronzeada e enrugada. Na face, um sorriso desdentado. Ela parece tão familiar, mas de onde? Ela inicia a conversa:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- O senhor num tá me reconhecendo, não?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- É...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- O doutor vinha muito aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- É verdade... -- Ainda tentando me desvencilhar da areia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- O senhor tá engraçado. Tá querendo virar uma bananeira, é?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tento ensaiar um sorriso. Ela continua:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- Olhe, já tá tudo armadinho ali, e eu tenho uma cadeira que aguenta o senhor, reforçada. O senhor engordou um pouquinho, não foi?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- Pois é, já pensou? - Me viro na direção que ela apontava e começamos a andar para onde estava um carrinho de mão, que portava uma grande caixa de isopor, cercada de guarda-sóis cravados na areia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- Tá um dia feio meu filho... já vi que o movimento vai ser ruim. Mas eu faço um precinho bom pro senhor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-- Que bom... escuta, a senhora alguma vez já rodou, rodou, feito um pião doido e depois fechou os olhos? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-115085335671102699?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/115085335671102699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=115085335671102699' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115085335671102699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/115085335671102699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/06/depois-de-ontem-noite.html' title='Depois de Ontem à Noite'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-114919213391157876</id><published>2006-06-01T17:01:00.001-03:00</published><updated>2011-03-07T01:46:03.718-03:00</updated><title type='text'>Uma conversa com o espelho e a música</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Agora eu me pergunto como é que eu poderia ser diferente do que sou esse místico introvertido réu não confesso ao ponto de ser seduzido pelo objeto do mundo lá fora pelo que está por trás do véu de Maia dos budistas eu com toda aquela pressão católica por parte dos pais igreja primeira comunhão e depois eu mesmo o salto de fé crer porque é absurdo e loucos por causa da cruz de Cristo Kierkgard Agostinho Tomás e toda aquela balbúrdia de teólogos que existiram e mais uma porrada nascendo todos os dias nos quintais das igrejas todos à boca miúda revelando a poucos a nova revelação aquela que ninguém vê por que estão perdidos o mundo está perdido sim porque o espírito fala a todos e revela todos os dias um novo credo uma nova revelação a verdadeira interpretação da porra de uma vírgula do livro de Jó e que muda toda a visão e o conhecimento da vontade de Deus pra os homens e eu achando pouco indo mais fundo no meu vigor de coroinha cheio de juventude e credulidade em auto flagêlo na perda daquela mesma juventude em cânticos louvores orações jejuns anjos demônios e endemoniados lutas celestiais revelações provações tentações vitória do espírito sobre a carne e vice-versa sonhos profecias e apocalipses e depois... e depois a queda o vazio o abandono a solidão que estava lá o tempo todo mas eu não sabia e as bebedeiras a nau a perder-se em mares desconhecidos eu um adulto que parou aos 16 pra vida real humana agora sem deus ou um deus que não interfere que não se importa não mais um deuzinho pessoal amigão que vai a todo canto como um chaveiro&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se livrar de todo esse passado carregado de loucura e transes? Aí vem o pouco que gostei de Krisnamurti: deixa estar, ou seria let it be dos Beatles ou let it bleed dos Stones? De qualquer forma consegui paz ao aprender a aceitar essas imagens que vêm de um passado recente que, queira eu ou não, fazem parte de mim. É minha estória. Eu apenas fico ali tipo meus amigos espíritas quando ouvem um ruído na casa: se é de paz pode entrar, irmão! Deixa rolar sem julgar, sem tentar fechar a porta, que não adianta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E no meio de tudo isso, como um milagre, que ironia! Uma florzinha nasce bem no meio da calçada movimentada: Música. Aprender música naquele ambiente tão místico foi muito importante e me jogou nesse mundo musical já como um veterano. Um amigo blueseiro me definiu o que é tocar Blues: "É criar uma atmosfera em torno da música, que é muito simples, mas onde as pessoas vão se sentir bem, ou vão sentir dor, ou vão ter força pra enfrentar a mesma dor." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando vejo dali do palco as pessoas de olhos fechados, às vezes se emocionando com uma estória que às vezes nem é a delas...eu fico me perguntando, e aí pessoal, o que é que tá pegando, tá bom, tá doendo? Não é muito diferente dos meus 16 anos, já tocando num ambiente cheio de mistérios, manuseando algo que eu nem entendia direito, o poder da música, tentando trazer a presença do próprio Deus para o lugar. Acho que hoje continuo talvez sendo o mesmo. Sim, ainda sou o mesmo. Quem mexe com esse negócio de música entende o que estou falando, que música é apenas mais um tipo de oração, talvez a única que ainda consiga praticar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-114919213391157876?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/114919213391157876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=114919213391157876' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114919213391157876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114919213391157876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/06/uma-conversa-com-o-espelho-e-msica.html' title='Uma conversa com o espelho e a música'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-114918211614168073</id><published>2006-06-01T14:12:00.000-03:00</published><updated>2006-06-01T16:58:21.163-03:00</updated><title type='text'>Uma partida de Xadrez muito louca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa vai em resposta a Millôr, que disse (acertadamente, vá lá!) que o xadrez é excelente porque desenvolve a mente espetacularmente para....jogar xadrez!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por incrível que pareça, o texto abaixo foi tirado das ondas da internet, em meio a uma partida de xadrez psicodélica, por correspondência, com meu parceiro Catão, que é advogado, presidente da OAB na cidade dele, como também formado em psicologia, e um bom filósofo da vida. A partida já se arrasta por mais de um mês, e sem querer até ficou em segundo plano, mas as mensagens-farpas filosófico-culturais, que vêm junto com os lances, estão pegando fogo! Ele me mandou um texto tirado de um livro que ele estava lendo. Um livro das ciências, como ele disse, na tentativa de contrabalancear o Romantismo exarcebado meu e dele também! Talvez fosse uma tentativa de defender a "transpiração" em primazia à "inspiração", não sei. Mas ele foi cutucar logo um músico de blues! Abaixo vão uma parte do texto e minha resposta:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todos somos criativos. Cada vez que enfiamos um objeto conveniente sob a perna de uma mesa que balança ou que pensamos num jeito novo de subornar uma criança para que ela vista o pijama, usamos nossas faculdades para criar um resultado singular. Mas os gênios criativos distinguem-se não só por suas obras extraordinárias mas também por seu modo extraordinário de trabalhar; não se supõe que eles pensem como você e eu. Eles irrompem em cena como prodígios, enfants terribles, jovens rebeldes. Ouvem sua musa e desafiam a sabedoria convencional. Trabalham quando bate a inspiração e fervilham com insight enquanto o resto de nós caminha arduamente com passos de bebê pelas trilhas muitíssimo batidas. Põem de lado um problema e o deixam incubando no subconsciente; então, sem aviso, uma luz se acende e uma solução totalmente formada se apresenta. Ahá! O gênio deixa-nos obras-primas, um legado da criatividade irreprimida do inconsciente.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A imagem evidenciou-se no movimento romântico há duzentos anos e hoje se encontra firmemente arraigada. Consultores de criatividade cobram milhões de dólares das empresas por workshops dilbertianos sobre brainstorming, raciocínio lateral e fluxo do lado certo do cérebro, com resultados garantidos na transformação de cada administrador em um Edison. Conceberam-se teorias elaboradas para explicar o incrível poder do inconsciente sonhador para resolver problemas. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como Alfred Russel Wallace, alguns concluíram que não pode haver uma explicação natural. Diz-se que os manuscritos de Mozart não têm correções. As melodias devem ter saído da mente de Deus, que escolheu expressar sua voz por intermédio de Mozart.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É pena que as pessoas criativas estejam no auge da criatividade quando escrevem sua autobiografia. Historiadores vasculharam os diários, cadernos, manuscritos e correspondência dessas pessoas em busca de sinais do vidente temperamental acometido periodicamente por raios do inconsciente. Infelizmente, descobriram que o gênio criativo está mais para Salieri do que para Amadeus.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1.Eu, no sentido estreito, popularesco, da palavra, também sou romântico. Uma vez escrevi uma longa carta de amor pra uma paquera. Ela ficou horrorizada, e mostrou pra todo mundo, perguntando se eu era doido, ou o quê. Nunca mais deixei um rastro registrado assim de uma paixão, nem em fotografia. Mas ainda adoro um platonismo. Acho super saudável!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2. Acredito piamente na inspiração, e rezo todas as noites por esse livro, de joelhos, e em contrição.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3. Acredito em transpiração também, muitas vêzes sobre a inspiração, mas isso não vende livros, nem cria lendas. Também acho que um reles lampejo de inspiração é muito melhor do que uma catedral erigida com cálculos meticulosos e pensados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;4. Charlie Parker, o genial saxofonista era um gênio, mas estudava 12 horas por dia. Seria ele, especificamente, um gênio se não estudasse? Ou ele não era um gênio, mas apenas alguém que estudou muito? Não podemos cientificamente comprovar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;5. BB King, entre outros, é um gênio, mas nunca aprendeu o que é um "dó re mi", quanto mais escrever uma partitura sem errar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;6. Os gênios podem surgir quando alguém se especializa demais num assunto, pensa o dia todo no tema e, de repente, têm uma "visão", uma "revelação", que ningúem talvez jamais teria. Outras vêzes é apenas acaso. Ele simplesmente entrou por uma porta que ninguém sabia e viu um mundo novo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;7. No fim, você pode chamar de gênio aquele sortudo que esbarrou numa dessas portas acima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;8. Ainda acho mais excitante a poética de Platão, Schopenhauer, Nietzche do que a lógica de Aristóteles, Russell ou Witgenstein, e que o diabo os carregue!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;9. Não acredito em auto-biografias, nem a minha!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;10. Tá pra nascer ainda um gênio que salve a reputação de Salieri, e convença o mundo, e que o enquadre naquela condição dos gênios injustiçados. A situação tá meio desesperadora depois desses 300 e tantos anos, sei lá!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;11. No fim ainda acho que ser barroco, romântico e existencialista fica uma combinação perfeita. Tudo que for exagero, apaixonado demais, e por isso sujeito a erros, intuitivo, louco, falho e humano, fica bem, combina, com o ser humano, e o faz mais belo! O sonho ainda é sempre conquistar para o Homem toda a divindade que lhe é devida, por mais que sejamos tortos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-114918211614168073?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/114918211614168073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=114918211614168073' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114918211614168073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114918211614168073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/06/uma-partida-de-xadrez-muito-louca.html' title='Uma partida de Xadrez muito louca'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-114653797406847487</id><published>2006-05-01T21:46:00.002-03:00</published><updated>2011-03-09T22:48:26.857-03:00</updated><title type='text'>MISSÃO IMPOSSÍVEL (UMA METACRÔNICA)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 10pt; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #272727; font-family: Arial;"&gt;(Dedicada a todos que sabem a dor e a delícia de encarar uma folha em branco)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: arial; line-height: 10pt; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: arial; line-height: 10pt; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #272727; font-family: Arial;"&gt;Um bar num feriado de primeiro de Maio. Meio-dia. Movimento fraco ainda, com algumas famílias chegando para almoçar. Após três tentativas, finalmente consigo achar um lugar aberto. Estou com vontade de escrever algo para o blog. Saio do carro com duas folhas de papel. Tenho uma idéia sobre uma noite de blues no Recife. Não pressinto que estou diante de uma missão impossível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: arial; line-height: 10pt; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #272727; font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;A primeira cerveja já se foi, e eu olhando para o papel em branco. Peço a segunda, quando percebo que a primeira veio errada. O garçon tenta desculpar-se, mas não tem importância. Pelo menos ela estava gelada, tanto que nem percebi. Como se não bastasse a música Axé tocando baixinho no rádio, agora os maruins estão atacando minhas pernas alérgicas. E eu tentando escrever alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se foram dez linhas escritas numa das folhas, que acontecem de ser os versos de uma proposta da Caixa Econômica para a liberação do FGTS. Peço uma tripa de bode ao garçom, que me volta da cozinha cinco minutos depois para me comunicar que o cozinheiro não o tinha informado que não tinham tripa de bode. O cara já está se sentindo desconfortável, como quem está perdendo de 2X0 para uma cerveja errada e a miserável da tripa de bode. Agora ele tenta empatar com explicações e a vinda à minha mesa a cada 3 minutos para encher meu copo, e minha paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais dez linhas no verso da proposta da CEF para a liberação do FGTS, e a inspiração parece que está chegando, agora que terminei a segunda cerveja, agora certa, e o segundo cigarro. Também consigo pedir, já confirmado duas vezes pelo garçom, e três pelo cozinheiro, duas linguiças de bode com farofa e vinagrete. Ufa! Que insistência com um bode, para quem saiu de casa para comer sushi, só pra encontrar um cadeado enorme trancando a porta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente consigo passar para a segunda e última folha de papel. Esta um verso de uma lista de documentos da CEF...Fico também aliviado não só por ter conseguido escrever uma página inteira dizendo coisa nenhuma, provavelmente enchendo lingüiça.. de bode! Também estava com medo do garçon perceber, por uma curiosidade que já notei, que estou escrevendo sobre ele. O alívio foi em vão, pois exatamente quando escrevia a palavra garçon 3 linhas acima, o peste veio dar uma inspecionada no meu copo e, de tabela, no meu texto! Já penso em dobrar a página exatamente aqui, para então poder continuar, desta vez sem escrever a palavra garçom para não correr riscos. Justamente agora, ele traz as duas lingüiças de bode com farofa e vinagrete. Ponho discretamente a mão sobre o papel, mas ele já está desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traço a primeira lingüiça, que por sinal está uma delícia, e acendo meu terceiro cigarro. Continuo com a esperança de escrever sobre a noite de blues no Recife. Ôpa, o que vejo aqui, deixe-me ver: recebi um olhar de reprovação ao acender o cigarro. A gata está na mesa do lado com o namoradinho e parece que ela não gosta de Marlboros vermelhos, deve ser isso. Engraçado que eu cheguei primeiro, num bar aberto, e me dirigi para a mesa bem do canto, praticamente na calçada, só para ficar na minha e tentar escrever meu texto sobre a noite de blues no Recife. Mas agora estou sendo marcado implacavelmente por uma música Axé tocando bem baixinho no rádio, uma esquadra de mosquitos atacando minhas pernas alérgicas, um garçon curioso e agora essa gatinha não fumante! Mas logo hoje, meu amor, que venho lendo Nietzche e não tou afim de ser legal com ningúem? Estou cheio de estórias de super-homem, de quebra de éticas judaico-cristãs, moral escrava e sobrevivência do mais forte! É ruim, hein? Fumo tranquilamente meu terceiro Marlboro, enquanto a fumaça caminha sacanamente em direção ao narizinho sensível ao meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo escrever minha primeira linha sobre a noite de blues no Recife:&lt;i&gt;&amp;nbsp;“&lt;/i&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;São 6 da noite, e acordo suado. O quarto está escuro e apenas ouço o barulho do ventilador, que gira de um lado para o outro, soprando o ar quente das noites de Recife...”&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Mas espera aí! O que foi agora? Um menino maltrapilho estaciona a bicicleta bem do meu lado. Ele deve ter uns 10 anos e parece ter vindo praticar mendicância no bar, a começar por mim, que já estava começando promissoramente meu texto sobre a noite de blues no Recife e que já andava açoitado por uma música Axé tocada bem baixinho no rádio que vem da cozinha, uma esquadra de uns 30 maruins, em formação, atacando minhas perninhas alérgicas, um garçom solícito e curioso, e uma gatinha sensível aos meus Marlboros vermelhos. Agora chega esse pirralho, que já começou o marketing com um casal que estava atrás de mim. Ele conta uma estória de que é o aniversário dele hoje e que estava indo para casa na favela da Rodinha, quando teve um mau pressentimento com relação a dois garotos que estavam numa bicicleta. Quando olho para a rua, os citados meninos passam e minha antena de maloqueiro da praia do Pina capta a mensagem. Eles nem olham, mas o pressentimento do menino bateu com o meu. Me viro pra ele e confirmo sem dó que ele vai ser assaltado e que fique por perto. “Olhe, é simples”, eu falo, “eles são grandes e você pequeno. Eles estão numa bicicleta só e você tem uma que não é nada mal. Que é que você acha?” Fico ali contemplando a cara do garoto enquanto ele pesa as chances.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meio tempo o casal com a gatinha do nariz sensível ao meu Marlboro vermelho resolve ir embora. Eles ainda me propiciam uma cena pra esse texto, que deveria ser sobre uma noite de blues no Recife, mas que no fim não vai dar em nada mesmo. Essa é uma cena que sempre tocou meu coração, singela, e que sempre quis escrever a respeito. É uma cena muito comum com casais jovens de classe média alta e que acontece quando a conta vem: o cara entrega o talão de cheques para a namorada preencher. Só isso. Eu nunca soube bem o que isso significa, e tenho vontade de perguntar, já no topo de minha quarta cerveja, mas depois me lembrei da cara dela quando acendi meu terceiro Marlboro vermelho e achei que não era uma boa idéia. E, afinal, quem escreve deve sempre procurar interpretar a situação em vez de ir atrás de fatos. Nem jornalista, que eu saiba. Pois é, acho que essa cena é um sinal de compromisso, de unção, como um rei que coloca o cetro ou espada no ombro do cavaleiro. Talvez um sinal pré-anel de noivado? Não sei. Talvez um sinal de que em breve tudo dele será dela também? Ou seria tipo: eu posso sair com muitas, mas só você preenche meu cheque? Acho que tenho que pensar mais sobre isso. Fico a observar as mãozinhas com unhas bem cuidadas, obviamente sem manchas de cigarro, preencher orgulhosamente o cheque, que ela retorna ao namorado para que seja assinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam-se 10 minutos e, confirmando o pressentimento, um dos garotos, o maior, volta andando até a esquina da rua onde eles tinham entrado. Que saco! Logo hoje que venho lendo Nietzche e toda aquela estória de super-homem, a quebra da ética judáico-cristã, moral escrava e, como bom Darwiniano, a sobrevivência do mais forte, de elevar a moral e ética dos senhores e não da plebe etc etc e lá vai esse ex-cristão velho tomar partido do pirralho, de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me levanto pra ir ao banheiro e desvio, sem avisar, em direção ao meio da rua. Chamo o grandote, que espreitava junto a uma árvore. Ele corre feito um louco até uma esquina a uns 200m onde o outro esperava. Chamo o pequeno que estava no bar, que me explica que a casa dele fica perto e que ele consegue chegar, mesmo que eles venham atrás daquela distância. “Então vai logo”, despachei o miserável. Fiquei marcando os dois malocas na esquina, enquanto o pequeno voava na outra direção. E assim acabou minha boa ação e a vontade de escrever sobre uma noite de blues no Recife, que já tinha começado promissoramente, mas que ainda levou uma pá de cal quando retornei à mesa e recebi um telefonema da mulher, que precisava do carro para resolver alguma problema. Missão impossível e abortada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego em casa e minha filha pula de alegria no meu colo. Faço ela prometer nunca andar de bicicleta num primeiro de maio deserto. Ela sorri e diz sim, acho, com as únicas palavras que ela sabe: “papai” e "o au au"!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: arial; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-114653797406847487?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/114653797406847487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=114653797406847487' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114653797406847487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114653797406847487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/05/misso-impossvel.html' title='MISSÃO IMPOSSÍVEL (UMA METACRÔNICA)'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-114581398346844097</id><published>2006-04-23T14:32:00.000-03:00</published><updated>2006-04-23T19:38:52.970-03:00</updated><title type='text'>Fato ou Ficção?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Escrevi essa para o teste de proficiência da Universidade de Michigan no ano passado. Engraçado que após o teste todos se queixavam dos temas. Diziam que os temas tinham sido dos mais idiotas de todos os tempos! Não parei pra pensar na hora, pois nem tempo temos pra ficar analisando temas. É escrever alguma coisa e pronto. Depois vi que realmente não passavam daqueles assuntos pra você encher lingüiça e encher o papel de chavões e o mesmo bla bla bla de sempre. Um era pra dizer se você aceitaria um emprego bem pago, mas que exigia viagens, ou se você ficaria fixo,fazendo o que gosta, embora não ganhando tão bem. Achei ridículo, como se aqui no Brasil tivéssemos toda essa flexibilidade e mobilidade nas chances de trabalho. A outra opção era sinistra, pois afirmava que todos nós guardamos alguma coisa de nossos pais como uma relíquia. Eu fiquei depois pensando que a maioria ali era de garotos de 18 anos, que moravam com os pais, que provavelmente ainda seriam bem jovens pra alguém ficar guardando objetos de lembrança. Acho que ninguém pegou esse tema e preferiu inventar alguma coisa com a outra opção. Eu achei mais fácil compor, de fato, algo no segundo. Fiquei com medo de ser reprovado, pois o texto, do jeito que foi saindo, não seguia aquelas regras idiotas de exposição ou introdução, desenvolvimento, e conclusão, sei lá, que eu nem me lembro mais dessas baboseiras de escola, e do jeito que gringo é...mas no final (recebi o resultado essa semana) eu acabei sendo aprovado. Deixa eu ver como traduzir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu tinha nove anos de idade e voltava para casa depois da aula. Minha escola ficava a poucos metros na mesma rua, e eu fazia o percurso sozinho. Ao me aproximar comecei a ouvir uma música belíssima que vinha lá da sala. Era uma voz de homem, rasgada, sofrida, que me deixou de cabelos em pé.&lt;br /&gt;Abri a porta lentamente e, ao entrar, presenciei uma cena rara na minha vida: meu pai estava em casa. Não só isso, mas ele estava sentado na sala, numa cadeira que estava com o encosto pra frente. Ele apoiava os braços no encosto e lágrimas estavam rolando tranquilamente no rosto. A princípio fiquei preocupado, pensando ter havido alguma coisa. Ele sorriu pra mim e me tranquilizou. Me chamou para perto e disse que estava tudo bem. Ele explicou que a música tinha mexido com ele, e que eu não me preocupasse, que um dia eu iria entender aquilo tudo.&lt;br /&gt;Foi incrível como naquele dia, com aquele fundo musical, e de improviso, tivemos um dos grandes papos juntos. Ele falou um pouco sobre música, vida, amor e morte também. Talvez não tenhamos tido outra conversa tão boa quanto aquela depois que cresci e, lá pelas tantas, perguntei quem afinal era aquele, ou aquilo que estava tocando. Ele sorriu e me disse que ´aquilo` era música negra americana, Soul Music. Ele esticou a mão e puxou um daqueles bolachões de vinil. Era uma capa de fundo branco que estampava um negão com um sorriso enorme, e óculos escuríssimos. No rodapé estava lá o nome do cara, que iria me acompanhar pra o resto da vida: Ray Charles...&lt;br /&gt;Bem, já se foram uns 30 anos por aí, e dia desses estava em casa de meus pais quando me lembrei dessa estória. Perguntei a ele onde andava aquele velho álbum, se ele não tinha perdido nas mudanças. Ele deu uma risada e disse que pelo menos alguma coisa eu ia levar dele, além das dívidas, e que o velho disco já estava com meu nome no testamento! Demos uma boa risada, pois sabíamos que aquele bolachão marcava um grande momento que tivemos juntos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, que eu me lembre, foi mais ou menos isso que escrevi. Mas a idéia hoje não era aborrecer minha meia dúzia de leitores com uma redação de 20 linhas de um vestibular!&lt;br /&gt;Alguns anos atrás li uma biografia de Hemingway e lá eram discutidos alguns processos, técnicas, que ele empregava no seus livros. O que mais me chamou a atenção foi a composição de personagens e acontecimentos, que ele fundia numa mistura miserável de fatos, ficção, imaginação etc. Claro que às vêzes, propositalmente, ou não, os personagens não ficavam assim tão irreconhecíveis, ao ponto de vários amigos ou desafetos escreverem, ou tentarem quebrar a cara dele, por ele ter contado casos comprometedores de um ou de outro.&lt;br /&gt;Depois disso fiquei com aquela maior desconfiança de escritor. Claro, sabemos que quem escreve não consegue passar um parágrafo sem contar um mentira! Faz parte do ofício. O relacionamento do escritor com o público é justamente sobre essa cumplicidade: olha, eu vou inventar aqui uma estória pra te contar, e te entreter nos dias frios na sua cama, que tal? Você faz de conta que é verdade e se emociona.&lt;br /&gt;Mas depois fiquei pensando nesse filão das biografias, ou auto-biografias. Quanto de fatos você realmente quer receber? Quanto de ficção? Bem, minha conclusão é que a vida real, com algumas exceções, não faz um grande livro. Tem que entrar a mão de quem escreve, a imaginação, o exagero, senão a coisa fica um tédio. Acabei de ler uma de B.B King. Foi comovente e inspiradora, e dá pra sentir sinceridade no texto. Talvez a vida dele seja uma daquelas exceções, acho. Nem fiquei querendo saber onde ele tava me enrolando, ou tava contando a verdade. Me deixei levar na conversa do negão!&lt;br /&gt;Agora, se um amador como eu consegue, em trinta minutos, inventar um biografia, imagine um profissional que leva anos trabalhando num projeto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu morava perto da escola&lt;/em&gt;. Fato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu vi meu pai chorando quando voltei da escola&lt;/em&gt;. Composição de fatos e personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha uns 13 anos e voltava da PRAIA, quando encontrei minha mãe e dois tios bebendo na sala. Acho que já iam na segunda garrafa de whisky e ouviam MARIA BETÂNIA, um dos primeiros dela, e eles tavam chorando! Eu fiquei meio assustado, mas minha MÃE disse que tudo estava bem, e que eles tavam só emocionados! Fui para o banheiro todo desconfiado ha ha ha! Anos depois ELA voltava da praia e EU estava com um amigo bebendo e ouvindo a desgraçada da NANA CAYMMI. Estávamos chorando do mesmo jeito! Eu peguei meu pai chorando um dia mas NÃO ERA VOLTANDO DA ESCOLA. Ele estava sentado na posição que descrevi mas NÃO CONVERSAMOS coisa alguma. Ele ouvia um disco sim, de JOHN LEE HOOKER, também negro, mas blues das antigas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foi incrível como naquele dia, com aquele fundo musical, e de improviso, tivemos um dos grandes papos juntos. Ele falou um pouco sobre música, vida, amor e morte também. &lt;/em&gt;Composição&lt;em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na verdade esse papo foi com minha MÃE, e foi quando ela ouvia o safado do VINÍCIUS DE MORAES. Eu devia ter uns 20 OU 25 ANOS e ouvi uma longa lição de como se portar na vida e no amor, e de até como cozinhar para o amor depois do amor ha ha ha! Ela disse-me que eu observasse o exemplo do poetinha que tinha no enterro dele todas as 9(?) ex-mulheres(!)abraçadas e chorando pelo velho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estória do ´testamento` é meio inventada também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe disse que era provável que eu ficasse com todos os discos, uns 500, depois que eles morressem, já que eu era quem tinha mais afinidade musical com eles: Jazz, Blues e Clássicos por parte de pai, e Música brasileira por parte de mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que nem o assunto principal da redação se salva? A tal da recordação, ou objeto de lembrança? Até agora não consigo me lembrar de ter coisa alguma desse tipo lá em casa, mas o disco que descrevi de Ray Charles existe na casa deles, uma coletânea. Mas meu favorito dele, que não conseguiu entrar na redação, talvez porque achei que faltava apelo, é um cor púrpura, com apenas um par de óculos na frente, onde ele canta umas canções de amor de rasgar o coração. Talvez fosse uma dessas que o &lt;em&gt;garoto de nove anos ouvia quando retornava da escola&lt;/em&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-114581398346844097?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/114581398346844097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=114581398346844097' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114581398346844097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114581398346844097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/04/fato-ou-fico.html' title='Fato ou Ficção?'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-114559130269776351</id><published>2006-04-21T00:47:00.008-03:00</published><updated>2011-03-14T23:41:50.092-03:00</updated><title type='text'>Na Barraca de Seu Biu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“O dia começou pra mim logo quando o sol deus as caras. Ia ser um dia longo, mas não um dia ruim, muito pelo contrário. Dia carregado de lembranças e imagens: fui, pela primeira vez, apresentar minha filha à praia do Pina...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia também foi de ensaio, tarde, às 11 da noite...como sempre, nessas noites, estou na barraca de seu Biu. Tento digerir as ideias. Tento dar voz aos acontecimentos do dia, colocar palavras na boca do sentimento, do coração. É lá que estou tentando organizar este texto na cabeça. Lembro de Clarice, que dizia que o verdadeiro significado estava no espaço em branco das linhas. Ela sabia escrever umas tiradas boas. Eu não...”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A barraca fica a vinte metros do estúdio, onde ensaio com minha banda de Rock. Impossível pensar num lugar mais estratégico para um bar. Sempre gosto de chegar mais cedo para me “concentrar” nas músicas. Fico ali tomando uma Skol da Antártica ou uma caninha ou ambas... Gosto também da variedade de petiscos: saquinhos de castanha ou batatinha frita industrializada. Às vezes, temos amendoim, também, mas só às sextas-feiras, que o movimento é mais forte. Os deliciosos tira-gostos ficam expostos na parede presos por clipes. Uma noite, lá pelas tantas, depois de não sei quantas, não havia nem castanha nem batatinha, mas tinha algo pendurado lá. Eu disse a seu Biu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- Este é o acepipe mais estranho que o senhor já serviu aqui. Então ele respondeu:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;--Meu filho, isto não é tira-gosto. Isto é um alarme de carros que estou vendendo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;--Ah sim, perdão &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de falar de seu Biu, é muito importante dizer que a barraca também fica a duzentos metros da praia do Pina. Essa é a praia que comparece aos meus sonhos quase que diariamente. Ou seria "diariamente e noturnamente", como falava um "escritor" de estratégias de futebol hoje no rádio? É, eu também ouço resenhas esportivas na rádio AM...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje o movimento no bar está fraco e o penúltimo pinguço acaba de sair. O cara já estava bem alto e foi cambaleando pela rua escura. A opção da noite dele? Conhaque Dreher diluído em água. Coisa de profissional. Seu Biu não está muito a fim de estender a noite. Vai lentamente arrastando as sandálias até uma das portas. Olha o céu e depois a rua. Acho que está conferindo se não vem algum cliente tardio a caminho. Ele volta e começa a procurar os cadeados. E o pessoal do ensaio atrasado... Tento ganhar tempo puxando conversa. A coisa é difícil porque ele é meio surdo. Eu sempre me sinto estranho exagerando nos lábios o pedido da cerveja. E ele sempre leva alguns segundos antes de reagir, sempre de sobressalto, como que atingindo por um tapa. É como se minha voz não se movesse na velocidade do som, mas fosse caminhando preguiçosamente até os ouvidos dele: u...m...a.... cer...vee...jaaa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, pela primeira vez, também começo a me perguntar sobre a idade dele. Tento adivinhar, mas não é fácil. Acho que a lentidão não bate com o aspecto físico. Mas dizem que os negros sempre enganam na idade. Como já estou curioso mesmo, pergunto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- 72 anos -- ele responde com um ensaio de sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele continua a mexer com os ferrolhos da porta. E eu em pânico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- Faz muito tempo que o senhor tem esse bar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;--40 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As respostas vêm muito lacônicas. Mas pra minha surpresa ele toma a iniciativa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;--Mas faz 50 que cheguei aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só então percebo que já paguei a conta e o troco já está em cima do balcão. Talvez por isso a vontade dele de fechar o bar. Enquanto o velho fala, parece que meus olhos estão enchendo d`água. Tenho a impressão de que estou com um riso na boca, não sei. Com os olhos nele, empurro lentamente o dinheiro de volta no balcão, para não assustá-lo. Tenho medo de que ele pare de falar. Ele conta estórias de juventude e de praia. Pra meu alívio, ele pega o dinheiro enquanto fala:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- O que vai ser?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;--Uma aguardente por favor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele põe um copo no balcão e, enquanto olha para mim, vai emborcando a garrafa de Pitú. Meus olhos estão no copo que, a qualquer momento, vai esborrar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-- O senhor não vai parar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;--Aqui, quem diz é o freguês.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;--Então pare pelo amor de Deus! Depois vão reclamar, com razão, acho, que estou vindo bêbado para os ensaios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele veio morar na avenida Boa Viagem nos anos 50, uns dez anos antes de eu nascer. Sinto um pouco de inveja. Eu, como exilado da presença da praia. Ele, como um herói da resistência. Ao longo dos anos, todos os moradores tradicionais foram sendo expulsos da vizinhança da praia belíssima. Dos anos sessenta em diante, chegaram os prédios de luxo destruindo todas as casas da beira mar e das ruas vizinhas. Ele começou a me contar estórias de sua juventude e do seu relacionamento com a praia, com o mar e com as mulheres. Engraçado como eram parecidas nossas estórias! Aquele mar imenso ali na frente, aquele cheiro de sal. A praia sempre foi tão onipresente, tão estável, que nem notávamos que o mundo mudava em volta. Até o dia em que a perdemos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só pude ficar com a impressão de que a praia do Pina foi uma grande mãe compreensiva, amorosa e, antes de tudo, testemunha imutável de várias gerações que passaram pelas areias dela, tomando banho de mar, pescando, ou simplesmente se amando. Tive o sentimento de pertencer à história da praia de alguma forma, de fazer parte, de alguma maneira, ao relacionamento com aquelas areias, jangadas e mar da praia do Pina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A praia tinha sido minha grande amiga desde minha infância. Cheguei lá com 8 anos de idade. Era o início dos anos 70 e, naquele tempo que conseguia, não sei como, ser um pouco mais inocente do que o de hoje, eu me dava ao luxo de fazer, intacto, os cem metros que me distanciavam da minha casa para o mar. Nas férias, só ia a casa para almoçar e jantar e, diga-se de passagem, pela manhã, só chegava bem tarde, pois chegar nas areias antes das 11 da manhã era motivo para ser chamado “porteiro da praia”. Então, almoço era por volta das 3 da tarde, para retornar ao mar, muitas vezes, com o mesmo sal e roupa no corpo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As areias providenciavam as peladas de futebol, frescobol e voleibol. O mar entregava generosamente os peixes e as ondas para surfar. No meio de tudo isso, vinha o contato com as meninas, que flertavam durante o dia para, no cair da tarde, puxar assunto quando não havia mais gente na praia...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já depois do 30 anos, tive que me afastar do Brasil e do Pina por alguns anos. Fui para um lugar distante onde a cidade nem tinha mar. Mas a praia habitou - e habita - meus sonhos o tempo todo, onipresente. Sempre dizia a um amigo que eu seria como as velhas tartarugas, que sempre voltam às areias onde nascem, não importa se uma centena de anos depois. Para nossa surpresa, quando afinal retornei, na mesma semana, ficamos chocados com uma matéria de primeira página do jornal , na qual era mostrada uma foto de uma velha tartaruga que, ao que parece, tinha encalhado nas areias da praia para morrer...claro que isso foi motivo pra uma dezena de cervejas em busca do significado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Praia imutável, perene, com a mesma areia de sempre? Eu não sei. Na adolescência, não escapei, também, dos livros de memórias de Hermilo Borba Filho, o escritor e teatrólogo, nos quais ele narrava a vida nas areias do Pina nos anos 40, onde ele chegava de bonde, parando em frente ao finado, hoje, restaurante Maxime. Eu poderia juntar Hermilo com as estórias de seu Biu nos anos 50 e 60 e minhas pelos 70 a 90....não há como achar que a praia sobreviverá a todos nós, ou a algum tsunami malvado, com seus arrecifes ainda aparando as ondas do Atlântico por centenas de anos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Entrei nas areias carregando minha filha que nem andava ainda, com aquele sentimento estranho de repetição, de déjà vu. No fundo, talvez, estivesse revivendo um ritual de tantos outros pais. Mas aquela imagem minha carregando-a nos braços não passou em branco para mim, nem para ela: enquanto a carregava, meu olhar estava fixo no rosto dela. Eu queria anotar cada reação, cada sobressalto, surpresa, medo... mas nada. Aquele olhar...não de espanto, que tantos me avisaram que iria haver, mas um sorriso, que foi desenhando-se lentamente, um sorriso de quem reconhece - ou reencontra - uma velha amiga...a garota olhou para mim, como dizendo que estava tudo bem e que eu já poderia relaxar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Larguei-a na areia perto da água e ela , sem medo algum, como quem corre para um grande amor, imediatamente engatinhou de encontro às ondas...”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-114559130269776351?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/114559130269776351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=114559130269776351' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114559130269776351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/114559130269776351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2006/04/na-barraca-de-seu-biu_21.html' title='Na Barraca de Seu Biu'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-112715782295381143</id><published>2005-09-19T16:06:00.000-03:00</published><updated>2006-04-23T10:21:19.370-03:00</updated><title type='text'>AULAS DE PIANO NA INFÂNCIA</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Esse texto eu escrevi originariamente para o blog do Zog, www.zabumbelia.blogspot.com , como um comentário sobre as aulas de piano que ele também teve, mas eu gostei tanto que copiei pra cá, no blog do Robelix.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, parece que todo mundo tem uma estória sobre o professor de piano. Oscar Wilde dizia que se alguém quizesse se manter jovem pra sempre, era só voltar no tempo e cometer os mesmos erros de novo... mas esse de ter largado o piano foi f... Lembro-me andando pela rua de areia por volta das 3 da tarde, os livros de partitura embaixo do braço. O sol em cima, impiedoso, e embaixo a poeira subindo da minha botinha ortopédica (que cena singela ha ha ha) Nas calçadas ou nos portões das casas, os meninos já começavam a se aglomerar para "tirar o time", ou seja, começar a pelada. E eu empacotado indo para minhas aulas de piano! E aguentar a perturbação dos moleques, hein? "Lá vai ´ela´ pras aulinhas de piano ha ha ha!". O pior era que tinha um rapaz, um tanto quanto delicado, lá de outra vizinhança que vinha praticar piano na igreja lá perto de casa, então já se viu a associação que os moleques faziam...Os livros de partitura até que me fascinavam, com uns desenhos medievais no começo de cada música, engraçado. Mas o professor...Ele era enorme e muito velho, formado na Escola de Belas Artes do Rio, no começo do século! Meu problema com ele era entender o que ele falava (ainda mais com a cabeça no jogo na rua. Dava até pra ouvir a gritaria...). Segundo, e mais grave, era o cheiro de urina das calças dele. Às vêzes eu ficava sem ar, juro. Terceiro, era a metodologia, que associava a duração musical das notas com as fases da lua! Todas as tardes eu tinha que recitar uma ladainha sobre Minguante, Crescente, Minuando etc, etc, o que hoje, quase 40 anos depois, e com alguma experiência musical, ainda não faz sentido algum pra mim! Um dia minha mãe percebendo minha infelicidade, perguntou-me se eu queria fazer uma outra atividade na escola. Eu tinha 8 ou 9 anos de idade e sentia a necessidade de me defender dos malandros na rua. Na escola eles tinham acabado de abrir uma turma de Judô...Bem, hoje em dia, com todo o Judô, continuo indefeso dos assaltos da rua. Em compensação meu conhecimento de piano é ZERO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;PS: Ah, o rapaz que vinha estudar na igreja veio a ser um concertista renomado, com mestrado nos EUA, e por amizade ainda tocou no meu casamento...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-112715782295381143?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/112715782295381143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=112715782295381143' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/112715782295381143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/112715782295381143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/09/aulas-de-piano-na-infncia.html' title='AULAS DE PIANO NA INFÂNCIA'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-112113760875837301</id><published>2005-07-12T00:06:00.000-03:00</published><updated>2005-07-26T11:25:38.313-03:00</updated><title type='text'>Crítica a um Jovem Autor</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/74/5814/320/collage3.jpg"&gt;&lt;img style="border: 2px solid rgb(0, 0, 0); margin: 2px;" src="http://photos1.blogger.com/img/74/5814/320/collage3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Velho Manucrito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;"Era uma vez um menino muito alegre. Era pobre mas muito feliz porque tinha muitos amigos ricos. De cada um recebia dez centavos por dia. Depois de alguns dias seu pai disse que um ladrão tinha fugido da cadeia. Certos dias depois ouve-se um tiro e então o menino correu até no chão. Seu pai ferido, mas muito ferido. O que será ter acontecido ao pai do menino? O ladrão! Grita o menino enfurecido. Então o menino com a arma de seu pai...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt; O Menino chega a casa do ladrão. Manda chumbo BAM, BAM. Aquele menino! BAM,BAM,BAM. Então a polícia ouve os tiros. Muito bem rapaz. Mãos ao alto! Você fez um bom serviço menino. Será recompensado pelo comandante. Finalmente o menino vem para sua casa com uma boa novidade. Então o menino viveu muito mais feliz do (que)já vivia."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt; Antes de partirmos da casa, minha sobrinha me apareceu com esse texto acima: "tio olha o que eu achei nas coisas de vovó". Nas mãos ela tinha uma folha de caderno amarelado, com uns garranchos rabiscados com algum tipo de hidrocor verde. "O menino Alegre", anunciava o título sublinhado. Demos umas boas risadas lendo essa primeira "obra-prima", escrita quando eu tinha uns 7 anos de idade, e bote tempo que esse papel passou guardado! Ela achou que a melhor parte do texto foi justamente quando o narrador diz "Aquele menino", e ela mal conseguia parar de rir. Tudo bem pode rir. Mas depois resolvi dar uma olhada nessa cria que estava largada numa gaveta por uns bons 30 anos, e fazer um crítica ao conto do jovem autor. Descobri muitas coisas obscuras, e no mínimo dignas de repreensão nesse garoto, e olhe que eu nem vou criticar a técnica, mas o conteúdo moral e ético da estória que o pirralha escreveu. Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;   &lt;li&gt;O menino era sustentado por amigos ricos que lhe davam 10 centavos por dia. Isso já parece um pouco estranho, principalmente se formos ver quanto valia 10 cents naqueles idos de 1970 (mesadão?). No decorrer da estória é que esse assunto vai ficar mais claro.&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;O pai era muito informado sobre páginas policiais, ou trabalhava no ramo, pois sabia da fuga de um réles ladrão, que aparentemente não era famoso, senão os seus feitos seriam citados. E porque a importância de dizer isso ao menino?&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Depois de alguns dias o pai é baleado em casa. O menino chega a ouvir o tiro mas quando chega encontra apenas o pai ferido. Ele não viu quem foi, daí a pergunta do narrador "o que será ter acontecido ao pai do menino". De repente ele chega à conclusão que o ladrão que tinha fugido da cadeia era o culpado! Mas como ele chegou a essa conclusão? Eu sinceramente não sei, mas quero crer que houve alguma informação em "off" por parte do pai dele, e que não nos foi relatada. Então o ladrão era alguém que os conhecia, e que por um motivo ou outro queria matar o pai do menino (acerto de contas?). Seria o pai do garoto envolvido com esse tipo de gente? Ou seria ele um policial que mandou o cara para a cadeia, já que o narrador não explica no texto?&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Agora vem a parte que mais me intriga: o menino pega a arma do pai (quer dizer que ele tinha uma arma afinal, hein!), e vai DIRETO PARA A CASA DO BANDIDO! Espera aí! O menino nem sequer chamou o socorro para o pai, e já se despencou em direção à casa do suposto bandido (que eu já desconfio não ser o único vilão nessa estória aparentemente inocente). Quer dizer que ele sabia onde o cara morava? Talvez morasse na mesma vila ou comunidade, quem sabe, mas ele foi direto para lá.&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;De agora em diante vem um mar de atitudes repugnantes e totalmente contrárias aos direitos humanos: a) o menino, que até agora não parece ter provas suficientes, entra na casa do suposto ladrão e o executa com cinco tiros (admirável para esse alter-ego de 7 anos de idade!), com o elogio citado acima "aquele menino" entre o segundo e terceiro tiro! b) Em seguida chega a polícia, que mais uma vez reforça o elogio, usando dessa vez jargão de esquadrões de extermínio, do tipo você fez um "bom serviço"! c) O "Serviço" foi tão bem feito que até o comandante vai recompensá-lo por ter executado alguém sem ter-lhe dado direito a um julgamento justo e direito de defesa. Essa foi boa!&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Enfim esse pequeno monstro social retorna a sua casa mais feliz do que já tinha sido (palavras dele). Após saciar sua sede num banho de sangue, ainda tem o seu trabalho reconhecido pelos que representam o Estado e que deveriam ter protegido o outro que morreu.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Assim começa a ficar mais claro essa estória de ter uma mesada do início do texto, onde provalmente essa criaturinha inocente deveria providenciar fumo ou cocaína aos filhinhos-de-papai, ou era apenas um simples caso de extorsão mesmo...O menino alegre, pois sim!&lt;br /&gt;&lt;/li&gt; &lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-112113760875837301?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/112113760875837301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=112113760875837301' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/112113760875837301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/112113760875837301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/07/crtica-um-jovem-autor.html' title='Crítica a um Jovem Autor'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-111629673699908033</id><published>2005-05-16T23:25:00.000-03:00</published><updated>2005-05-17T20:27:51.380-03:00</updated><title type='text'>Da Janela Lateral</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/74/5814/320/pina4.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: rgb(0,0,0) 2px solid; BORDER-TOP: rgb(0,0,0) 2px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: rgb(0,0,0) 2px solid; BORDER-BOTTOM: rgb(0,0,0) 2px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/74/5814/320/pina4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Praia do Pina e seu antigo Cano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;"Subversão ininterrupta da produção, contínua perturbação de todas as relações sociais, interminável incerteza e agitação distinguem a era burguesa de todas as anteriores. Todas as relações sociais fixas, enrijecidas, com seu travo de antiguidade, veneráveis preconceitos e opiniões, foram banidas; todas as novas relações envelhecem antes mesmo de se ossificar. Tudo que é sólido desmancha no ar; tudo que é sagrado é profanado; e os homens finalmente são levados a enfrentar com um olhar sem ilusões as verdadeiras condições de suas vidas."&lt;/span&gt; (Karl Marx)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei com cuidado, para não tropeçar nas caixas. No canto da sala estavam os velhos bolachões de vinil, juntos aos retratos de santos e antepassados, embrulhados em papel de padaria. Fui para a garagem, onde ainda estava a cadeira de balanço. Fiquei assistindo aos trabalhadores passarem com os móveis, mudo, sem pensar em coisa alguma. Na parede, pintados a lápis-de-cêra, desenhos de minhas sobrinhas, todos com temas de boas vindas para mim, quando retornei de uma ausência de quatro anos. Fiquei rindo de um que mostrava uma placa de proibição, um círculo com uma faixa vermelha atravessada, e no centro da placa, uma mala de viagem. Procurei por um apoio para me balançar, e apoiei a mão na grade de madeira que dava para o quintal. Nas grades, as marcas dos dentes de meu cão, Bandit, feitas trinta anos atrás.&lt;br /&gt;Finalmente alguma coisa começou a se mover dentro da minha cabeça, e a realidade começou a pedir passagem, e me acordar de meu sonho. Tínhamos passado 34 anos ali, e eu sabia que agora era pra valer: tinhamos que deixar o lugar, para que fosse demolido, e desse lugar a mais um arranha-céus de luxo, ou um estacionamento. Os últimos anos eu tinha passado fora do país, e na verdade achava que jamais veria a casa novamente, ou o velho jambeiro na frente. Mas no fim eu tive a chance de chegar a tempo, para despachar o corpo.&lt;br /&gt;Meu pai aproximou-se, com as mãos nos bolsos, e deu uma olhada ao redor. Disse que estava indo ao bar em outra rua, esperar que o caminhão da mudança passasse por lá. Fiquei olhando o velho partir e começei a perambular pela casa. Parei na janela do meu quarto, que estava fechada. Abri lentamente a janelinha que permite visualizar o lado de fora e libera a passagem de ar. Pra meu espanto, no portão estava eu, com mais ou menos uns 10 anos de idade, vindo buscar uma bola de futebol que alguém tinha chutado. Minha respiração ficou suspensa. O que me chocava não era só minha junventude, mas a rua. Ela ainda estava sem calçamento, e meus pés estavam todos sujos. A gritaria dos meninos era também insurportável, e nossa vizinha da frente estava no portão da bela casa dela, ameaçando-nos de rasgar a bola na próxima vez que a bola caísse lá. Mas nós não ligávamos, pois sempre conseguíamos pular o muro e chegar na frente dela. Era incrível como havia crianças brincando naquela rua. Dezenas! Verdadeiras matilhas barulhentas, e sujas da areia da rua. Mas parecíamos tão felizes! Fechei a janela e todo ruído parou. Bem, agora só ouvia o zumbido dos carros, que passavam em alta velocidade para uma rua tão pequena. A rua agora é calçada com pedras e não é possível avistar uma criança num raio de 1km.&lt;br /&gt;Me dirigi ao outro quarto, que tinha a janela aberta para o quintal. Dali costumávamos ouvir o motor dos barcos a diesel dos pescadores, quando entravam ou saiam da baía, como também a gritaria dos garçons que jogavam bola na praia às 4 da manhã. Agora toda a visão que eu tinha era do imponente prédio de luxo plantado bem no nosso quintal. Parecia um pesadelo, ou um conto de ficção científica. De onde teria saído aquele monstro tão alto e forte, bem nos fundos da nossa casa? Parecia que eu agora começava a ouvir um murmúrio, confundido com os martelar incessante dos trabalhadores, algo assim como &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;"o futuro chegou e o passado tem que dar vez e passagem modernizar crescer desmatar construir desapropriar pavimentar aplainar levantar altares a esse deus que se chama modernidade progresso futuro que logo deixam de ser e destruiremos e criaremos o novo de novo novamente novidade novinho em folha"&lt;/span&gt;. Afinal Belchior já não cantava que o novo sempre vem? E aí eu pergunto se ainda é pecado amar o passado. É? &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;"É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O passado agora parecia o porto mais seguro. O ser humano perde toda estabilidade quando ele não tem história, referencial, registros, monumentos, ruas...casas. E eu, que como Fausto, parecia ter vendido a alma em troca de progresso, do novo, de aventura, agora parecia pagar por isso, sendo arrancado do que era velho, mas sólido, rotineiro, mas estável. Estava agora como o doido americano, Withman, que também era encantado com a aventura humana, mas que também caía na real, de vez em quando. Sim, o rotineiro também é necessário e saudável, e há vida nele, se você souber perceber os prazeres das pequenas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;"Wil you seek afar off?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;You surely come back at last&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;In things best known to you finding the best or as good as the best&lt;/span&gt;" (Whitman)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(grosseiramente traduzido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;"Você vai continuar buscando na distância?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Você enfim certamente retorna, nas coisas que você melhor conhece, encontrando o melhor ou tão bom quanto o melhor"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressionante foi a coincidência de tudo isso que estávamos passando, com o ensaio de Marshall Berman "Tudo que é sólido desmancha no ar" que foi inspirado no texto de Marx citado acima. Nele Berman fala de Modernidade e de como o homem se relaciona com esse verdadeiro deus de nossos dias. Ele foi testemunha da destruição do Bronx nos anos 50, para a construção de novas estradas, onde o bairro foi cortado ao meio, com muitas desapropriações e destruição. O bairro se tornou naquilo que conhecemos pelos filmes, mas que antes era um locar de prosperidade, e de vida cultural forte. Na primeira parte do livro ele usa como alegoria o livro de Goethe, Fausto II, que vendeu a alma a Mephisto (o diabo mesmo) em troca de conhecimento e progresso. Nesse livro, Fausto aparece já como administrador da cidade, que agora está obcecada com o progresso. Berman comenta que nessa parte Fausto comete seu primeiro ato de maldade realmente consciente. Após um frenesi de construção por toda parte, ele começa a cobiçar as terras de um casal de velhos, onde ele pretende construir uma torre de observação para ele e os seus, tão alto talvez quanto o prédio de luxo no nosso quintal. Abaixo, várias citações do livro de Berman (em itálico) e de Fausto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Levantem-se da cama, meus servos! Todos os homens!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Deixem olhos felizes contemplar meu plano audacioso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Apanhem suas ferramentas, agitem suas pás e cavadeiras!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;O que foi planejado tem que ser imediatamente cumprido.&lt;/span&gt;(Fausto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Eles iriam esbravejar em vão todos os dias,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Cavar e esburacar, pazada por pazada;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Onde as tochas enxameam à noite,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Havia uma represa quando acordávamos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Sacrifícios humanos sangravam,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Gritos de horror iriam fender a noite,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;E onde as chamas se estreitam na direção do mar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Um canal iria saudar a luz.&lt;/span&gt; (Fausto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Fausto se torna obcecado com o velho casal e sua pequena porção de terra&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Esse casal de velhos devia ter-se afastado,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Eu quero Tílias sob meu controle.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Pois essas poucas árvores que me são negadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Comprometem minha propriedade como um todo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;...Por isso nossa alma se debruça sobre a cerca,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Para sentir em meio à plenitude, o que nos falta&lt;/span&gt;(Fausto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Eles precisam ser afastados para dar lugar àquilo que Fausto passa a ver como a culminação do seu trabalho: uma torre de observação, do alto da qual ele e os seus possam "contemplar a distância até o infinito". Ele ofereçe a Filemo e Báucia uma importância em dinheiro ou sua transferência para outra propriedade. Mas na sua idade, que fariam eles com o dinheiro? E depois de viver a vida aí, como poderiam começar nova vida em outra parte? Eles se recusam a mudar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Resistência e teimosia assim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Frustram o êxito mais glorioso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Até o ponto em que, lamentavelmente, o homem começa a se cansar de ser justo&lt;/span&gt;. (Fausto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, no livro de Goethe os velhos têm a casa queimada e são assassinados. No nosso caso meus pais aceitaram uma modesta idenização e foram despachados às pressas da beira da praia para os subúrbios, bem longe de qualquer cheiro de mar. Embora moremos numa cidade do litoral, morar perto da água é para quem pode pagar R$300.000 por um apartamento, e assim partiram uns dos últimos remanescentes da rua, com seus móveis velhos, para dar passagem ao novo...e aos ricos.&lt;br /&gt;Após peregrinar pelos aposentos da casa, entreguei as chaves de meu carro à minha espôsa, que as recebeu em protesto. Não liguei para o que ela falava e me dirigi também ao boteco na outra rua. Deixei a casa sem olhar para trás, pra não virar estátua de sal da praia do Pina (o que seria melhor idéia...). Juntei-me a meu pai e aos bêbados de plantão, que contavam estórias e piadas, ou se gabavam de um passado mais glorioso. Eu e o velho não falamos mais sobre a casa, ou sobre a vida. Apenas bebemos a vodka dele, e eu minha cachaça com cerveja. Enfim o caminhão e os carros passaram para nos pegar, e assim partimos em direção ao futuro sempre incerto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Cheguei em casa tarde e cansado. No porta-malas do carro estavam meus livros que ainda estavam na casa dos meus pais. Abri a porta para apanhá-los mas não tinha mais coragem de arrumar, ou carregar coisa alguma. No canto, um embrulho retangular e pesado, em papel de jornal. Apalpei com carinho, e abri lentamente. Dentro, um mosaico vermelho, com temas rebuscasdos em branco, arrancado da sala de jantar.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-111629673699908033?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/111629673699908033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=111629673699908033' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/111629673699908033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/111629673699908033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/05/da-janela-lateral.html' title='Da Janela Lateral'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110871232710549952</id><published>2005-02-18T04:14:00.000-03:00</published><updated>2005-03-02T19:39:24.833-03:00</updated><title type='text'>O Sopão do Jung IV (Uma Resposta a Jó)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca pensei que Jung fosse render tanto neste blog, mas vamos lá! Vamos dar uma olhada no livro mais polêmico dele, chamado &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Uma Resposta a Jó&lt;/span&gt;. O livrinho é tido como um dos mais accesíveis, embora o conteúdo tenha causado um rebuliço nos meios intelectuais e eclesiásticos. Diz Jung que ele levou dezenas de anos pra se decidir se escrevia o livro ou não, por tratar-se de uma questão cara a ele, como também tinha medo de ser mal interpretado. Ele alegou várias razões para finalmente editá-lo, entre elas, que muitos de seus pacientes sempre terem pedido que ele escrevesse algo sobre o assunto, como também depois de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aion&lt;/span&gt;, o livro que falava de Cristo, ele precisasse terminar o pacote e falar de Deus pai. Finalmente ele resolveu disparar a metralhadora, e vamos ver onde ele foi parar desta vêz!&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Primeiro, ele diz acreditar que nada do que ele possa dizer, poderá atingir Deus mesmo, se ele existir.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Segundo, ele afirmou que o livro era sobre a ' imagem' que o mundo Ocidental (e Luterano por parte dele), tinha sobre Deus, e que ele não estava tentando fundar uma nova doutrina, ou religião.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Embora ele tenha feito essa declaração acima, no livro muita gente tem a impressão que ele está sendo maroto, ou sarcástico, e que tem muita coisa com sentido dúbio. O livro também é carregado de idéias gnósticas e orientais.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Como no livro anterior, Aion, Jung começa a dissertar sobre o que se passava na psique das pessoas na época em que o livro da bíblia, Jó, foi escrito. Esse livro é, provavelmente, o mais antigo dos livros bíblicos, escrito 500 ou 600 anos AC, antes mesmo de 'Gênesis' , como também as odisséias de Moisés, Davi e os profetas. Então o livro de Jó descrevia ainda um Deus com facetas Politeístas, ou vários deuses em um.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Seriam necessários uns 10 blogs deste pra poder explicar como Jung chegou às conclusões dele, mas segue abaixo os temas principais do livro, que podem soar incríveis pra quem não está acostumado com esse tipo de leitura, mas é o que tá escrito lá, e aperte os cintos!&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Primeiro, o livro de Jó era sobre um homem pedindo a ajuda de Deus contra o próprio Deus! (tem alguém ainda aï?)&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O livro questiona a visão de que, na imagem do Deus ocidental, hoje em dia, só cabe tudo de bom e positivo e justo, e nunca os opostos. Tudo o que for negativo terá que ser EXTERIOR a Deus, ou seja, "fraternalmente" dividido entre o diabo, nós homens, o acaso, ou algo "permitido" por Deus. Mas Jung diz que nem sempre foi assim, e que os cristãos primitivos tinham uma outra idéia de Deus.&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;O livro de Jung alega que Deus criou o mundo involuntarimente, inconscientemente (sem querer mesmo, tipo o nosso "foi mal aí"), talvez num sonho? Isso porque ainda soe (embora seja super natural dentro das igrejas cristãs) incrível que Deus criou o mundo com onisciência (segundo a Bíblia), sabendo que ao longo dos anos iria matar e mandar para o fogo eterno, literalmente, mais de 99,9% da criação humana, seja com água, fogo, ou guerras mundiais, daí ficar melhor acreditar que somos um "acidente", senão da natureza, de Deus.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Ele diz que, no livro de Jó, Lúcifer não tinha caído dos céus ainda, e que ele tinha livre acesso a Deus. Assim, em todas reúniões de cúpula, ía lá satã fazer "inferninho" (sem sacanagem) com o coitado do Jó. O diabo então provoca Deus a lançar desgraça sobre desgraça sobre Jó, como formar de "provar" a fidelidade do homem. Jó da parte dele não podia ser mais justo, fazendo o que um ser humano imperfeito podia pra agradar a Deus. Mas não teve jeito, e Jó começou a perder tudo que tinha, de colheitas a filhos, e riquezas, como também arranjar um monte de doença.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Após Jó passar no "teste", ele foi "premiado" pra receber tudo que tinha perdido, em dobro, embora os filhos mortos não retornassem das tumbas...&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Segundo Jung, algo de errado acontece na administração central do céu, ou do roteirista do livro de Jó, onde o vilão (Satã) consegue sair de fininho (ninguém fala mais dele), e ficam na estória apenas um Deus que parece ter sido enganado a fazer sofrer um justo, e o próprio Jó. Daí surgirem as especulações de que, ou Deus reina pela mão do diabo também, ou houve um "arrumadinho", ou esquema pra protejer o filho torto dele.&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Já partindo para o final do livro de Jó, Deus resolve ir falar pessoalmente com Jó. Pra surpresa de todos ele não vai lá pra consolá-lo, mas dá um tremenda lição de moral no cara, e ainda apareceu por lá com todo o aparato de um Deus poderoso, entre raios e trovões e voz retumbante, e de maneira intimidadora. Jó parece não estar surpreso, e fica quietinho sem tentar argumentar, pois sabia que a "chapa dele tava quente". Ele também sabia que aquele Deus era bem "esquentado", que qualquer vacilo e ele viraria pó num segundo. Então a quem recorrer quando você está sendo vítima de Deus, senão recorrer ao próprio Deus por ajuda? Foi o que Jó fez se humilhando, embora ele fosse o único certo nessa estória.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;   &lt;li&gt;Mas a frente, no livro de Jung, ele vem com o desfecho que realmente causou furor. Ele explica que Deus percebeu que tinha sido injusto com Jó, e que precisava dar um resposta a ele. A resposta foi encarnar na figura de um homem, para que dessa forma o dano pudesse ser reparado, e "&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Deus, não o Homem, pudesse ser redimido&lt;/span&gt;!" Agora durma com um barulho desses!  &lt;/li&gt;    &lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110871232710549952?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110871232710549952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110871232710549952' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110871232710549952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110871232710549952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/02/o-sopo-do-jung-iv-uma-resposta-j.html' title='O Sopão do Jung IV (Uma Resposta a Jó)'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110861757314036839</id><published>2005-02-17T01:13:00.000-03:00</published><updated>2005-02-27T14:31:32.073-03:00</updated><title type='text'>O Sopão do Jung III (O Oriente e o Ocidente)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os teólogos não poderiam pedir mais de um homem secular, das ciências. No mundo de Jung havia bastante espaço para o sagrado, e até para Deus, embora Jung fosse provavelmente ateu. Apesar de originariamente ser protestante, ele sempre fez muitas concessões à Igreja Católica. Ele considerava o mundo protestante bastante 'estéril', em termos de imaginação e simbologia, a começar das paredes das igrejas, desprovidas de qualquer imagem, mistério, de 'espanto' por um Deus que deveria ser terrível e incomensurável. Por outro lado, ele considerava os católicos como os verdadeiros herdeiros do cristianismo, e que tinham pelo menos Maria como uma verdadeira representante da Anima, a famosa representação feminina no inconsciente masculino; mais um arquétipo. Ele também geralmente aconselhava os pacientes a se manterem na religião dos pais deles, que não fizessem ruptura alguma, o que ele considerava mais saudável para a vida psiquíca, daí não ser espanto o fato dos livros dele serem editados no Brasil pela Vozes, uma editora católica.&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Jung também chamou a atencão do Ocidente para as filosofias e religiões orientais. Ele via um paralelismo tremendo entre a psicologia dele e as técnicas de meditação de ioga, como também o Budismo. A busca pelo ' Nirvana' era, para ele, nada mais do que a busca pelo auto-conhecimento do sistema dele. Como não conseguia deixar de ser polêmico, também escreveu sobre o "Livro dos Mortos" dos bardos, onde o vivos aprendiam o que fazer logo após a morte. Jung considerava a 'estrela' do sistema dele, o &lt;strong&gt;Inconsciente&lt;/strong&gt;, como um mar inteiro a ser conquistado, enquanto que a parte consciente do ser humano era apenas uma ilha no oceano. A atitude Oriental de introversão era muito interessante para ele, que achava-a mais adequada ao auto-conhecimento. Mas ele sempre fez questão de ressaltar que a prática de religões orientais pelo homem ocidental, ou meditação, tipo Ioga, eram, no mínimo desajeitadas, e não muito apropriadas. Ele achava que a bagagem ocidental era pesada demais pra se livrar assim facilmente, e que ningúem jamais se livraria dela sem artificialismos. Certamente ele foi testemunha do interesse e modismo, até hoje, pelo pensamento oriental, geralmente com uma abordagem rasa, sem a experiência e a visão do mundo de um oriental.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Os alquimistas medievais também entraram nos livros dele (tinha espaço pra todo mundo!). O caso dele com os velhinhos da idade média, é que eles não só tentavam transformar qualquer metal em ouro (o que ele considerava mais lenda do que tudo), como também eram parte de grupos gnósticos, de procura do conhecimento. Os caras também foram os primeiros químicos e predecessores dos cientistas modernos. Mas não era só a questão do alquimistas serem gnósticos (Gnose=Conhecimento), ou seja, aquela mistura do criolo doido entre filosofia, religiões 'pagãs', ou para-cristãs, e por aí vai. Jung também achava que o manusear dos metais, elementos, do fogo, fusão etc eram uma alegoria da busca pelo auto-conhecimento, da introspecção, da projeção do inconsciente, e sai da frente.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Havia também muito espaço para os considerados heréticos pelo cristianismo, e ele mergulhou fundo nos evangelhos gnósticos, como também no misticismo cristão da idade média. Tudo isso ele fez em busca de simbologias, arquétipos, comportamentos, e de entender como Deus era visto em diferentes épocas e culturas.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Toda essa bagagem e esse 'fuçar' em livros escritos em linguagens mortas, como pesquisar as muitas facetas psicológicas de diversos povos, culturas, levaram-no a escrever livros complexos, cheios de referências em Latim, gravuras antigas, muita Arte, e muita história da religião. Ele não tinha dificuldade, ou constrangimento algum em mexer em vespeiros, levantar pedras cheias de cobras embaixo, num eruditistmo impressionante.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Já no fim da carreira, escreveu dois livros bombásticos, onde ele mexia numa verdadeira casa de abelhas: o aspecto psicológico da imagem, ou arquétipo, de Cristo, no livro "&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aion&lt;/span&gt;", onde ele tenta mostrar o porquê do sucesso do cristianismo, surgido no ápice da manifestação, no 'Inconsciente Coletivo' dos povos, do "deus que se torna homem", e vai ao 'Inferno' (Inconsciente) por três dias para resgatar a alma de todos. O livro foi um verdadeiro coquetel molotov nos meios eclesiásticos, e mal a Igreja tinha se recuperado, ele veio com o segundo livro, chamado " &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Uma Respota a Jó&lt;/span&gt;", onde ele, desta vez, põe na berlinda a imagem de Deus segundo o cristianismo!&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Na próxima postagem, uma pincelada nesse segundo livro que causou tanta polêmica. Leia por sua conta e risco!&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110861757314036839?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110861757314036839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110861757314036839' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110861757314036839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110861757314036839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/02/o-sopo-do-jung-iii-o-oriente-e-o.html' title='O Sopão do Jung III (O Oriente e o Ocidente)'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110860106626688872</id><published>2005-02-16T21:43:00.000-03:00</published><updated>2005-02-27T14:38:35.786-03:00</updated><title type='text'>O Sopão do Jung II (sincronicidade)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro virou até título de disco de Sting: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Syncronicity&lt;/span&gt;! Uau, que palavra bonita danada! Sobre o que será esse livro, ou melhor, o disco do Sting! O livro foi escrito na maturidade do grande Psiquiatra-Filósofo (outros diriam senilidade, mas a galera não 'aliveia' mesmo), nos anos 50. Para o inglês foi traduzido como “&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Syncronicity: an acausal connecting principle&lt;/span&gt;”, e pra ser explicado num blog, ou seja, feito caldo de cana, eu diria logo que ele tentou provar que existem “&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;coincidências com significado&lt;/span&gt;”, ou dois fatos que acontecem ao mesmo tempo, onde um não foi causado pelo outro, embora tenham um significado só, um reforçando, ou afirmando o outro. Simples pra caramba! Agora vai explicar e desenvolver pra você ver o que é bom pra tosse! De saída também, vou logo dizendo o que os críticos dizem: que a mente humana, quando quer, encontra significado pra tudo, e tem a tendência de apenas lembrar as coincidências, e esquecer os muitos desencontros e falta de significado algum na vida. Pra esse negócio eles deram até nome de doença, e quem quiser que dê uma pesquisada: 'Apofenia', ui! Mas voltando pra Jung, o interesse dele pelo livro da sabedoria chinêsa, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;I-ching&lt;/span&gt;, tinha a ver com essa busca de significados na vida: o ser humano, as varetas jogadas na sorte, o cosmo, e o texto do oráculo,juntos, todos estavam em ‘sincronia’, e o resto era só achar o significado daquilo tudo, indicado no texto do livro.Claro que tudo isso dá margem pra um bocado de interpretação e distorção também, por que não. No mesmo livro sobre '&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sincronicidade&lt;/span&gt;', acontece a pesquisa dele com Astrologia, que falei na postagem anterior, e não é leitura pra os fracos de espírito! A pesquisa envolve algumas centenas de casais, com diversos tipos de signos, combinações, ascendentes etc, com várias tabelas ininteligíveis pra qualquer um com um cabelo de sanidade! Mas eu sempre volto pra Jung quando começo a ter sonhos e viver coincidências nessa vida a fora, mas no fim eu não consigo achar o significado disso tudo. Tempos atrás passei a noite sonhando com tubarões, e nem tinha um bicho pra fazer uma fezinha. Pela manhã fui a praia e, enquanto degustava umas geladinhas, comentei com os amigos sobre os sonhos. Não deu meia hora e apareceu um tubarão morto, boiando a poucos metros da praia!!! Danou-se! Corremos pra pegar o bicho, mas os salva-vidas que faziam a ronda na praia, chegaram primeiro de Jet-ski! Ficamos um bom tempo tentando decifrar o significado daquilo tudo, o que aumentou bastante o consumo de cervejas, pra alegria do barraqueiro! Agora me dê uma explicação pra essa relação ‘acausal’ entre meu sonho e o tubarão morto, que eu te pago uma cerveja da sua preferência! Mas a idéia tem um apelo forte, e sugere que esse mundo tem explicação, e que as coisas não estão tão soltas assim, sem sentido. Bom pra quem acredita... Bem cada um faça o melhor uso da sincronicidade. Eu pelo menos ainda gosto pra caramba daquela faixa do disco “Every breath you take, every move you make....Oh can’t you see you belong to me”!!!!. Na próxima vamos de religiões orientais e Alquimia!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110860106626688872?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110860106626688872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110860106626688872' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110860106626688872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110860106626688872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/02/o-sopo-do-jung-ii-sincronicidade.html' title='O Sopão do Jung II (sincronicidade)'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110859859018866946</id><published>2005-02-16T21:01:00.000-03:00</published><updated>2005-02-27T14:44:42.366-03:00</updated><title type='text'>O Sopão do Jung</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro do cara passou uns 20 anos lá na prateleira da casa de meus pais. Chamava-se &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O Homem e Seus Símbolos&lt;/span&gt;. Era um livro com encadernação luxuosa, cheio de figurinhas e fotografias. Legal. Quando eu estava beirando os 30, em crise existencial, seja lá o que for isso, eu resolvi dar uma folheada naquele livrão, que até parecia trazer alguma explicação pra minha sonhadoria assombrada de todas as noites, e alucinações etílicas também. Rapaz, eu não sei se encontrei alguma resposta no livro, não, mas eu garanto que era muito mais divertido do que ler O Senhor dos Anéis! O cara tinha uma imaginação impressionante, e não escrevia pra fazer graça pra ningúem, garanto. Esse livro tinha sido escrito pra o público leigo, e foi o último que ele escreveu. O livro era uma introdução ao pensamenteo dele, bem mastigado. Acabei tomando gosto por esse tipo de leitura, e parti pra ler outros mais difíceis dele, dos quais eu entendia 10 páginas em cada 1.000, mas eu gostava, sei lá, eu acho que não sou muito normal mesmo... Às vêzes lia bêbado pra ver se ficava alguma coisa subliminarmente, hum...nunca funcionou ha ha ha (ou não)! Mas se eu escrevesse um “Guia para Idiotas”, escrito por outro, seria mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Carl Gustav Jung (um bom nome pra gatos) nasceu lá pela Suiça no fim do século XIX. Era de uma família de pastores luteranos, pai e avô. Dizia a lenda, que talvez ele mesmo propagasse, ser ele descendente do maior escritor alemão de todos os tempos, Goethe. Bem, o pai era pastor, mas a mãe fazia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;seánces&lt;/span&gt; nas barbas do velho, quando este partia em algum trabalho pastoral. Então o menino ia pra igreja nos domingos, vivenciando uma religião protestante e dura, enquanto durante a semana frequentava reuniões espíritas, que começavam a florecer na Europa e EUA. Ele confessou várias vêzes, nos livros dele, ter um medo terrível do Deus cristão, mas se sentia atraído pelas 'experiências' espiritualistas. Muitos psicólogos da época também se interessaram por essas ‘experiências’ paranormais ou 'do além', mas geralmente se decepcionavam quando isolavam os médiuns, ou pacientes, e descobriam que a turma gostava mesmo era de pregar uma peça na ingenuidade dos outros, ou tinham problemas patológicos mesmo. Jung sempre afirmou categoricamente que não acreditava que eram espíritos que falavam pela boca dos outros (e até ficava mal pra um cientista entrar numa dessas), mas certamente a curiosidade foi atiçada por esse universo de transes, vozes, e comportamentos além da explicação. Também aprendeu Latim aos 8 anos de idade, o que o ajudou bastante nas pesquisas em livros antigos sobre religião, gnose, alquimia e filosofia.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Os grandes temas, que ele desenvolveu ao longo de seu muitos livros, foram os ‘Arquétipos da Humanidade’, o ‘Inconsciente Coletivo’, o papel do Inconsciente e sua influência &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sobre&lt;/span&gt; o Consciente (umas das primeiras fissuras com a amizade de Freud), e a busca árdua em conhecer esse ‘Inconsciente', o que no final levaria a pessoa ao processo de ‘Individuação’. O ser humano seria um ‘Indivíduo’ (completo e em equilíbrio), quando mergulhasse e entendesse esse misterioso ‘Inconsciente’, que era tão ativo e ‘inteligente’ quanto o mais famoso ‘Consciente’. Aquele ‘Inconsciente’ também se comunicava com o ‘Consciente’ através de mensagens criptografadas, principalmente através dos sonhos e dos símbolos. Se não foi ele quem criou essas idéias, certamente elas ficaram marcadas como algo “jungiano”. Nunca ficou bem claro pra mim ( e acho que pra um bocado de gente), o que ele queria dizer com &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;arquétipos&lt;/span&gt;. Se eram representações mentais, imagens, de dados biológicos inerentes a todo ser humano (DNA mesmo), ou um herança espiritual da humanidade (abrindo margem pra o misticismo e obscurantismo de que era tão criticado). No sopão do Jung então, de repente, um monte de gente sentiu que dava pra usar as teorias dele pra alguma coisa, principalmente os religiosos e teólogos, já que entre os arquétipos havia uma boa chance de se encaixar Deus no esquema, como uma idéia inerente à maioria da humanidade, assim como imortalidade, entre outras.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Mas desde o começo ele também ficou famoso por desenvolver uma prática de consultório, onde o paciente era estimulado por uma palavra, e tinha que responder com a primeira que viesse à mente. Com isso, segundo ele, o médico poderia descobrir, ou ter uma idéia do 'complexo', ou 'constelação arquetípica' (vai que é mole) do paciente. Quem nunca chamou alguém de ‘complexado’ que atire a primeira pedra! Você já era jungiano e não sabia!&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Também ficaram famosos nos livros dele os 'Tipos Psicológicos', hoje tão propagados por qualquer Lair Ribeiro da vida: o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Introvertido&lt;/span&gt; e o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Extrovertido&lt;/span&gt;, cada um com uma maneira peculiar de enxergar a vida. Essa talvez seja a contribuição mais permanente dele hoje em dia, difícil de derrubar.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Nos primeiros anos do século XX, inicia-se aquela que seria uma verdadeira amizade de Titãns, entre ele e Freud. Por incrível que pareça, Jung era mais conhecido nos meios médicos da Europa do que o fundador da psicanálise, que ainda era considerado obscuro, e conhecido apenas nos círculos de Viena. Eles tinham um verdadeira admiração um pelo outro, e trocaram centenas de cartas e idéias. Freud o admirava como filho (ou paixão mesmo?) e tinha em Jung o cara com a capacidade intelectual para levar o bastão a frente.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Lá pelas tantas, Jung achou que o velho Freud tava numa de dogmatizar (palavras de Jung), tentando amarrar alguns pontos sem nó da teoria freudiana, principalmente os da sexualidade, traumas infantis, édipo etc, com 'verdades inquestionáveis', inaceitáveis para um cientista (do tipo "é assim porque tem que ser assim"), tudo em nome de uma estabilidade maior no sistema de pensamento dele.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Freud, por outro lado, acusou Jung (com certa razão) de seguir por um caminho não científico e místico, e que estava 'viajando na maionese'. De tanto ler Jung, eu só conheço a versão dele, que dizia que o ser o humano era complexo e rico demais, que a vida era grande demais, pra você ter medo de arriscar, e até mergulhar no vácuo, ser fosse preciso, se houvesse a mínima chance de acertar. Ok. Isso não quer dizer que no final, como o acusam, ele não tenha criado uma estória mais rica que a de Harry Potter! O ser humano é capaz!&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Assim, já no fim da vida, o velho Jung atirou pra todos os lados, sem medo de perder a reputação de cientista, ou coisa que o valha, tipo tentar provar que a astrologia tinha fundamento (o que ele chegou a conclusão que não), depois de uma porrada de experimentos com centenas de pessoas, com mapas astrais meticulosamente traçados por especialistas etc. No fim, numa parte maçante do livro, ele chega a conclusão que não chegou a conclusão alguma, mas o velho tentou pra cacete, sem medo de ser feliz. Também tentou a mesma coisa com o I-ching, e chegou a conclusão que o negócio funcionava pra ele, embora tivesse um bocado de gente que não concordasse, mas ela não tava nem aí. Nas próximas postagens Robelix vai dar uma olhada nos temas mais populares dele (viraram cultura POP mesmo), ou seja, a ‘Sincronicidade’, Alquimia, e a aproximação com as religiões e filosofias orientais. Vai na bola!&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110859859018866946?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110859859018866946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110859859018866946' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110859859018866946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110859859018866946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/02/o-sopo-do-jung.html' title='O Sopão do Jung'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110821887384085084</id><published>2005-02-12T10:13:00.000-03:00</published><updated>2005-02-27T08:11:32.243-03:00</updated><title type='text'>Mais sobre música e bar (A Turma do Funil)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recebi hoje o comentário inaugural desse blog meio desorientado! O prezado leitor questionou o meu esquecimento da música "Garçon" de Reginaldo Rossi, no texto sobre Renato Teixeira. Eu tive até um frio na barriga, pois a coisa era caso justificado para fuzilamento no paredão do Forte das Cinco Pontas, no Recife, onde morriam os considerados traidores deste Pernambuco nosso! Sim, porque aqui temos muito orgulho das nossas coisas boas (embora façamos um vista grossa terrível pra os nossos defeitos!). Eu adoro a frase que diz que não nos pronunciamos pernambucanos, pelo mundo afora, para não constranger e humilhar os outros! Depois de ficar "matutando" um pouco na letra do Rei Reginaldo, cheguei à conclusão de que a música é boa pra caramba (umas das minhas favoritas ), embora mostre apenas um lado, dos muitos, dessa coisa de bar, ou seja, é música de "roedeira", "dor de cotovelo", "é gaia", e por aí vai. O cara foi rejeitado, levou um pé na bunda, e foi pro bar alugar o garçon e beber até "esborrar pelas oreia", perfeito! Há também duas ótimas linhas que ele diz: uma é "&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;que no bar todo mundo é igual"&lt;/span&gt; (eu ia até acrescentar "alcoólatra", mas aí é sacanagem).  Outra é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;"que pra matar a tristeza só mesa de bar"&lt;/span&gt;. Melhor do que qualquer terapia ou comprimido, sem dúvida. Mas pra não correr mais riscos, dei uma olhada por aí na web, e pesquisei alguns caras que escreviam música pra cacete, e que bebiam "socialmente", que dizer, todos os dias, acompanhados de, pelo menos, mais um ser humano, ou seja, o dono do bar, o garçon, ou qualquer pinguço que viesse pedir uma bebida: Vinícius, Chico e Tom. A pesquisa foi rápida, que esse negócio de ser blogueiro toma um tempo miserável, mas no meio de coisas belas que achei, que falavam de bar, eu dei de cara com aquela preciosíssima "A Turma do Funil". Meus olhos até marejaram, juro, que poesia! Aquilo não é música pra se comentar num blog, mas escrever um livro! Aquela sim, era uma boa concorrente à de Teixeira, pois mostra um lado mais amplo, como também alegre e irresponsável da experiência de bar. Só um destaque para o verso que diz "&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Eis que da porta do fundo, do oco do mundo, desponta o cordão&lt;/span&gt;..."&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.  &lt;/span&gt;Achei demais esse anúncio, essa espectativa em torno dos heróis mitológicos que estão para entrar no recinto&lt;font&gt;,&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;como num Maracanã lotado e os fogos de artifício explodindo, e o time subindo as escadas dos vestiários, e pisando no gramado&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;. Chegou a Turma do Funil!&lt;/span&gt; E eu que tenho essa gravada por Elizete Cardozo! Ainda vou dar uma olhada, por esses dias, ver se encontro umas gravações de músicas irlandêsas de bar, se tem alguma boa por lá. Eu vou até parar por aqui que minha língua tá ficando seca, colando no céu da boca, salute!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;Turma do Funil&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Composição: Antonio Carlos Jobim / Chico Buarque / Mirabeau/Oliveira/Castro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando é tão densa a fumaça&lt;br /&gt;Que o tempo não passa&lt;br /&gt;E a porta do bar já fechou&lt;br /&gt;Quando ninguém mais tem dono&lt;br /&gt;O garçom tá com sono&lt;br /&gt;e a primeira edição circulou&lt;br /&gt;Quando não há mais saudade, nem felicidade&lt;br /&gt;Nem sede, nem nada, nem dor&lt;br /&gt;Quando não tem mais cadeira&lt;br /&gt;tomo uma besteira de pé no balcão&lt;br /&gt;Eis que da porta do fundo&lt;br /&gt;Do oco do mundo&lt;br /&gt;Desponta o cordão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a turma do funil&lt;br /&gt;Todo mundo bebe&lt;br /&gt;Mas ninguém dorme no ponto&lt;br /&gt;Ah, ah!&lt;br /&gt;Mas ninguém dorme no ponto&lt;br /&gt;Nós é que bebemos&lt;br /&gt;e eles que ficam tontos, morou&lt;br /&gt;Eu bebo sem compromisso&lt;br /&gt;É o meu dinheiro&lt;br /&gt;Ninguém tem nada com isso&lt;br /&gt;Enquanto houver garrafa&lt;br /&gt;Enquanto houver barril&lt;br /&gt;Presente está a turma do funil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110821887384085084?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110821887384085084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110821887384085084' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110821887384085084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110821887384085084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/02/mais-sobre-msica-e-bar-turma-do-funil.html' title='Mais sobre música e bar (A Turma do Funil)'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110747403689213793</id><published>2005-02-03T20:40:00.001-03:00</published><updated>2011-03-24T02:24:34.197-03:00</updated><title type='text'>Hino da mesa de bar</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/216/3344/320/renato_teixeira.jpg"&gt;&lt;img border="0" src="http://photos1.blogger.com/img/216/3344/200/renato_teixeira.jpg" style="border-bottom: #000000 1px solid; border-left: #000000 1px solid; border-right: #000000 1px solid; border-top: #000000 1px solid; margin: 2px;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renato Teixeira&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em "&lt;strong&gt;SENTIMENTAL EU FICO&lt;/strong&gt;", Renato Teixeira escreveu o hino definitivo da mesa de bar. Pra completar, a música foi gravada por Elis Regina no disco "Elis", ainda com a participação do marido César Camargo Mariano nos arranjos e piano. No mesmo disco, outra música de Teixeira, "Romaria", foi gravada, e se tornou num sucesso nacional. "Romaria" foi tão tocada nas rádios que acabou por ofuscar as outras músicas do disco. Eu diria até que esse verdadeiro "credo apostólico boêmio", que é a música "Sentimental", acabou caindo na obscuridade, mas é uma música que ainda surpreende pela sabedoria boêmia, cantada com um pouco de ironia fina, mas de saudosismo também pelos "grandes projetos tolos e combinados que perecem com a luz da manhã", ou " quando sento na mesa de bar eu sou um lobo cansado e carente de cerveja e de velhos amigos". Toda vez que ouço esse verso "carente de cerveja", me dá uma secura imediata na garganta, e beber alguma coisa se faz necessário! Destaque também para essa parte do 'credo' dos 'Alcóolatras Com Um Pingo De Juízo', onde diz que mesa de bar é pra se encontrar a 'manguaça' e, TAMBÉM, os AMIGOS. É lugar de diversão e de loucura, mas também solo sagrado, ou melhor, 'toalha de mesa sagrada' , de grandes papos, e de construir grandes amizades, como diria o Poetinha (com maíuscula mesmo) Vinícius: &lt;em&gt;nunca fiz um amigo numa leiteria!&lt;/em&gt; A música é genial em todas as linhas e tiradas, e ficaria difícil, e longo, discutir uma por uma, mas certamente Renato Teixeira tinha conhecimento de causa quando a escreveu, ou então ele é mais gênio do que eu pensava! Um último destaque, que remete para a discussão postada abaixo "Mr Zimmerman II", onde Teixeira falou quase a mesma coisa que Bob no meu sonho: (você tem que ter) "um olho em Deus, o outro com Satã". Será que ele andou tendo os mesmos sonhos, eu hein? Ele sempre vai ser conhecido por "Romaria", "Amanheceu, peguei a viola", e outras, mas pra o blog do Robelix, "Sentimental Eu Fico" vai ser sempre sua obra-prima!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sentimental Eu Fico - Renato Teixeira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sentimental eu fico&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando pouso na mesa de um bar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou um lobo cansado carente&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De cerveja e velhos amigos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na costura da minha vida mais um ponto&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No arremate do sorriso mais um nó&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui pra nós cantar não tá pra peixe&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tem coisa transformando a água em pó&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E apesar de estar no bar caçando amores&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu nego tudo e invento explicações&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amigo velho amar não me compete&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero é destilar as emoções&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sentimental eu fico . . .&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E os projetos todos tolos combinados&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perecerão nas margens da manhã&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma tontura solta na cabeça&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um olho em Deus e outro com satã&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E quando o sol raiar desentendido&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu vou ferir a vista no amanhã&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E olharei para quem vai pro trabalho&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com os olhos feito os olhos de uma rã. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110747403689213793?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110747403689213793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110747403689213793' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110747403689213793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110747403689213793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/02/hino-da-mesa-de-bar.html' title='Hino da mesa de bar'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110723406911767013</id><published>2005-02-01T02:01:00.000-03:00</published><updated>2005-02-04T10:54:27.350-03:00</updated><title type='text'>Morre Luizão Maia</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/216/3344/320/luizao.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/216/3344/200/luizao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mestre Brasileiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Morreu nesse fim de semana, em Tóquio, um dos maiores baixistas brasileiros de todos os tempos. Já se passaram dois dias e, até então, nem uma notinha na imprensa brasileira, embora eu já tenha visto no Uol que o gringo do baterista Capaldi faleceu no mesmo dia! Triste sina essa de ser brasileiro e instrumentista ao mesmo tempo, que ironia! Quanto melhor você for, menos lembrado serás, e se inventas de tocar um tal de contrabaixo, que as pessoas geralmente perguntam "o que é que aquele outro guitarrista está fazendo no palco, que eu não ouço nada", aí é que a coisa complica. Fico imaginando, quando uma dessas cantoras baianas morrerem, se vamos ter luto oficial e bandeira a MEIO PAU BROCHADO! Luizão começou a tocar nos meados dos 60 e foi o precursor e mestre maior do samba no baixo elétrico. Tocava de maneira percussiva, como se fosse um bumbo, uma verdadeira patada nos coitados dos instrumentos que ele tocava. Em pouco tempo, se tornou o número um dos estúdios brasileiros, e veio a tocar, praticamente, em todos os discos clássicos da música brasileira até os anos 90, a começar pelos de Elis Regina, com quem passou 13 anos trabalhando, especialmente "Tom e Elis". Foram mais de 1.000 participações em gravações, e muito mais em shows e excursões ao exterior. Ele também era tio de Artur Maia, outro bamba do baixo (Djavan, Gil e Bosco, entre outros) que é quem está em Tóquio tentando fazer o translado do corpo para o Brasil. Saudade Luizão! Abaixo, uma "listinha" do pessoal com quem ele gravou ou tocou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tom Jobim, Elizeth Cardoso, Cartola, Elis Regina, Clara Nunes, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Nara Leão, Nélson Cavaquinho, Roberto Ribeiro, João Nogueira, Beth Carvalho, Alcione, Maria Creuza, Emílio Santiago, Simone, Gal Costa, Maria Bethânia, Nana Caymmi, Quarteto em Cy, Luiz Bonfá, João Bosco, Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Marcos Valle, Chico Buarque, Toquinho, Oscar Castro Neves, Rosa Passos, Lee Ritenour, Toots Thielemans, George Benson, Wayne Shorter, Lisa Ono , entre outros, num total superior a mil gravações realizadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110723406911767013?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110723406911767013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110723406911767013' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110723406911767013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110723406911767013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/02/morre-luizo-maia.html' title='Morre Luizão Maia'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110723071649285637</id><published>2005-02-01T01:03:00.000-03:00</published><updated>2006-05-27T18:44:12.493-03:00</updated><title type='text'>Claudinha Telles (Final)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Essa semana mandei pra Claudinha Telles o restante das fotos que minha mãe tinha no álbum velho. Eram fotos que Menescal não aparecia, pois era ele quem estava fotografando. A resposta dela me deu um frio na barriga, porque ela não só agradeceu e colocou as fotos no blog oficial dela, como publicou também o e-mail que eu escrevi , na íntegra, e o e-mail não era o que se poderia chamar de um telegrama, que eu tava com vontade de escrever, e eu até achei que ia encher o saco, mas... O frio na barriga foi porque eu nunca tinha escrito pra tanta gente, sem saber, mas foi legal ler os comentários que já começaram a aparecer. Uma experiência interessante. O blog dela é &lt;a href="http://claudiatelles.festim.net/archives/2005_01.html"&gt;http://claudiatelles.festim.net/archives/2005_01.html&lt;/a&gt; , e vale a pena dar um conferida. Lá tem notícia de gente que tava sumida por uns tempos, como Sá, Rodrix e Guarabira, que voltaram a fazer shows no Rio, muito bom!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110723071649285637?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110723071649285637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110723071649285637' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110723071649285637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110723071649285637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/02/claudinha-telles-final.html' title='Claudinha Telles (Final)'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110710963172299696</id><published>2005-01-30T14:24:00.000-03:00</published><updated>2005-02-04T11:36:47.363-03:00</updated><title type='text'>Mr. Zimmerman II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bob veio a mim num sonho, e explicou tudo direitinho sobre a questão da música pra Lenny Bruce: "é muito simples", ele me explicou com aquele inglês ininteligível dele. Lenny e Jesus são um só. Os dois pensavam além do tempo deles, quebraram regras, escandalizaram e desmascaram a hipocrisia da sociedade da época. Por isso, continuou, foram banidos, perseguidos, presos, julgados, condenados e mortos, injustamente, pelos que detinham o poder. Simples. Poxa, Bob, com você explicando fica até fácil! Eu ainda perguntei se não era uma contradição ele, Bob, ter se bandeado justamente pro lado daqueles que condenaram Lenny, e seguiam a Jesus apenas na fachada. Ele foi inclusive batizado numa igreja batista, por imersão total num tanque e tudo mais, mas ele desconversou e começou uma longa estória rápida e desenfreada &lt;strong&gt;" sobre opostos contrastes antagonismos ying e yang Jung budismo etc que minha cabeça começou a doer dizendo que se você quiser conhecer a Deus você tem que entender essa estória direitinho e parar com essa de procurar um Deus que é só 'bondade' mas 'maldade' também 'justiça' e 'injustiça' e por aí vai sempre contendo os opostos que são o símbolo da perfeição da plenitude sentar no colo do diabo e brincar e num minuto correr de volta pros jardins de Deus Amem!"&lt;/strong&gt; Eram 4 da manhã, e eu não tive nem tempo de abrir a boca de novo, pois ele já me disse que tinha que partir, pois tinha que ordenhar duas vaquinhas na fazenda dele, e partiu cantarolando algo que eu não reconheci, com um palitinho de dentes no canto da boca! Depois que acordei fiquei achando que, naquele sentido, o disco não era tão contraditório assim. Fui ver a letra de novo, só que desta vez coloquei o nome de Jesus onde tinha Lenny Bruce, e a charada se desfez, na maior parte da música, de uma maneira impressionante. No fim pelo menos eu estava certo quando achei que a música parecia um hino, porque era mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jesus Christ is dead but his ghost lives on and on&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Never did get any Golden Globe award, never made it to Synanon.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;He was an outlaw, that's for sure,More of an outlaw than you ever were.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Jesus Christ is gone but his spirit's livin' on and on.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Maybe he had some problems, maybe some things that he couldn't work out&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;But he sure was funny and he sure told the truth and he knew what he was talkin' about.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Never robbed any churches nor cut off any babies' heads,&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;He just took the folks in high places and he shined a light in their beds.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;He's on some other shore, he didn't wanna live anymore.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Jesus Christ is dead but he didn't commit any crime&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;He just had the insight to rip off the lid before its time.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;I rode with him in a taxi once, only for a mile and a half&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Seemed like it took a couple of months.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Jesus Christ moved on and like the ones that killed him, gone.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;They said that he was sick 'cause he didn't play by the rules&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;He just showed the wise men of his day to be nothing more than fools.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;They stamped him and they labeled him like they do with pants and shirts,&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;He fought a war on a battlefield where every victory hurts.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Jesus Christ was bad, he was the brother that you never had. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.columbiarecords.com/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110710963172299696?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110710963172299696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110710963172299696' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110710963172299696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110710963172299696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/mr-zimmerman-ii.html' title='Mr. Zimmerman II'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110704673084038165</id><published>2005-01-29T21:39:00.000-03:00</published><updated>2005-01-29T23:35:47.640-03:00</updated><title type='text'>Mr. Zimmerman</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Passei a manhã ouvindo seu Dylan a cantar. Tive a chance de vê-lo em Atlanta no ano passado e foi coisa pra não mais esquecer. Casa lotada, e eu em pé perto do palco pra ver o baixinho. Pra completar, ainda dava pra comprar cerveja num dos balcões laterais do teatro :) Uma música que sempre gostei, que ele não tocou, foi "Lenny Bruce" do disco "Shot of Love": uma balada, ou melhor, praticamente um hino batista, belíssima. Eu nunca parei pra prestar atenção na letra, e olhe que já ouço essa música desde que o disco foi lançado, em 1981! O disco ainda foi na época da conversão dele ao "cristianismo-protestante-americano-linha-dura-conservador-batista", ufa, e ainda cabia mais nome :( . Sem vergonha de ser ignorante, fui checar a letra da música direito, que falava do tal Lenny de maneira contida, mas mostrando admiração por um ser humano que não tinha nada de perfeito, e nem queria ser modelo pra nada ou ningúem, mas que era belo. Tudo bem, mas aí tive que ir no Google de novo pra saber quem diabos era Lenny Bruce, se é que ele tinha sido de carne e osso, ou existido fora da cabeça de Dylan! Num instante começei a rir, não por causa de Lenny (que é aquele mesmo do filme com Dustin Hofman), mas por causa da loucura de Bob em fazer uma música tão bonita, elogiando um herói underground, num disco cheio de músicas de inspiração judaico-messiânico-cristãs (é hoje)! O tal Lenny Bruce tinha sido um comediante de "stand up comedy", daqueles que enfrentam o público sozinhos, contando "causos" e piadas nem sempre politicamente corretas. O cara tinha sido perseguido, julgado e condenado não sei quantas vêzes pela mesma sociedade e religião que Bob agora fazia parte! Lenny, embora tivesse ganhado muito dinheiro, morreu pobre e quebrado pelos muitos processos e advogados, falido, numa over de heroína. Cheguei à conclusão, e não é a primeira vez, de que Mr Zimmerman, como Lenny Bruce, sabia como realmente deixar uma platéia perplexa. Abaixo, alguns trechos da música:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;"Lenny Bruce is dead but he didn't commit any crime&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;He just had the insight to rip off the lid before its time...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;They said that he was sick 'cause he didn't play by the rules&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;He just showed the wise men of his day to be nothing more than fools&lt;/strong&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Lenny Bruce was bad, he was the brother that you never had."&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110704673084038165?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110704673084038165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110704673084038165' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110704673084038165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110704673084038165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/mr-zimmerman.html' title='Mr. Zimmerman'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110696205675286958</id><published>2005-01-28T22:27:00.000-03:00</published><updated>2005-01-28T22:40:40.330-03:00</updated><title type='text'>Uma troca inusitada de e-mails</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/136/3213/640/Telles.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Telles.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Disco Novo nas paradas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa de quem não tem o que fazer, mas que foi legal ter feito, foi esse e-mail que mandei pra Claudia Telles, filha da Silvinha, depois que achei aquelas fotos do fundo do baú. Ela também é cantora das boas, e ainda está bem ativa no sul do país:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Oi, Cláudia, minha mãe encontrou estas fotos antigas enquanto arrumava o guarda-roupas dela. Elas foram tiradas em Natal RN em 1959! Só por brincadeira, tive a idéia de mandá-las para o Menescal, já que ele está nelas, mas não encontrei um e-mail dele na web. Sem querer, encontrei o seu site e, bem...acho que você vai gostar. Eu só fiz o scan dessas duas porque as outras 3 ou 4 estavam ainda coladas no álbum, mas eu posso mandá-las pra você depois, e com melhor qualidade e resolução. Um abraço e boa sorte na carreira! Peace!"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que ela respodeu, em menos de 24 horas (viva a internet!):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Oi Roberto, que coisa boa ver essas fotos. Quero ver as outras sim, por favor.Vou tentar achar o e-mail do Menescal, ele vai amar! Beijos e super obrigada. Claudia Telles"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110696205675286958?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110696205675286958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110696205675286958' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110696205675286958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110696205675286958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/uma-troca-inusitada-de-e-mails.html' title='Uma troca inusitada de e-mails'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110688082727941356</id><published>2005-01-27T23:53:00.000-03:00</published><updated>2005-01-28T00:12:05.816-03:00</updated><title type='text'>Buk Chinaski</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/136/3213/640/buk_666.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/buk_666.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O velho safado fazendo pose&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num blog de cachaceiro, não poderia deixar de receber a visita ilustre do caneiro-mor Bukowski, que dizia escrever pra não ficar louco, quer dizer, mais do que já era. Umas das minhas passagens favoritas é uma que fala dos garis que vêm pegar o lixo de madrugada. Eles ficam parados na frente da lata dele, olhando um para o outro, impressionados com a quantidade de garrafas. Da janela do apartamento, o velho ainda acordado sorri, e levanta a garrafa de cerveja num brinde aos garis, como dizendo "é isso aí meus filhos, tomei uma por uma, e agora vocês podem recolher tudo!". Bravo, Buk, quer dizer, tin tin!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110688082727941356?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110688082727941356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110688082727941356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110688082727941356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110688082727941356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/buk-chinaski.html' title='Buk Chinaski'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110686152393795092</id><published>2005-01-27T18:32:00.000-03:00</published><updated>2005-01-28T00:14:28.506-03:00</updated><title type='text'>Pérola perdida num álbum empoeirado</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/136/3213/640/Menescal,Silvinha1.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; WIDTH: 195px; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid; HEIGHT: 136px" height="164" src="http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Menescal%2CSilvinha1.jpg" width="257" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Roberto Menescal, Silvinha Teles e Mami em 1959! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(clique para ampliar)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Enquanto arrumava o guarda-roupas, minha mãe achou essa pérola, tirada em Natal-RN há uma porrada de tempo atrás. Na foto, Silvinha Telles, de lenço preto, umas das musas da bossa nova (quem não conhece Dindi, de Tom, feita pra ela) e Roberto Menescal, um dos papas até hoje, não só como violonista e guitarrista, mas como produtor, principalmente de Leila Pinheiro. Eles estavam numa tour pelo Nordeste e passaram um dia na praia passeando. Na foto também, Ana Cascudo, filha do folclorista famoso que foi até cédula do nosso dinheiro, nos anos 80.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110686152393795092?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110686152393795092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110686152393795092' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110686152393795092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110686152393795092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/prola-perdida-num-lbum-empoeirado.html' title='Pérola perdida num álbum empoeirado'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110678571821590745</id><published>2005-01-26T21:28:00.000-03:00</published><updated>2005-01-27T19:04:41.626-03:00</updated><title type='text'>Eu, depois de um regime</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/img/136/3213/640/Robelix1.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Auto Retrato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Este dinheiro que eu estou pisando é a fortuna que eu ganho (sonha) no meu emprego, em troca de duas úlceras, e uma aposentadoria precoce internado num manicômio!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110678571821590745?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110678571821590745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110678571821590745' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110678571821590745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110678571821590745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/eu-depois-de-um-regime.html' title='Eu, depois de um regime'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110677831498506182</id><published>2005-01-26T19:22:00.007-03:00</published><updated>2011-03-07T00:22:10.295-03:00</updated><title type='text'>Concurso Literário II</title><content type='html'>No concurso, acabamos mandando algumas poesias antigas nossas, pra tentar aumentar as chances de alguma premiação. A organização do concurso é muito maior do que pensávamos, e no encerramento acontecerão palestras por escritores conhecidos e parece que até a Ruth Cardoso vai estar por lá. Por outro lado deve haver um bocado de profissionais escrevendo pra esse negócio e talvez tenhamos que ir a Porto pagando a estadia mesmo, que fazer! Mais aí vai um que submeti, escrito há uns dez anos, que fazia parte de um conjuto de três chamado "Crise dos Trinta", escrito no auge das bebedeiras no baixo do Jiriquiti (Ilha do Leite), onde morava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 21px;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Quadro na Parede&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Nave perdida em mares remotos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;És tu minha vida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Remos partidos deixaram-te ao léu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Bravos marujos entregaram-se ao vinho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Em cópulas com belas sereias&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Antropofágicas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Onde está a bússola precisa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;O saber de correntes e estrelas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;O norte agora é o erro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;São rochas famintas de cedros&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Mastros erguidos ao fundo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: normal; "&gt;Num belo retrato de naufrágio&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110677831498506182?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110677831498506182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110677831498506182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110677831498506182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110677831498506182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/concurso-literrio-ii.html' title='Concurso Literário II'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110677811825266820</id><published>2005-01-26T19:17:00.000-03:00</published><updated>2005-01-26T19:21:58.253-03:00</updated><title type='text'>Concurso Literário</title><content type='html'>Semanas atrás descobrimos um  concurso literário  em Porto de Galinhas.  É um concurso de  contos e poesias, com premiações de  finais de semana em Porto,  como também a publicação numa coletânea.  Resolvemos  dar  uma "esquentada nos tamborins" nessa estória de escrever e bolamos  um conto  sobre um cara que vai passar um fim de semana na praia  e conhece uma deusa do  amor, tendo com ela uma noite de amor explosivo  (quer dizer, sexo do bom  mesmo).  Fizemos nas pressas, mas ficou bom, e a estória tem algumas reviravoltas também.  Vou tentar publicar em partes aqui.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110677811825266820?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110677811825266820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110677811825266820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110677811825266820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110677811825266820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/concurso-literrio_26.html' title='Concurso Literário'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110677745444332041</id><published>2005-01-26T19:08:00.000-03:00</published><updated>2005-01-26T19:17:18.046-03:00</updated><title type='text'>Por falar em crônicas</title><content type='html'>Juntei-me com um amigo pra provar que mesa de bar também é cultura e estamos escrevendo uma novela em conjunto. Alguns capítulos já foram escritos e a maioria das personagens já foram criadas. A novela é sobre um prédio de apartamentos e seus moradores, especialmente o major aposentado da Aeronáutica que passa os dias a ler jornais numa mesa perto da janela, e a observar a vida dos outros também!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110677745444332041?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110677745444332041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110677745444332041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110677745444332041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110677745444332041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/por-falar-em-crnicas_26.html' title='Por falar em crônicas'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10413149.post-110677634914259330</id><published>2005-01-26T18:44:00.000-03:00</published><updated>2005-01-26T19:05:30.040-03:00</updated><title type='text'>Inaugurando o Robelixblog</title><content type='html'>Eu não sei que idéia genial foi essa de ter um blog, mas quando eu vi já tinha feito um. Na verdade eu nem sei pra quê eu quero ter um, mas quando as coisas são de graça a gente fica tentado a aceitar. Talvez tenha inventado essa estória como pretexto pra praticar algumas crônicas do dia a dia e contar as últimas do Brasil aos amigos distantes, ou falar de livros e música também. Vamos ver no que é que dá. Ah, o nome do blog é um apelido que me colocaram não só por causa do meu tamanho, mas pelo amor àquelas poções mágicas, tipo cerveja, maltado escocês, cachaça etc!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10413149-110677634914259330?l=robelixblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://robelixblog.blogspot.com/feeds/110677634914259330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10413149&amp;postID=110677634914259330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110677634914259330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10413149/posts/default/110677634914259330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://robelixblog.blogspot.com/2005/01/inaugurando-o-robelixblog.html' title='Inaugurando o Robelixblog'/><author><name>Robelix</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15243340579603246077</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://photos1.blogger.com/img/136/3213/200/Robelix1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
